07.02.08 23:00
VINDE A MIM AS CRIANCINHAS...Aviso aos pervertidos e ávidos por escândalos em geral: o assunto não é pedofilia. Tío Ricky vive la vida loca... ma non troppo. Em sua mais recente empreitada musical no segundo release de seu novo selo Sei Es Drum, Villalobos, o chilenito mais querido do Techno conseguiu manter o passo de birutices e euforia lúdica que já é característico de sua obra, adicionando um toque pueril. O resultado é, previsivelmente, outra faixa que vai empapuçar as terminações nervosas dos aparelhos auditivos de todos no raio de alcance dos falantes que cuspirem sua infantil melodia e groove percussivo.
A: Enfants (Chants)
B: Enfants (Tambours)
Não é exagero, "Enfants" é grudenta justamente porque é divertida. Cativante exatamente porque é bobinha. E talvez este seja seu maior trunfo, assim como o despojamento é o de seu criador. Uma junção rara de qualidades em tempos nos quais nossas únicas alternativas parecem ser, de um lado, tentativas desesperadas de seriedade como fachada para uma musicalidade pretensiosa ou a propostas pretensiosas e superficiais de descompromisso com qualquer forma de competência para justificar o entretenimento.
GALOMANIA CÓSMICA
Os enfants em questão vêm da França e, para piorar, são filhos de um dos mais excêntricos elementos daquela geração tresloucada que engloba nomes como Steve Hillage (System 7 e Gong) e Richard Pinhas, entre outros space cadets que colocaram a França no mapa das jornadas eletrônicas e psicodélicas das décadas de 60 e 70. A origem do sample é "Baba Yaga La Sorcière", uma obra até que recente (1995) de Christian Vander, baterista da reputada megabanda Magma, um dos baluartes do experimentalismo daquela época. Vander não só era o capitão da sobretripulada espaçonave (algo em torno de vinte membros), como também inventou um idioma próprio, o kobaïano, para definir o gênero musical que criou, o Zuehl. Uma mistura tão insólita quanto frutífera de piscodelia, neoclassicismo, eletrônica de vanguarda e influências étnicas variadas. Estas últimas explicitadas no sample específico que beneficiou a criação de Villalobos.Où est mon ravitailleur spatial?

Ricardito faz jus a suas raízes, firmemente situadas nesta tradição de viagens sônicas pelo espaço sideral. Seja pelos samples que utiliza ou pela megalomania de alguns de seus trabalhos - cuja duração por vezes excessiva para os parâmetros atuais também é claramente tributária das epópeias musicais franco-alemãs do período - ele mostra de onde vem, já que é impossível saber para onde vai.
Peguem as lancheiras, porque é hora do recreio:

tks pelo texto....realmente é mto bom vc escrevendo aqui
respect