[Bate-Estaca] Be-a-bá da disco
16.07.08 13:4526 comentários
Alguns motivos me levaram a pensar nesse post aqui.
a) Disco está "na moda", seus sons e idéias aparecendo em muita música boa feita em 2008;
b) Disco nunca é demais;
c) Disco é raiz, não importa se você gosta de techno, house, electro, maximal, pós-punk ou breaks, tem disco no DNA de praticamente toda música de pista de dança;
d) Tem gente mais nova que não sabe lhufas de disco, quer saber e não sabe por onde começar;
e) Aproxima-se o aniversário de 3 anos da Discology vs Quebrada lá no Vegas (2/11) e achei por bem começar a lembrar algumas das faixas que estiveram presentes na nossa pista.
Esta seleção é feita a partir de clipes do YouTube: tem euro-disco, ítalo-disco, disco-funk, disco de orquestra, disco de sintetizador, disco que fez sucesso, disco obscura etc.
Obviamente por ser material antigo, nem tudo tem um videoclipe ou registro ao vivo. Nesses casos, coloquei um clipe só com música.
Divirta-se!
Class Action - Weekend (1981)
Kebekelektrik - Magic Fly (1977)
KC & The Sunshine Band - Do You Wanna Go Party? (1979)
Andrea True Connection - More, More, More (1976)
Heatwave - Groove Line (1977)
Instant Funk - I Got My Mind Made Up (1978)
Giorgio Moroder - Utopia (1977)
La Bionda - Wanna Be Your Lover (1980)
Klein & MBO - Dirty Talk (1982)
Chic - Le Freak (1978)
Loleatta Holloway - Runaway (1977)
Candi Staton - Young Hearts Run Free (1976)
George Maccrae - Rock Your Baby (1974)
Bebu Silvetti - Spring Rain (1976)
Loose Joints - Is It All Over My Face? (1980)
Roy Ayers - Running Away (1977)
Crown Heights Affair - You Gave Me Love (1980)
Carrie Lucas - Dance With You (1979)
Cloud One - Disco Juice (1977)
Voyage - Souvenirs (1978)
a) Disco está "na moda", seus sons e idéias aparecendo em muita música boa feita em 2008;
b) Disco nunca é demais;
c) Disco é raiz, não importa se você gosta de techno, house, electro, maximal, pós-punk ou breaks, tem disco no DNA de praticamente toda música de pista de dança;
d) Tem gente mais nova que não sabe lhufas de disco, quer saber e não sabe por onde começar;
e) Aproxima-se o aniversário de 3 anos da Discology vs Quebrada lá no Vegas (2/11) e achei por bem começar a lembrar algumas das faixas que estiveram presentes na nossa pista.
Esta seleção é feita a partir de clipes do YouTube: tem euro-disco, ítalo-disco, disco-funk, disco de orquestra, disco de sintetizador, disco que fez sucesso, disco obscura etc.
Obviamente por ser material antigo, nem tudo tem um videoclipe ou registro ao vivo. Nesses casos, coloquei um clipe só com música.
Divirta-se!
Class Action - Weekend (1981)
Kebekelektrik - Magic Fly (1977)
KC & The Sunshine Band - Do You Wanna Go Party? (1979)
Andrea True Connection - More, More, More (1976)
Heatwave - Groove Line (1977)
Instant Funk - I Got My Mind Made Up (1978)
Giorgio Moroder - Utopia (1977)
La Bionda - Wanna Be Your Lover (1980)
Klein & MBO - Dirty Talk (1982)
Chic - Le Freak (1978)
Loleatta Holloway - Runaway (1977)
Candi Staton - Young Hearts Run Free (1976)
George Maccrae - Rock Your Baby (1974)
Bebu Silvetti - Spring Rain (1976)
Loose Joints - Is It All Over My Face? (1980)
Roy Ayers - Running Away (1977)
Crown Heights Affair - You Gave Me Love (1980)
Carrie Lucas - Dance With You (1979)
Cloud One - Disco Juice (1977)
Voyage - Souvenirs (1978)
Tags: disco music
[Bate-Estaca] Pioneiro da disco music vai se aposentar
O nome dele se confunde com a história da pista de dança e do DJ. Mas até os mais guerreiros precisam descansar uma hora. Assim, Nicky Siano anunciou que se aposentará das pick-ups quando fizer 55 anos (daqui a 18 meses).
Em 1973, capítulos pioneiros da história da dance music estavam sendo escritos em Nova York e Nicky Siano era um dos protagonistas. Foi nesse ano que, inspirado pelo Loft, de David Mancuso (o embrião do clube moderno), Siano abriu o Gallery. Ele tinha 18 anos.
GIGANTE
No livro Turn the Beat Around (gosta de disco e sabe inglês? Tem que ler!), o autor Peter Shapiro dá uma idéia do gigantismo da figura. Ele conta que NIcky tocava com três pick-ups e ainda operava as luzes do Gallery com pedais. Siano teria sido também o primeiro DJ a usar pick-ups com pitch variável e, com isso, trabalhar à perfeição transições entre um disco e outro. Depois de ensaiada por Francis Grasso alguns anos antes, foi aqui que a mixagem moderna começou realmente a tomar forma.
Siano abusava da equalização, isolando asfrequências das músicas, o que em 1973 era absolutamente radical. O sistema de som do Gallery havia sido construído sob medida e incluía um grave poderoso. Juntando esse chassis com a predileção de Siano por vocalistas femininas extasiadas, Siano ajudou a definir a disco music como gênero musical.
CLARO-ESCURO
"O típico jogo entre o êxtase total ou o exorcismo emocionante da vocalista e um pano de fundo sombrio e sorrateiro que era a marca da melhor disco music foi demarcado pela primeira vez por Siano", observa Shapiro. Sim, claro-escuro, euforia-escuridão, esse conceito tão fundamental da pista e da música dançante underground foi primeiro desenvolvido pelo DJ nova-iorquino.
E ao repetir as mesmas partes de uma faixa, usando dois discos, por um longo tempo, criando um groove hipnótico, ele foi um dos DJs que ajudou a criar a demanda pelo single de 12" e pela versão "extended" especial para pista.
LOVE IS THE MESSAGE
Em 1978, o Gallery fechou. Durante sua existência, foi tido como um dos melhores clubes da cidade, elogiado em revistas como Billboard e New York e frequentado por gays, antenados, boêmios e famosos como Grace Jones e Barbra Streisand.
Siano foi então chamado para ser um dos residentes do Studio 54. Mesmo com a derrocada da disco, Siano nunca parou de tocar e sua agenda nos últimos anos tem sido global. Alguns anos atrás, a Soul Jazz lançou a coletânea Nicky Siano's Legendary The Gallery, com alguns de seus hits dos tempos dourados, como "I Got It", de Gloria Spencer, "Yes We Can Can", das Pointer Sisters, e "Law of the Land", dos Temptations. Só faltou "Love Is the Message", do MFSB, um dos maiores sucessos da disco e que teve em Nicky seu primeiro divulgador.
DINOSSAURO
Nicky nunca se aventurou muito na produção mas bastou uma dessas raras vezes para que produzisse um arranha-céu. Creditada a Dinosaur, "Kiss Me Again" resultou de uma parceria com o excêntrico Arthur Russell. É uma disco anti-convencional, mas matadora na pista, e ainda tem David Byrne (Talking Heads) mandando ver numa guitarra sujamente funky.
Em comunicado à imprensa, Nicky frisa que "estou me aposentando da discotecagem, não da vida ou de trabalhar com entretenimento", mas não especificou o que pretende fazer. Um dos projetos paralelos no qual ele está envolvido agora é um filme sobre a história do Gallery. No site dele, tem alguns trechos com fotos memoráveis.
27.05.08 12:55Deixe seu comentário
Siano no Japão em gig recente

