17.07.08 19:33
Se existe um tema que pode se chamar de polêmico rolando no Brasil atualmente é essa história de tolerância zero para o álcool. O povo em Brasília, especialmente os moralistas de plantão, estão em polvorosa com a possibilidade de sair por aí restringindo liberdades individuais através de canetadas para fazer valer o modo deles verem o mundo.O alvo dos parlamentares, agora, são as festas "open bar", inclusive já tramitando na Câmara o Projeto de Lei 3414/08, que proíbe a realização de festas nas quais o preço da entrada inclui o consumo de bebida alcoólica à vontade. A proposta, do deputado Marcelo Melo (PMDB-GO), proíbe ainda "a venda de bebidas alcoólicas por preços fora da realidade de mercado em eventos".
O objetivo do projeto, segundo Melo, é reduzir o consumo de álcool, principalmente entre jovens. Para o deputado, as festas open bar estimulam a ingestão de bebidas alcoólicas, porque o freqüentador que ter o preço do ingresso, que geralmente é de valor alto, compensado com o consumo de bebidas. "É como se fosse a oportunidade para se dar o troco, sair da relação perde-ganha para a relação ganha-perde", disse em entrevista ao site da Câmara.
De acordo com o parlamentar, outro objetivo do projeto "é poupar as famílias brasileiras de tragédias que a cada dia se tornam mais freqüentes, sejam por mortes causadas por overdose, por acidentes de trânsito ou pelo efeito do álcool no organismo ao longo do tempo."
Segundo o texto, os responsáveis pela organização de eventos que não respeitarem a medida poderão ser penalizados com detenção de seis meses a dois anos e multa.
Sobre o assunto restrição do álcool, tenho cá minhas convicções. Entendo o papel do governo federal em querer intensificar a fiscalização sobre os motoristas. Acho difícil não concordar com medidas que pretendem diminuir a incidência da tradição brasileira de beber em excesso e dirigir - coisa que lota prontos socorros nos fins de semana.
Mas talvez seja questionável a criação de uma nova lei mais restritiva para isso, com tolerância zero. Apenas intensificar a fiscalização anterior - que já era bem dura - talvez fosse suficiente.
Por outro lado, acho uma bobagem chamar a regulamentação de "lei seca". Afinal, ela não impede que ninguém beba. Só quer impedir que se dirija após encher a cara.
E é exatamente nesse ponto que acaba o dever do Estado em regulamentar o setor e a possibilidade de discussão. Iniciativas como a do deputado Marcelo Melo visam coibir o direito de escolha dos freqüentadores em participar de qualquer festa, de dispor de seu corpo e dos organizadores em realizá-las. Por certo, ninguém é obrigado a beber e, muito menos, a pagar para ir numa festa open bar. Bebe quem quer, vai às festas quem quer.
Além do mais, a proposta apresenta uma contradição absurda. Se o parlamentar quer diminuir a ingestão do álcool, não pode proibir a venda de bebidas alcoólicas por preços fora da realidade de mercado e ainda por cima diminuir o preço dos ingressos. O que essa lei faria seria baratear a entrada E o goró. No meu mundo, o povo iria beber ainda mais. Mas anda difícil querer coerência das propostas que andam saindo e sendo aprovadas no Planalto Central.
Íntegra do Projeto
Via Trabalho Sujo


Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo
Um país onde as leis são descartáveis
Por ausência de códigos corretos
Com quarenta milhões de analfabetos
E maior multidão de miseráveis
Um país onde os homens confiáveis
Não têm voz, não têm vez, nem diretriz
Mas corruptos têm voz e vez e bis
E o respaldo de estímulo incomum
Pode ser o país de qualquer um
Mas não é com certeza o meu país
"Vida de gado, povo marcado, ê, povo feliz" Como no trecho da música de Zé Ramalho.
eu quero o meu Open Bar!