Tech-disco com pegada
03.07.09 00:137 comentários
falei e exaltei a dupla belga Mugwump aqui no blog.

Preciso falar deles e novo por causa de uma faixa excelente que ouvi pela primeira no set que gravaram para o programa Beats In Space, de Tim Sweeney. Chama-se "Tellakian Circles".

Bem, o EP com a faixa saiu agora para o público. Tem a versão original e um remix dos elegantes Runaways. Tech-disco espacial com pegada. Recomendadíssimo!

Ouça aqui.
Tags: mugwump, tech-disco, tim sweeney
Camilo Rocha
Camilo Rocha (camilo @ rraurl.com)
Putz! Putz!
Country vs eletrônico?!
02.07.09 00:117 comentários
Country e eletrônico. Uma ideia de combinação que certamente fará a maioria das pessoas que conheço querer mudar de assunto na hora.

Mas calma! Ouça o que o dinamarquês cabeçudo Trentemoeller fez com essa balada de Chris Isaak, hitaço no começo dos anos 90. Tá, ele fez ela virar dub, mas o vocal está lá, country melancólico. E, ainda assim, quem diria que dub + country + eletrônico poderia soar tão bem?

Chris Isaak - Wicked Games (Trentemoller Businessman Dubby Games Remix)



No mais, desencavei dois momentos country-eletrônicos dos anos 90. Talvez soem meio cafonas para alguns, mas para mim trazem lembranças de boas épocas noturnas.

KLF feat. Tammy Wynette - Justified and Ancient (Stand by the Jams)



The Grid - Swamp Thing


Tags: trentemoeller, chris isaak, klf, tammy wynette, the grid
Camilo Rocha
Camilo Rocha (camilo @ rraurl.com)
Putz! Putz!
Sem Michael Jackson, sem heróis
30.06.09 03:1515 comentários
Os heróis da música estão acabando. O maior dos últimos 30 anos acaba de nos deixar. A morte de Michael Jackson escancarou a situação de seca icônica que será a característica da próxima década.

Michael Jackson - Remember the Time (Silky Soul Radio Edit)



Os astros que fazem as pessoas pendurar posters no quarto, acompanhar os mínimos detalhes de sua carreira, colecionar cada nota musical já gravada e os admirar como seres que vivem em outra realidade ao mesmo tempo em que o consideram um amigo íntimo, estão quase todos extintos, símbolos de uma outra era. Não há quem substitua esses grandes, na verdade não há nem quem substitua os médios. Vivemos numa década fragmentada, populada por nichos e com DDA crônico. Ninguém tem paciência para muita dedicação.

Michael Jackson - Rock With You (Frankie Knuckles Remix).mp3



Coachella e Glastonbury em 2025 terão sérios problemas de lineup. É claro que terão à disposição todos os nomes quentes do mês, os nomes twittados e blogados (ou em seus equivalente de 2025). Mas quem vai fazer o papel do nomão ecumênico, junta-tribo, a super-referência, o Grande Retorno Triunfal?

Os anos 20 do século 21 vão ter é que se virar com os "grandes" nomes do 00. Gente muito boa, como Strokes, Franz Ferdinand, LCD Soundsystem, Gossip, MGMT, Justice, Simian Mobile Disco, Yelle e Santogold. Suponhamos que durem ou que sejam revididos. Algum vai ter fôlego para causar aquela comoção aglutinadora?

Voltando a Michael Jackson, ele conseguiu realizar uma última proeza, de causar inveja a qualquer artista vivo. Nesses dias que se seguiram à sua morte, fez reviver uma prática que estava a caminho do esquecimento: pessoas lotaram lojas de discos e congestionaram sites para comprar CDs e vinis, atrás de um último contato físico com seu ídolo.

