[Bate-Estaca] Casa lendária do techno vai reabrir
05.03.08 22:503 comentários
E os anos 90 começam a bater com mais força às nossas portas. Acabei de ver no site da revista Mixmag que o selo R & S vai voltar à ativa.
Com seu logo "emprestado" da Ferrari e sediado na Bélgica, o R & S foi o primeiro grande selo de techno europeu. Pegou o momento em que a Europa dava uma resposta mais brutal (influenciada por new beat, breakbeat e EBM) às novas pulsações de Detroit, entre 89 e 91, até a fragmentação em sub-vertentes que aconteceu nos anos seguintes.
No seu elenco, constavam luminares como Joey Beltram, Aphex Twin, Jam & Spoon, Model 500, Ken Ishii e CJ Bolland. Todos nomes que levaram o techno para novas direções, algumas mais industriais (Beltram), outras mais hipnóticas (Jam & Spoon, ajudando a fundar o trance) e outras mais melódicas (Dave Angel).
CJ Bolland - Camargue
Alguns uber-clássicos do techno saíram pelo selo, como "Plastic Dreams", do Jaydee, "The Vamp", de Outlander, e "Dominator", de Human Resource. A insana "Didjeridoo", faixa que primeiro botou Aphex Twin no mapa, saiu pela R & S em 92.
Human Resource - Dominator
Aphex Twin - Didgeridoo
"R & S Mission 2", como aparece no site do selo, pretende relançar boa parte dos seus clássicos mas não quer viver só de passado. Artistas novos também farão parte da jogada e o site tem até uma seção chamada "Demos". Ainda não funciona o link mas acredito que darão um jeito nisso logo.
O texto de abertura do site vem cheio de promessa: "Desta vez não vamos apenas virar paradigmas para a cena eletrônica mas também para as comunidades eletrônicas online."
Bem-vindos de volta!
Com seu logo "emprestado" da Ferrari e sediado na Bélgica, o R & S foi o primeiro grande selo de techno europeu. Pegou o momento em que a Europa dava uma resposta mais brutal (influenciada por new beat, breakbeat e EBM) às novas pulsações de Detroit, entre 89 e 91, até a fragmentação em sub-vertentes que aconteceu nos anos seguintes.
No seu elenco, constavam luminares como Joey Beltram, Aphex Twin, Jam & Spoon, Model 500, Ken Ishii e CJ Bolland. Todos nomes que levaram o techno para novas direções, algumas mais industriais (Beltram), outras mais hipnóticas (Jam & Spoon, ajudando a fundar o trance) e outras mais melódicas (Dave Angel).
CJ Bolland - Camargue
Alguns uber-clássicos do techno saíram pelo selo, como "Plastic Dreams", do Jaydee, "The Vamp", de Outlander, e "Dominator", de Human Resource. A insana "Didjeridoo", faixa que primeiro botou Aphex Twin no mapa, saiu pela R & S em 92.
Human Resource - Dominator
Aphex Twin - Didgeridoo
"R & S Mission 2", como aparece no site do selo, pretende relançar boa parte dos seus clássicos mas não quer viver só de passado. Artistas novos também farão parte da jogada e o site tem até uma seção chamada "Demos". Ainda não funciona o link mas acredito que darão um jeito nisso logo.
O texto de abertura do site vem cheio de promessa: "Desta vez não vamos apenas virar paradigmas para a cena eletrônica mas também para as comunidades eletrônicas online."
Bem-vindos de volta!
Tags: R & S, techno, aphex twin, model 500
[Bate-Estaca] O melhor do revival dos anos 90...
Que há um revival dos anos 90 em andamento todo mundo já sabe.
Tem a new rave e toda aquela fanfarra fluorescente. Tem os fãs de Daft Punk, como Justice e Digitalism, atuais bibelôs da mídia. Tem a febre do picote, do retalhamento frenético de produtores como Duke Dumont, Yuksek e Sinden, cuja semente é a edição ríspida e imprevisível de Aphex Twin lá atrás em "Windowlicker" (de 99).
Tem também a faixa "This is the Way", do Curves, pelo selo Institubes, que eu jurava ter sido gravada em 1993. Seu estilo não está tão longe do gênero populista conhecido como bassline house, que é nada mais que um update do speed garage dos anos 90 (o speed garage foi o predecessor do UK garage e do 2-step).
Tem o álbum do Burial, Untrue , que parece ser um Blue Lines, do Massive Attack, para esta década. E, claro, tem a própria estética dubstep, que ao aliar dub e derivados viajantes de música eletrônica, traz uma proposta similar (menos a tensão urbanóide) a que grupos como The Orb, Banco de Gaia e Rockers Hi-Fi apresentaram no começo da década passada.
