19.02.08 06:00
Heavier Bigger Lower Louder

Prosseguindo com nosso breve informativo sobre o maquinário pesado e o povo lesado responsáveis pelo delírio sônico ao qual já estamos (ou deveríamos estar) habituados, passaremos ao que ocorre atualmente de mais interessante no reino dos sound systems. E, neste caso, fica difícil não fazer menção a um dos empreedimentos mais tresloucados neste âmbito. Um que só poderia ter surgido no meio daquela nação de audiófilos e hedonistas tão fanática por baixas frequências: o Drum & Bass.
O Valve Sound System é uma monstruosidade geradora dessas ondas. Fruto da dedicação e apreço por minúcias técnicas da famosa dupla Dillinja e Lemon D, o que inclui também seu próprio estúdio de corte de dubplates, já que tocá-los neste formato é condição sine qua non para os DJs do gênero que quiserem ter o privilégio de incluir em seus sets algum sucesso da dupla.
A militância anti-digital vai até o extremo de terem feito afirmações na imprensa de que jamais o catálogo de seus selos Valve, Test e Cybotron seria digitalizado. Quem quisesse algum item esgotado teria de esperar os represses. Com esta weltanschauung um tanto extremista e muita grana em caixa - afinal praticamente tudo que foi lançado especialmente por Dillinja nos últimos 10 anos se tornou um estrondoso (literalmente!) sucesso - eles investiram tudo na aquisição de potentes subwoofers para montar a mais potente radiola do mundo.
LEVANTAMENTO DE PISO
Dillinja então decidiu fazer jus a seu nome, um tributo ao lendário DJ jamaicano Dillinger, e se empenhou, junto a Lemon D, em desenhar o Valve Sound System para não apenas realizar eventos que promovessem seu selo, mas para estabelecer um novo benchmark na ignorância acústica. As epecificações técnicas são assustadoras per se, contando com 6 jogos de falantes, cada um com as dimensões de oito pés de largura por nove de altura, sendo normalmente carregados em três caminhões de 7,5 toneladas.
Mas os efeitos são ainda mais aterradores. Eu pessoalmente conheço pessoas que passaram mal durante a estréia no club Fabric em 2001, gente que não aguentou as ondas abissais ressoando na caixa torácica e chegou a vomitar. O negócio todo é tão alto (na verdade, baixo, dadas as frequências priorizadas) que todos os frequentadores ganharm protetores auriculares. No entanto, da mesma maneira, isso não é suficiente para proteger o corpo da pancadaria toda.
Até o Guinness Book Of Records se interessou pela brincadeira ao tentar incluí-lo na sua listagem dos maiores e melhores do mundo na óbvia categoria "loudest sound system". Algo que, de acordo com rumores, não impressionou tanto assim aos criadores do monstro. Lemon D bancou o blasé e disse "it's not about being the loudest, but the best".
Portanto, como já se tornou habitual neste singelo espaço, logo abaixo temos mais um breve documentário com os mentores dessa insanidade. Explicando quais são as raízes de sua fascinação pelas basslines potentes, citando o som de Sheffield especialmente - o Bleep Techno das warehouse raves e da Warp no começo, LFO e Unique 3 - como influência e mostrando uma forma contemporânea através da qual aquela rica tradição jamaicana vai se mantendo viva. Sempre em grande parte derivada dos esforços de muitos apaixonados pela música e intensamente devotados ao entretenimento de seus pares. Claro que, às vezes, com um certo tom de exagero. Mas não é justamente este tipo de coisa que a paixão nos leva fazer?
Raul Cornejo
sheer persuasion
sheer persuasion

Assim, acabou por se tornou costumeiro entre os audiófilos o argumento de q amps valvulados soam "melhor". Confira o texto sucinto e muito bem explicado contido neste link para esclarecer mais suas dúvidas:
http://sound.westhost.com/hfr_be.htm