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Catalepsia
12.02.08 22:58
DON'T STOP THE PRESSES!
Fetichistas do vinil, regozijai!Na semana passada, o respeitadíssimo periódico Financial Times publicou uma matéria alentadora sobre a economia do vinil na atualidade. Graciosamente entitulada "Back In The Groove", a matéria procura abordar a dinâmica do mercado do vinil inglês nestes tempos em que, a torto e a direito, alguém declara sua morte quase que diariamente.

O mais interessante é a perspectiva inovadora que ela oferece ao mostrar que a nachleben do vinil reside não na jurássica reserva dos DJs e dancemaníacos fetichistas, mas sim em um novo nicho: os consumidores de rock e pop que se guiam pelas paradas dos grandes semanários musicais.Irônico, não? Se você pensava que a piéce de resistance dos disquinhos de plástico era o DJ no formato consagrado desde o final dos 70 e seus discípulos, enganou-se redondamente. Arctic Monkeys, White Stripes e outros lugares-comuns das rádios e charts lançam suas novidades alegremente na antiquada plataforma para o deleite de seus fãs, assim como Sex Pistols, Led Zeppellin e outros senhores respeitáveis retiram o pó de suas masters originais.

A matéria em questão toma como exemplo a pequena fábrica da Portalspace Records, situada em um galpão antigamente utilizado pela EMI para embalagem e distribuição nos tempos áureos da venda de bolachas, onde a pequena empresa instalou algumas das máquinas de prensagem que pertenciam à mesma gravadora. Contudo, a ironia mais saborosa está contida no fato de que a própria major tomou um couro financeiro recentemente e anunciou que vai mudar toda sua estratégia de negócios, começando pelo corte no quadro de funcionários e advances aos artistas , após ter tentado se aprumar para a nova torrente (piada gratuita, eu sei) de potencialidades do mercado digital, tornando-se um Leviatã corporativo. A nau está fazendo água e quem não embarcou, se safou. Enquanto isso, uma minúscula companhia fatura com algo que a gigantesca EMI já havia abanonado há eras.

DEVAGAR COM O ARDOR QUE O SANTO É DE PLÁSTICO.
O diagnóstico da matéria aponta para um presente bem mais próspero do que o propalado pelos apologetas e um futuro mais ensolarado do que o anunciado pelos profetas da digitalização. Os números são reconfortantes para as vendas de singles e reedições de clássicos do pop, cujo público-alvo encerra uma fauna composta por cinquentões nostálgicos e a molecada indie que aprecia o pedaço de vinil como um artefato vintage que vem atrelado à música (que eles podem baixar ao comprar o 7" ou o 12", se tornando um "brinde" no caso, já que pouquíssimos sequer possuem vitrolas). Mas é bom não se exaltar tanto, porque os negócios vão bem, apenas isso. É prudente não se empolgar demais porque sempre poderia ser melhor. A matéria também oferece um breve histórico dos formatos de reprodução musical, apoiado em uma análise bem competente das causas do eventual sucesso e fracasso de algumas mídias no decorrer dos últimos trinta anos, dando como resultado o óbvio ocaso do CD.

Em suma, não é como se a ilusória - e um tanto bisonha - guerra do analógico contra o digital estivesse definida a partir de agora com uma fantasiosa reviravolta. O texto apenas procura apontar um exemplo dentre muitos dos fatores através dos quais o vinil preseva sua dignidade no mercado musical. Se um contraponto for necessário para os defensores do analógico, a Polaroid já anunciou o fechamento de várias de suas fábricas, em um claro exemplo de um recurso que se tornou obsoleto e não resistiu à invasão promovida pelas novas formas digitais de reprodução de estímulos sensoriais.

Por outro lado, se você pensa que é o começo de uma nova era virtual de putaria binária onde o sonho anarco-comunista vai finalmente se materializar, vá com calma. É só dar uma olhada nas restrições que o governo britânico e o francês já divulgaram para tentar fazer o empresário do Bono parar de choramingar. It's a brave new world, but as of yet, the revolution won't be digitalized.


Raul Cornejo
Raul Cornejo
sheer persuasion
comentários
Thiago Lopesss
Thiago Lopesss(13.02.08)
0AprovadoQueima
Eu só compro música se for em formatos físicos, e acredito q muita gente deva pensar da mesma forma. A demanda continua existindo, compraria mais música em formatos físicos se o mercado aqui oferecesse mais lançamentos diferenciados. é um pouco de miopia das majors também não bolarem estrategias diferenciadas aos seus contratados, não basta só lançar o cd e promover, tem q ser um pacote interessante e bem feito (ficava fulo com encarte q não vinha com letra!!!!!),
pra q faça com que pessoas como eu levantem a bunda da cadeira e comprem um formato físico ao invés de baixar por aí.