E ainda tem o tal do "neo-trance", onde gente como Oliver Koletzki e Guy Gerber resgata arranjos e timbres dos primórdios do trance, de selos como Eye Q e MFS.
E tem a minha parte favorita: os pianos! "Remember Love", do Nôze, "My Piano", do Hot Chip, "Hearts on Fire", do Cut Copy, o remix do Herve para "Lick It", do Larry Tee, são algumas das faixas do ano passado que revitalizaram esse instrumento tão caro para a dance music. O piano teve seu apogeu no começo dos anos 90, sendo usado e abusado por todo o espectro da música eletrônica de então, do garage ao hardcore, do trance ao progressivo.
Então, muitos pianos em 2008 por favor. São mais que bem-vindos. Como inspiração aí vão cinco trechos de pianos clássicos do passado. Você sabe de que músicas são?
O PRIMEIRO que acertar ganha dois pares de VIPs para a próxima Discology vs Quebrada no Vegas. Respostas nos comments.
Cinco pianos clássicos do passado
10.01.08 22:5510 comentários
Dica!

Tem a new rave e toda aquela fanfarra fluorescente. Tem os fãs de Daft Punk, como Justice e Digitalism, atuais bibelôs da mídia. Tem a febre do picote, do retalhamento frenético de produtores como Duke Dumont, Yuksek e Sinden, cuja semente é a edição ríspida e imprevisível de Aphex Twin lá atrás em "Windowlicker" (de 99).
Tem também a faixa "This is the Way", do Curves, pelo selo Institubes, que eu jurava ter sido gravada em 1993. Seu estilo não está tão longe do gênero populista conhecido como bassline house, que é nada mais que um update do speed garage dos anos 90 (o speed garage foi o predecessor do UK garage e do 2-step).
Tem o álbum do Burial, Untrue , que parece ser um Blue Lines, do Massive Attack, para esta década. E, claro, tem a própria estética dubstep, que ao aliar dub e derivados viajantes de música eletrônica, traz uma proposta similar (menos a tensão urbanóide) a que grupos como The Orb, Banco de Gaia e Rockers Hi-Fi apresentaram no começo da década passada.
E ainda tem o tal do "neo-trance", onde gente como Oliver Koletzki e Guy Gerber resgata arranjos e timbres dos primórdios do trance, de selos como Eye Q e MFS.
E tem a minha parte favorita: os pianos! "Remember Love", do Nôze, "My Piano", do Hot Chip, "Hearts on Fire", do Cut Copy, o remix do Herve para "Lick It", do Larry Tee, são algumas das faixas do ano passado que revitalizaram esse instrumento tão caro para a dance music. O piano teve seu apogeu no começo dos anos 90, sendo usado e abusado por todo o espectro da música eletrônica de então, do garage ao hardcore, do trance ao progressivo.
Então, muitos pianos em 2008 por favor. São mais que bem-vindos. Como inspiração aí vão cinco trechos de pianos clássicos do passado. Você sabe de que músicas são?
O PRIMEIRO que acertar ganha dois pares de VIPs para a próxima Discology vs Quebrada no Vegas. Respostas nos comments.
Cinco pianos clássicos do passado
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Tags: piano, anos 90, burial, cut copy, hot chip, curves, aphex twin, daft punk
[Bate-Estaca] Stockhausen gongou Richie e Aphex
Em 1995, a rádio BBC 3 mandou gravações de música eletrônica da época para o músico alemão Karlheinz Stockhausen, que faleceu sexta passada (7/12).
Stockhausen transitou por música concreta, síntese musical e sons eletrônicos ainda nos anos 50 e por isso é considerado por muitos um "avô" da música eletrônica.
Avô? Pioneiro sim, mas avô não. Stockhausen era um compositor erudito, anti-música popular. Acho que ficaria horrorizado se descobrisse que tinha algum parentesco com a cultura disco- dance- club- rave- eletrônica das últimas décadas. Não assumiria a criança e nem pagaria pensão.
A prova está nesse programa da BBC, que depois foi reproduzido na revista The Wire. Stockhausen ouviu as contribuições de Aphex Twin, Plastikman (Richie Hawtin), Scanner e Daniel Pemberton. Nada lhe agradou:
"Gostaria que esses músicos não ficassem se repetindo e fossem mais rápidos no desenvolvimento de suas idéias porque eu não aprecio essa linguagem sempre repetitiva. Parece alguém gaguejando o tempo todo, que não consegue fazer as palavras sair da boca."
Sobre "Ventolim" e "Alberto Balsam", do Aphex Twin, ele disse o seguinte:
"Ouvi a peça dele com atenção: acho que seria útil se ele ouvisse a minha Song of the Youth, que é música eletrônica, com uma voz de um menino cantando sozinho. Assim ele pararia imediatamente com essas repetições pós-africanas e procuraria andamentos e ritmos que mudam."