The Jackson 5 - I Want You Back (Z-Trip Remix)



Michael Jackson - Get on the Floor (Holy Ghost! Edit)



Michael Jackson - Wanna Be Startin' Something (Brothers In Rhythm Remix)



The Jacksons - Shake Your Body (Disco remix)



Michael Jackson - Billie Jean, My Love (ComaR version)

Tags: michael jackson, remixes
Camilo Rocha
Camilo Rocha (camilo @ rraurl.com)
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Michael Jackson (1958-2009)
25.06.09 21:3549 comentários

Texto originalmente publicado no Virgula


Michael Jackson morreu nesta quinta-feira (25) aos 50 anos, vítima de uma parada cardíaca.

O cantor sofreu o ataque do coração no início desta tarde e foi levado ao hospital UCLA Medical Center, em Los Angeles, mas, segundo o jornal, os paramédicos não conseguiram reanimá-lo. Ele não tinha pulso quando foi atendido pelos médicos.



MEMÓRIA

A enxurrada períodica de notícias escandalosas envolvendo o nome de Michael Jackson desde os anos 90 fez muita gente esquecer uma verdade incontestável: ele foi um dos dois maiores artistas pop dos últimos 50 anos (o outro foi Elvis). E é esse o Michael Jackson que seus milhões de fãs ao redor do mundo vão guardar na memória.

Então, vamos esquecer um pouco as acusações de pedofilia, o bebê sendo balançado na varanda do hotel, as máscaras anti-germes e as sucessivas cirurgias plásticas que transformaram seu nariz num pedacinho de cartilagem.

Vamos lembrar do menino-prodígio que, aos 10 anos, subia nos palcos já como líder de seu grupo, o Jackson 5, e que, com seu carisma solar e passos de dança impecáveis, ofuscava todos seus companheiros de banda/irmãos mais velhos. Desde essa época, Michael era famoso, adorado e vendia milhões de discos, carregado por hits como "ABC" e "I Want You Back".

CARREIRA-SOLO

A carreira-solo era inevitável. Mesmo durante a existência do Jackson 5 (depois rebatizados de The Jacksons), Michael já era levado para gravar sozinho no estúdio, gerando sucessos como "Ben" e "I'll Be There". E tratado como A estrela, O especial.

Seu pai o educou segundo uma disciplina rígida (sua mãe era testemunha de Jeová), e consta que era comum que Michael apanhasse. É nesse misto de tratamento de reizinho com severidade familiar, de privilégio com trabalho incessante, que foi criado o menino Michael. Alguém acha estranho ele ter virado o que virou? Michael Jackson nunca viveu como gente normal.

Em 1979, Michael lançou seu primeiro álbum-solo, Off the Wall, produzido pelo maestro Quincy Jones. O disco foi um sucesso global e abriu caminho para o álbum em que Michael deixou de ser apenas um cantor muito famoso para virar um fenômeno musical que só encontra paralelo em Elvis Presley. Este álbum era Thrilller, que saiu em 1982.

THRILLER

Todas, eu disse todas, as músicas de Thriller viraram hits. "Billie Jean", "Beat It", "Human Nature", a faixa-título, são todos clássicos eternos. O disco é até hoje o álbum mais bem-sucedido da história, tendo vendido entre 100 e 109 milhões de cópias. Muito do sucesso do disco veio da aposta de MJ numa nova mídia, os video-clipes, que o mundo assistia e tentava copiar seus incríveis passos de dança (como o Moonwalk, o passinho para trás assumidamente inspirado no breakdance).

Mas Michael, sendo Michael, não fazia clipes, fazia super-produções. O vídeo de "Thriller" tinha 13 minutos e foi dirigido por John Landis, que fez os Irmãos Cara-de-Pau. A estreia de um novo clipe no Fantástico, que era onde se viam novos clipes na TV brasileira no começo dos anos 80, era um evento nacional que todo mundo comentava no dia seguinte.

