13.12.07 22:30
O túmulo do groove?

Usando bandas como Arcade Fire, Pavement e Decemberists, o crítico não se conforma como "o ritmo passou a ser descartado [justamente] numa expressão artística que nasceu como uma celebração das possibilidades do ritmo". Em outras palavras, o rock havia perdido seu elo com a música negra, com o groove e a com a emoção à flor da pele. Frere-Jones arremata, declarando que o rock optou pela "fraqueza e pela monotonia, confundindo isso com autenticidade e significância."
Essa falta de groove no rock certamente explica minha enorme preguiça com 90% das bandas desse gênero dos últimos dez anos (15, na real, lembrei que detesto grunge no geral). E, se o rock está com esse problema, me solidarizo com o colega escriba. Porque na dance music de 2007 estivemos passando por esse mesmo problema da falta de groove.
Sempre teve música eletrônica ou de pista "sem groove", ou seja, absolutamente cortada da raiz de música negra que foi a sua matriz rítmica: EBM, hard techno, psy-trance e gabba são alguns exemplos bem conhecidos. Mas esse ano, dois dos gêneros mais em evidência na mídia e nas pistas se caracterizaram por erradicar qualquer exercício rítmico que fosse um pouco mais maleável que uma colher de pau ou um poste de concreto. As metáforas já entregam: é o minimal techno e o electro-rock-noise-new rave.
Exemplares recentes de faixas de Bruno Pronsato, Pheek, Marc Houle, Gaiser e Barem
Yuksek

Na outra ponta, temos o barulho das serras elétricas e das furadeiras tentando compor uma levada que é como alguém marchando com paralelepípedos presos nos pés. Pense em certas faixas de Justice, Yuksek, Erol Alkan e DatA. E Boyz Noise: alguém já tentou ouvir seu álbum inteiro? É exaustivo. O remix do Soulwax para "Standing in the Way of Control", do Gossip, é um exemplo primoroso de excesso da estética barulhenta: toda a força soul e o balanço pontudo do original acabam soterrados por distorção e sons picotados ad infinitum.
Como reflexão para 2008, vale o que já dizia o Chic, em "Everybody Dance": "And it don't mean a thing if it ain't got that swing." (e não significa nada se não tiver aquele suingue."

REBOLADO...
groove moves me...
Mas isso não aconteceu e acontecerá sempre com todos estilos musicais?? O negócio é filtrar as coisas boas das porcaria, em qualquer estilo.
Sobre o groove, entendo a diferença de pista bombando, lógico. O que quis dizer é que uma música, mesmo sem ser totalmente dançante, pode ser boa. Mesmo sendo de pista. Sei lá, fechar os olhos e se emocionar com as nuances do som, pra mim, pode ser tão bom quanto dançar até ter dor nas pernas....mas ae, de novo, é uma questão de gosto.