26.09.08 19:51
Inaugurou em setembro em São Paulo a filial brasileira da rede norte-americana American Apparel. Pra quem não conhece, a AA é uma marca que existe desde 2000, fundada pelo canadense Dov Charney, que já nasceu com valores de sustentabilidade intrínsecos e é hoje um dos maiores sucessos mundiais a curto prazo no mundo. A AA ficou conhecida nos EUA pelas campanhas que incitavam o teor sexual, pela qualidade das roupas (que são todas produzidas em Los Angeles) e pelo ambiente de trabalho easy going, algo raro na área de moda.
Fui até a nova loja localizada na rua Oscar Freire para conversar com a responsável pela loja, a Thais Lima. Devo confessar que esperava uma loira peruassa, deslumbrada com moda e com a marca que chega ao Brasil. encontrei o oposto: a Thais é super low profile, toca a loja com a sua irmã (também funcionária da AA), a Dijane. E, numa conversa relaxada, me contou diversas coisas bacanas sobre a marca e a vinda da loja no Brasil.
Como foi a vinda da loja no Brasil?
Na realidade foi uma "sementinha que plantamos" com o Dov. Há aproximadamente 4 anos já existe a idéia de vir para o Brasil, São Paulo especificamente. Mas achávamos que nem a AA e nem o Brasil estavam preparados. Fora que existe toda a burocracia de trazer artigos importados para o país, e pensávamos que ia ser uma dor de cabeça. No final das contas foi bem mais fácil do que imaginávamos, a idéia se concretizou e o Dov acreditou na gente, apostou na idéia de abrir uma loja aqui.
Existe a idéia de abrir outras lojas pelo país?
Ainda não sabemos.
Até existe a questão do preço, pois todos sabemos que o imposto cobrado sobre artigos importados deixam o valor final muito alto...
Exatamente, e nossa idéia não é ter um valor inacessível. Isso é um dos valores da AA, não queremos ser uma empresa com um produto sustentável para poucos. Nos EUA funciona muito melhor que aqui, por conta dos altos impostos brasileiros é inevitável que o valor aumente, mas não queremos ser inacessíveis. Mas mesmo assim temos muitos produtos que, comparado aos concorrentes daqui, o nosso é mais barato.
Justamente, o tempo que fiquei passeando pela loja, enquanto esperava a Thais chegar para a entrevista dei uma olhada nos preços. Algumas coisas são sim caras, mas não inacessíveis. Do tipo, uma meia calça com uma perna de cada cor, que, vale lembrar, NÃO EXISTE no mercado nacional, sai por 47 reais. Caro? Sim, mas não é algo que não se possa sonhar em comprar... Ainda mais quando tive a curiosidade de abrir o pacote e ver que o tecido da meia calça é realmente superior ao encontrado nas marcas especializadas em meias daqui. Aliás no quesito meias, as meninas podem ficar horas tentando se decidir na loja o que levar: tem uma infinidade de modelos de meias calças, meias comuns, polainas, etc. A meia básica branca, com listras nas cores tipicamente americanas (vermelho e azul) são bem diferentes do que vemos aqui por aqui. A Thais me contou que as meias são produzidas na fábrica deles mesmos, que a produção não é terceirizada (a terceirização de artigos como meias é comum no ramo) e que um dia o Dov cismou de comprar máquinas de fazer meias, numa viagem com ela para NY, simplesmente sacou o telefone e solicitou o maquinário. Ela contou também que o Dov é assim, trabalha com todos a sua volta, ouve as sugestões e idéias de todo mundo e aposta nas idéias.
Como é trabalhar na AA?
A empresa já nasceu com o lema de sustentabilidade, mas sustentabilidade não é só "reciclar", não adianta ser uma empresa sustentável...
... e os funcionários serem infelizes?
Isso! Então existia um departamento focado em como trazer essa "sustentabilidade" para funcionários. Em determinado momento existiu uma campanha para os funcionários irem trabalhar de bicicleta. A família do Dov é toda ligada ao meio artístico, eles possuem diversas obras de arte e eles não sabiam o que fazer com aquilo tudo. Colocamos tudo na fábrica, montamos algumas instalações e até demos uma festa de inauguração desse projeto. Isso deixou o ambiente bem mais legal.
Eu havia lido em algum lugar que só trabalhavam funcionários americanos, como é isso?