PÓS-THRILLER

A performance de Thriller foi tão superlativa que seria diíficil repetí-la. O disco seguinte, Bad (1987), foi um estouro também, com várias músicas em número um, mas o impacto já foi bastante menor (vendeu "apenas" oito milhões de cópias). Para muitos críticos, ele não atingia a genialidade artística e comercial de Thriller, repetindo algumas de suas fórmulas. Dangerous, de 91, teve sucessos como "Black or White" e "Remember the Time", mas tinha um conjunto bem irregular.

A essa altura, as excentricidades de Michael Jackson já alimentavam os tablóides de todo o mundo. Ele dormia numa câmara hiperbárica para retardar seu envelhecimento. Ele comprou um rancho na Califórnia para morar e o batizou de Neverland (Terra do Nunca). Lá montou parque de diversões, trenzinho, salas cheias de brinquedos e um pequeno zoológico. E sua predileção por ficar mais na companhia de crianças do que de adultos ganhou fama. Ele adquiriu os direitos para todo o catálogo das músicas dos Beatles (depois Paul McCartney recompraria parte delas).

CURVA DESCENDENTE

Em 1993, a carreira de Michael Jackson começou uma longa e triste curva descendente. Ele foi acusado de molestar um menino de 13 anos que frequentava sempre sua casa. Levado para os tribunais, seu nome foi arrastado na lama dos tablóides. Ao mesmo tempo, ele passou por uma clínica de reabilitação para curar um vício em analgésicos. O casamento com Lisa Marie Presley (filha de Elvis) em 94 não durou muito; 19 meses depois eles já estavam separados.

Em 95, o sucesso do single "You Are Not Alone" acenou para uma recuperação de sua carreira. Musicalmente, era talvez a coisa mais melosa e sem graça que ele já gravou. E foi fogo de palha. O álbum que trazia a música, HIStory, basicamente uma coletânea, foi uma decepção nas vendagens.

No ano seguinte, Michael casou de novo, com a enfermeira Debbie Rowe. Com ela teve dois filhos, Prince Michael Jackson Jr. e Paris Michael Katherine Jackson. Em 1999, eles se divorciaram.

O álbum Invincible, o primeiro de material todo inédito desde Dangerous, foi lançado em 2001. Apesar de vender razoavelmente bem, não chegava aos pés da fase dourada do cantor e logo foi esquecido.

Este ano, uma série de 50 shows em Londres foi anunciada, como mais uma tentativa de retorno triunfal de Michael Jackson. Os ingressos esgotaram para todos os shows e pela primeira vez em muito tempo o foco das notícias sobre Michael Jackson tinha a ver com música e não com algum escândalo. Pena que ele não teve tempo de coroar novamente o seu reinado no pop.
Tags: michael jackson, luto, pop
Camilo Rocha
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James Murphy, antes da dance music
25.06.09 00:523 comentários
Muita gente adora dizer que James Murphy, um dos LCD Soundsystem, salvou a dance music ao injetar nela uma pegada rock/pós-punk lá pelo meio desta década.

Mas, antes de mais nada, foi a dance music que salvou James Murphy. A comprovação está no Speedking, banda que Murphy encabeçou nos anos 90.

Um rock quadrado meio Joy Division meio Sonic Youth, um groove adstringente, de pulso eletro-hipnótico e ocasionais esporros barulhentos.

Ouça "Millionth Monkey". A música não é de todo ruim. É até boazinha. Mas como o som de James Murphy ficou melhor acrescido de suingue, cowbells, claps disco e outros itens chacoalhantes.

Speedking - Millionth Monkey


Tags: speedking, lcd soundsystem, james murphy
Camilo Rocha
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Chegou o álbum de Renato Cohen
23.06.09 00:5321 comentários





























O parto foi longo, mas o bebê finalmente veio ao mundo. Hoje é o lançamento oficial de Sixteen Billion Drum Kicks, primeiro álbum de Renato Cohen.