E sao tratar de Sheet One, do Plastikman (Richie Hawtin), deu até um toque de amigo... que Richie parece não ter levado a sério:
"São notas perfeitas, sempre as mesmas, depois centenas de repetições de uma pequena seção de ritmo africano: duh-duh-dum etc. Acho que seria bom para ele ouvir Cycle, que é uma peça minha para um percussionista e acho que ele pode pegar gfosto por ritmos não-métricos e não-periódicos muito interessantes."
"Eu sei que ele quer causar um impacto em bares dançantes, ou seja lá o que for, no tipo de público que quer viajar com essas repetições. Mas ele deveria tomar muito cuidado porque esse público vai descartá-lo imediatamente e ir atrás de outra coisa. Então ele deveria ter cuidado e parar de acreditar o quanto antes nesse tipo de público."
Veja a matéria na íntegra aqui.
12.12.07 01:351 comentário
Em 1995, a rádio BBC 3 mandou gravações de música eletrônica da época para o músico alemão Karlheinz Stockhausen, que faleceu sexta passada (7/12). Stockhausen transitou por música concreta, síntese musical e sons eletrônicos ainda nos anos 50 e por isso é considerado por muitos um "avô" da música eletrônica.
Avô? Pioneiro sim, mas avô não. Stockhausen era um compositor erudito, anti-música popular. Acho que ficaria horrorizado se descobrisse que tinha algum parentesco com a cultura disco- dance- club- rave- eletrônica das últimas décadas. Não assumiria a criança e nem pagaria pensão.
A prova está nesse programa da BBC, que depois foi reproduzido na revista The Wire. Stockhausen ouviu as contribuições de Aphex Twin, Plastikman (Richie Hawtin), Scanner e Daniel Pemberton. Nada lhe agradou:
"Gostaria que esses músicos não ficassem se repetindo e fossem mais rápidos no desenvolvimento de suas idéias porque eu não aprecio essa linguagem sempre repetitiva. Parece alguém gaguejando o tempo todo, que não consegue fazer as palavras sair da boca."
Sobre "Ventolim" e "Alberto Balsam", do Aphex Twin, ele disse o seguinte:
"Ouvi a peça dele com atenção: acho que seria útil se ele ouvisse a minha Song of the Youth, que é música eletrônica, com uma voz de um menino cantando sozinho. Assim ele pararia imediatamente com essas repetições pós-africanas e procuraria andamentos e ritmos que mudam."
E sao tratar de Sheet One, do Plastikman (Richie Hawtin), deu até um toque de amigo... que Richie parece não ter levado a sério:
"São notas perfeitas, sempre as mesmas, depois centenas de repetições de uma pequena seção de ritmo africano: duh-duh-dum etc. Acho que seria bom para ele ouvir Cycle, que é uma peça minha para um percussionista e acho que ele pode pegar gfosto por ritmos não-métricos e não-periódicos muito interessantes."
"Eu sei que ele quer causar um impacto em bares dançantes, ou seja lá o que for, no tipo de público que quer viajar com essas repetições. Mas ele deveria tomar muito cuidado porque esse público vai descartá-lo imediatamente e ir atrás de outra coisa. Então ele deveria ter cuidado e parar de acreditar o quanto antes nesse tipo de público."
Veja a matéria na íntegra aqui.
Tags: stockhausen, aphex twin, richie hawtin
[QG DO RRAURL] Origem do logo de Aphex Twin
28.11.07 13:001 comentário
Ao contrário do que se diz por aí, o famoso "A" retorcido que virou símbolo do produtor Aphex Twin não foi desenhado por Dan Parkes, mas pelo designer Paul "Terratag" Nicholson, em 1992.
"Quando conheci Richard, eu trabalhava numa marca de skate chamada Anarchic Adjustment, de São Francisco. Então eu estava criando muitas coisas baseadas na letra 'A', que havia voltado na época. Richard viu o trabalho em progresso e gostou dos caminhos amórficos que eu estava desenvolvendo para esse que se tornou o 'A' de Aphex. O logo foi terminado no começo de 1992, a tempo de aparecer na capa de Xylem Tube."
"Quando conheci Richard, eu trabalhava numa marca de skate chamada Anarchic Adjustment, de São Francisco. Então eu estava criando muitas coisas baseadas na letra 'A', que havia voltado na época. Richard viu o trabalho em progresso e gostou dos caminhos amórficos que eu estava desenvolvendo para esse que se tornou o 'A' de Aphex. O logo foi terminado no começo de 1992, a tempo de aparecer na capa de Xylem Tube."
Tags: aphex twin