Não... onde você leu isso? Aliás a mídia fala muita coisa que não é verdade... Um jornal grande veio aqui, não conversou com ninguém e publicou uma reportagem só falando mentiras, preços incorretos, etc. Fiquei chateada. Mas respondendo você: não, trabalham pessoas do mundo inteiro na empresa. E tudo é interno, o site é feito por funcionários, o layout, a arte gráfica tudo, até as fotos.
Eu ia te perguntar isso, pois as fotos de "campanha" do site de vocês parecem feitas com pessoas comuns, é isso mesmo?
Sim, essas pessoas são escolhidas aleatoriamente, de repente eu posso estar na rua andando e eu vi você. Se eu achar que você é uma pessoa legal de fotografar te chamo, fotografo e você ganha cinquenta dólares a hora. Até o fotógrafo é algum dos funcionários, nunca contratamos um fotógrafo. O próprio Dov já fotografou, eu já fotografei. Acho bacana o outro lado, das marcas que usam modelos de verdade, como a Gisele Bündchen, mas não pagamos cachê como o dela que é muito mais que 50 dólares a hora.
E quem vocês querem atingir como consumidores?
O público jovem. Mas aqui está acontecendo uma coisa "engraçada": muitas senhorinhas do bairro estão amando a loja e já estão freguesas.
Que demais!
Sim, é inusitado!
E as coleções, como funciona?
Não temos coleções, temos uma equipe de estilistas. Eles vão fazendo e se for algo legal aí entra em produção e vai pras lojas. Isso é bacana, pois tem a 2001 que é a camiseta básica e se daqui a 10 anos você quiser comprar a 2001 de novo, você vem na loja e vai ter, a maioria das cores são sempre produzidas. Só saem de linha se realmente não estiver tendo saída em todas as lojas. Coisa que não acontece na Hering por exemplo.
Muita gente compara a AA com a Hering, vocês consideram eles concorrentes?
Talvez. O histórico das duas é muito similar: começamos como produtores de camisetas para o varejo e agora temos lojas próprias. Mas enquanto a Hering se preocupa em ser a Abercrombie brasileira (é só ver o novo layout das lojas) nós nos preocupamos em ser atuais.
Pois é, uma passada pela loja e você consegue montar um look pro dia que serve também pra noite. Com peças relativamente básicas como leggings, vestidos tubinho, tops e etcs, a AA se destaca pelos tecidos diferenciados, metalizados, holográficos, lycras ultra-brilhantes em diversas cores. Não é a toa que no último ano, a legging de lamé brilhante se tornou hit nas baladas do mundo inteiro. Todos os editoriais de moda traziam a legging de lamé preta, prata ou em qualquer outra cor existente. Na noite paulistana basta ir ao Glória pra ver a AA presente entre os chamados "fashionistas".
Headbands com tecido holográfico
Headbands de elástico
As "famosas" leggings
Kit de cintos
Pros meninos tem jeans com lavagens diferenciadas, camisetas de todas as cores possíveis, jaquetas corta vento... tem de tudo mesmo, até infantil, bebê, moda praia e acredite, roupa pra cachorro. A loja é um grande magazine de roupa, com qualidade, nada de made in China, trabalho escravo, etc. Recomendo dar uma passada, nem que seja pra conhecer, faz tempo que não temos um conceito de magazine (por mais que seja de fora) bacana no Brasil.
www.americanapparel.net
American Apparel
Rua Oscar Freire 433
São Paulo - 01426-901
Tel.: (11) 3081-8422
Colaborou: Gaía Passarelli
Maurício(30.09.08)
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Poutz! Entrei no site da Erika Patolino achando que era o rraurl...
CaiovzKy(30.09.08)
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Uhm! continuo usando minhas roupas de marca de skate e algumas grifes nacionais. ahhahaaa
Gaía Passarelli(30.09.08)
0

eu ia gostar mais se a loja fosse em pinheiros! :P
Bruno Camargo - Carbon23(29.09.08)
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O Brasil tem coisas curiosas: pq a marca não abriu sua loja em um bairro cuja revitalização seria importante: no centro, por exemplo? Oscar Freire é enxugar gelo: paga-se alto e ganha-se tbém. A conversinha da sustentabilidade não convence - não se falou nada além de valores empresariais, digamos, "humanos". E o desdém quanto ao "sustentabilidade não é só "reciclar"" mostra completo desconhecimento da causa....ponto pra quem compra pq é bom e veste legal, não pelo cliché-esmola...
Helena Nacinovic(29.09.08)
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Ai, fiquei com muita vontade de ir conhecer a loja. E não achei os preços tão caros quanto eu imaginava. Tenho duas leggings de lá que eu adoro, são lindas de morrer!
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