03.03.08 01:02

EACH ONE AN EXPLORER
A dupla formada por Michael Golding e Steve Rutter já foi inserida naquele tão esnobe panteão do Techno que se convencionou delimitar pelo adjetivo "intelligent". Claro que a companhia era célebre e agradável: Kirk DeGiorgio, Black Dog, Stasis, artistas de vanguarda de selos como Warp, Likemind, Irdial, Rephlex, Apollo, Eevo-Lute, ART e um punhado de outros, mas não muitos. Afinal, o lance - ou conceito, como diriam alguns na época - era elitista e sobremaneira esotérico, somente acessível para os sortudos ou bem-informados o suficiente para sintonizar o lendário programa de Colin Dale na Kiss FM. Assim como seu descendente estilístico direto, a tal da IDM (Intelligent Dance Music, e aqui notamos que a pretensão ficou impressa no genoma), a proposta era se distanciar do que era mais comum e mundano nas pistas de dança. Grosso modo, o conceito era uma clara distinção do som "fácil" das raves e da euforia exagerada que nestas festas encontrava seu nicho privilegiado.
Trabalhando sob variados disfarces (Musicology, Redcell, Cmetric, 2001), mas sempre mantendo a solidez de uma seleção apurada de sons e um tino incomparável para complexidades rítmicas que ainda detinham um potente e irresistível groove, a dupla se consolidou no começo dos 90 no cenário do Techno através de uma miríade de releases em que melodias refinadas e harmonias intrincadas desempenhavam papel central. Aliás, esta é a especialidade do B12 e acabou por se cristalizar como sua característica mais marcante no decorrer de uma longa carreira, ainda que com um grande hiato nos últimos dez anos.
Entre os escassos números lançados pelo duo, destacam-se os dois álbuns seminais pela Warp, "Electro-Soma" de 1993, que na realidade é uma compilação de faixas essenciais lançadas até aquele momento sob seus diversos pseudônimos, agrupados como B12, e "Time Tourist" de 1996, um álbum no sentido estrito do termo e cujo fio condutor é uma jornada mais abstrata, formada por texturas primorosas, jogadas harmônicas elaboradas e levadas sofisticadas. Em ambos transparece a temática conceitual que permeia a obra deles como um todo: um enredo de ficção científica bem particular, no interior do qual uma inteligência exterior e superior à humana se comunica musicalmente conosco. Cada som codifica uma idéia, cada faixa, uma mensagem, de alienígenas situados nos recônditos da galáxia ou uma raça sobre-humana que habita as profundezas do planeta. Seja qual for a hipótese preferida, a linguagem por eles utilizada só pode ser traduzida musicalmente e compreendida sensorialmente, em um universo em que tempo e espaço são totalmente relativos.

Felizmente, o longo período ocioso apenas confirmou duplamente a atemporalidade de sua música: por um lado, seus clássicos discos alcançaram preços exorbitantes e tornaram-se cada vez mais raros - os lançamentos pela Likemind ou o seu próprio B12, por exemplo, chegam a valores um tanto exagerados - e catalisou a reação do público ao seu inesperado retorno no biênio de 2004-2005.
Aqui temos dois registros das mais recentes aparições ao vivo destes excêntricos e militantes mensageiros interestelares. Uma em 2005 no Norberg Festival e outra no final do ano passado em Londres. Para quem quiser se aprofundar no ideário da missão em que eles se engajaram desde 1991 e como lograram mantê-la sempre atualizada face às várias vogas que surgiram e feneceram ao longo de sua carreira, vale a pena visitar a sua base-avançada virtual. Boa viagem.
B12 RECORDS
B12 Live @ Norberg Festival - Julho de 2005
B12 Live @ I Love Acid - 26 de outubro de 2007
Raul Cornejo
sheer persuasion
sheer persuasion
Alain Patrick(04.03.08)
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Matéria incrível. O EP do B12 'Practopia' do ano passado é MUITO foda.
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