O disco vem cheio de coisa boa: techno, bastante claro, house, batidas quebradas, jazz, samba (mas não do jeito que você imagina) e disco music.

Disco music, claro. Cohen também está obcecado pela "boa música de todas as épocas" ("o movimento sem nome", como disse Greg Wilson), que, em meio a mesmice eletrônica atual, é para onde está migrando grande parte dos DJs com fome de música de qualidade. Ele tem passado muito tempo em Londres, indo a festas como Disco Bloodbath e apreciando DJs como Loud E e Daniele Baldelli.

Abaixo duas amostras do álbum.

Renato Cohen - Jaxx



E tem essa divertida versão jazz daquela música que sacudiu o começo dos anos 00, em parceria com Bocato, o veteano do trombone.

Renato Cohen e Bocato - Pontape Jazz

Tags: renato cohen, disco, loud e, jazz, bocato
Camilo Rocha
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Shuffle randômico aleatório
20.06.09 21:574 comentários


Shuffle randômico aleatório. Alguém se incomoda de ser jogado pra cá e pra lá um pouco?

Começando com um alemão talentoso ao extremo. Vamos fazer uma campanha para Tensnake nunca mais sair do estúdio! Ele só melhora a cada disco! Ouça essa e corra atrás do seu último EP que tem mais coisa boa.

Tensnake - Holding Back (My Love)



Todo DJ de techno, tech-house ou coisa que o valha leva algum Eyerer ou Babicz na bagagem quando sai. Um dia os dois encheram a cara de frozen marguerita, foram para o estúdio e deu nesse latinismo teutônico aí.

Martin Eyerer e Robert Babicz - Salsa Roja



A Strictly Rhythm tem se saído bem na sua nova fase. Dennis Ferrer capricha no deep melódico aqui. Piano saboroso.

Dennis Ferrer - Sinfonia Della Notte



Sou fã de Depth Charge. É o projeto mais "famoso" do inglês J. Saul Kane, que nunca foi reconhecido como merece. Lança músicas desde 1989, sempre groovões firmeza com uma boa dose de irreverência, graças a seus samples abusados. Essa acaba de sair pelo seu selo D.C. Recordings.

Depth Charge - Shy



O que acontece quando os projetos de eletro-pop melódico Memory Cassette e Weird Tapes se juntam? Eles tomam chá de fita? Errado, eles gravam uma sublime canção como esta.

Memory Tapes - Bicycle



Pós-disco de 84 co-produzido por Steve D'Acquisto, um dos caras que estavam na maternidade da disco, em Nova York, no tempo em que eu ainda fazia xixi na calça (erm, começo dos anos 70).

Department of Sunshine - Rude Boys (Dub)



Percussão com mais molejo que as bocas-de-sino do Simonal. É longa, mas mesmo assim no final você quer mais. Permanent Vacation, cujos donos assinam o remix, é um daqueles selos que vale ficar de olho.

Woolfy vs Projections - Neeve (Permanent Vacation Tropical Heat Mix)



Edit de disco obscura. E pensar que a maioria das pessoas dançava Village People e não isso nos anos 70.

Harari - Party (LeBaron edit)



Funkão também dos anos 70. Sample alert! Lá pelo meio, algo soa familiar. Não é pra menos, é o ataque de metais que o S'Express usou depois em "Theme".

Crystal Grass - Crystal World



Disco-funk pop made in Italy. Foi hit de rádio em 1980. O refrão é super-bonder.

Uncle Louie - Full Tilt Boogie

Tags: shuffle, ecletismo, boa música, randômico
Camilo Rocha
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Truques no CDJ
19.06.09 02:4311 comentários
Sem tempo para um post mais elaborado.

Amanhã tem.

Enquanto isso, divirta-se com James Zabiela ensinando truques no CDJ.



O cara é um ótimo professor.
Tags: james zabiela, cdj, técnicas
Camilo Rocha
Camilo Rocha (camilo @ rraurl.com)
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