07.02.08 01:09
Hegemonia leva à homegeneidade. Esta é certamente uma regularidade quase normativa no que se refere a qualquer tipo de manifestação artística, e cuja validade todos que dedicam seus momentos de deleite estético à música eletrônica puderam verificar no decorrer desta década que, por fim, se aproxima de seu crepúsculo. Como em uma Idade das Trevas musical, o dogma minimalista se instalou em todos os recônditos do universo eletrônico, trazendo novos fiéis e sacerdotes, assim como convertendo outros, mas cujo eixo girou invariavelmente em torno de alguns poucos nomes e dos interesses de algumas míseras empresas.
Esta predominância sufocante acabou por tomar seu curso previsível e culminou numa autofagia conceitual, claramente denotada pela quantidade de lançamentos irrelevantes e pela ruminação constante de idéias que se constatou na última meia década. Contudo, parece que 2008 já prenuncia um período análogo a um Renascimento para o Techno. Uma época na qual não somente a liberdade criativa pode encontrar seu momento áureo, mas também onde o dogma precedente pode conviver com os antigos valores clássicos até então relegados ao esquecimento, numa sinergia em que o futuro da música possa voltar a ser o cerne das preocupações, ao invés da mesquinharia dos assuntos comerciais e a esterilidade das jogadas de marketing.
HOODLUM
Tendo esta dinâmica em mente, ao nos debruçarmos sobre o catálogo do selo vinculado ao club londrino Fabric, rapidamente percebemos que eles colocam bem mais esforço em manter sua reputação enquanto sólidos baluartes da música do que em se tornar mais um transatlântico singrando pelas marés novidadeiras. Depois de recusar o que seria, sem dúvida alguma, a edição mais vendida de sua série de compilações, materializada na fanfarronicamente excessiva seleção do Justice, agora eles nos presenteiam com o retorno aos holofotes de um pioneiro do minimalismo tecnóide: Robert Hood.
A série em si já é um excelente termômetro da cena, sendo que usualmente é através dela que os artistas convidados se empenham em mostrar o que vêm fazendo e o que têm tocado em tempos recentes. Dessa forma, pudemos ver o quão distantes estão propostas como a de Ricardo Villalobos, Akufen ou Matthew Dear, expoentes da nova onda, e tristes epígonos como Adam Beyer, Marco Carola e Luke Slater, outrora renomados pontas-de-lança do Techno, agrupados dentro do mesmo saco de sonoridades microscópicas.
No caso do veterano Hood, ele mesmo um longevo promotor da estética minimalista, agraciando muito da nova leva de talentos com sua bênçao através de remixes e colaborações, a pegada chega a um buraco subjacente. A mistura é muito bem feita e as mixagens são precisas como a tradição de sua terra-mãe manda, mas a seleção pende claramente para os sons "esquecidos" de gente como Mills, Pacou, UK Gold, DJ Skull e o próprio Hood, com a presença daquela saudosa 909 seca e potente que caracteriza tudo que ficou no subconsciente minimalista depois da hegemonia da pipocaria tão enfadonhamente bouncy que se tornou prevalente no Techno ultimamente.
SINAL DOS TEMPOS?
Não é apenas uma questão de Renascimento - ou muito menos de "revival", termo já usado e abusado pela peneira das vogas, que acabou por trazer muita poeira e pirita com muito pouco ouro - ou mesmo de um retorno do reprimido, mas sim de uma revivescência, pura e simples, de algo que, curiosamente, andava meio ausente: variedade. Hood pode não ser o mais confiável dos artistas quando se refere a bookings, mas sem dúvida continua a ser o maior entusiasta de todo esse universo artístico que ele mesmo ajudou a criar e desenvolver.
"These days I am focussed purely on minimalism and really embracing minimalism, because it's taken on a life of its own. It's now a music style separate from techno. I would never have imagined that it would take this direction. I didn't see that one coming! I saw minimalism in life becoming more and more evident - in furniture, in electronics, in art, in automobiles, appliances - you know, I could see that coming. But, as far as music itself being thought of now as an art form? Back then, I think people looked on at it as a trend but they didn't realise that minimalism is an art form. I did not realise it would take on this characteristic as it has now. So, where I'm at right now is embracing minimalism and seeing how far I can push it - in my interpretation of what simplicity and the music is all about. I am really representing it as an art form and not a trend. As the future evolves, we're going to get more and more minimal..."
Tracklisting do que ele mesmo denomina uma "narrativa minimalista":
01. Monobox : Silicone Fingers : Logistic
02. Element 9
03. Robert Hood : Who Taught You Math : Peacefrog
04. Pacou : X-Factor : Cache
05. Robert Hood : Strobe Light : Music Man/N.E.W.S.
06. Marco Lenzi : Taboo : Molecular
07. Joris Voorn : Fever [Rephrased] : Keynote
08. Fab G : Bust The Vibes [Real Disco Mix] : Grand Prix
09. Dan March : Sand Dune : Meta
10. Element 3
11. Diego : Mind Detergent [Robert Hood Remix] : Kanzleramt
12. Jeff Mills : Skin Deep : Axis
13. Robert Hood : School : Music Man/N.E.W.S.
14. Element 23
15. John Thomas : Mr. Funk : Logistic
16. DJ Skull : Informant : Hypnotic Tones
17. Scorp : One Side : Music Man/N.E.W.S.
18. Pacou : All It Takes : Cache
19. Phase : Mass : N.E.W.S.
20. UK Gold : Agent Wood [Adam Beyer Remix] : New Records
21. Solid Decay : Legalize! - Lessismore
22. Element 7
23. Robert Hood : Side Effect : Music Man/N.E.W.S.
24. Mion- Drop The Filter : Music Man/N.E.W.S.
25. Scorp : New Energy : Music Man/N.E.W.S.
26. UK Gold : Agent Wood [Original Mix] : New Records
27. Robert Hood : Still Here [Los Hermanos Remix] : Music Man/N.E.W.S
28. John Thomas : Pulp Funktion 2 : Logistic
29. Robert Hood : The Greatest Dancer : M-Plant
30. Low Life : Exclamation - Mosaic
31. Robert Hood : And Then We Planned Our Escape : Music Man/N.E.W.S.
32. Element 12
Raul Cornejo
sheer persuasion
sheer persuasion

:o)
Ótimo texto
bom ver o srto. escrevendo aqui no rraurl! Belo txt
:D