Em 1973, capítulos pioneiros da história da dance music estavam sendo escritos em Nova York e Nicky Siano era um dos protagonistas. Foi nesse ano que, inspirado pelo Loft, de David Mancuso (o embrião do clube moderno), Siano abriu o Gallery. Ele tinha 18 anos.
GIGANTE
No livro Turn the Beat Around (gosta de disco e sabe inglês? Tem que ler!), o autor Peter Shapiro dá uma idéia do gigantismo da figura. Ele conta que NIcky tocava com três pick-ups e ainda operava as luzes do Gallery com pedais. Siano teria sido também o primeiro DJ a usar pick-ups com pitch variável e, com isso, trabalhar à perfeição transições entre um disco e outro. Depois de ensaiada por Francis Grasso alguns anos antes, foi aqui que a mixagem moderna começou realmente a tomar forma.
Siano abusava da equalização, isolando asfrequências das músicas, o que em 1973 era absolutamente radical. O sistema de som do Gallery havia sido construído sob medida e incluía um grave poderoso. Juntando esse chassis com a predileção de Siano por vocalistas femininas extasiadas, Siano ajudou a definir a disco music como gênero musical.
CLARO-ESCURO
Siano no Gallery

"O típico jogo entre o êxtase total ou o exorcismo emocionante da vocalista e um pano de fundo sombrio e sorrateiro que era a marca da melhor disco music foi demarcado pela primeira vez por Siano", observa Shapiro. Sim, claro-escuro, euforia-escuridão, esse conceito tão fundamental da pista e da música dançante underground foi primeiro desenvolvido pelo DJ nova-iorquino.
E ao repetir as mesmas partes de uma faixa, usando dois discos, por um longo tempo, criando um groove hipnótico, ele foi um dos DJs que ajudou a criar a demanda pelo single de 12" e pela versão "extended" especial para pista.
LOVE IS THE MESSAGE
Em 1978, o Gallery fechou. Durante sua existência, foi tido como um dos melhores clubes da cidade, elogiado em revistas como Billboard e New York e frequentado por gays, antenados, boêmios e famosos como Grace Jones e Barbra Streisand.
Pista do Gallery

DINOSSAURO
Nicky nunca se aventurou muito na produção mas bastou uma dessas raras vezes para que produzisse um arranha-céu. Creditada a Dinosaur, "Kiss Me Again" resultou de uma parceria com o excêntrico Arthur Russell. É uma disco anti-convencional, mas matadora na pista, e ainda tem David Byrne (Talking Heads) mandando ver numa guitarra sujamente funky.
Em comunicado à imprensa, Nicky frisa que "estou me aposentando da discotecagem, não da vida ou de trabalhar com entretenimento", mas não especificou o que pretende fazer. Um dos projetos paralelos no qual ele está envolvido agora é um filme sobre a história do Gallery. No site dele, tem alguns trechos com fotos memoráveis.
Tags: nicky siano, gallery, loft, disco music
[Todo DJ Já Sambou] Disco music para os olhos
24.04.08 19:361 comentário
Já faz um tempo que fico de ouvidos abertos para as produções do produtor Iñaqui Marin, de Barcelona. Versátil, ele vai do minimal tecno cerebral ao electro cheio de conotações sexuais como quem troca de camiseta.
Agora é a vez desta música, "Pictures", que tem vocais da espanhola Yellow, não sair da minha cabeça nem do meu campo de visão. Além da faixa em si ser linda, emocional, dançante, moderna, o vídeo é simplesmente tudo. Pequeno parênteses: "Pictures" foi lançada no final do ano passado, pelo selo espanhol Regular, de onde costumam sair coisas legais, como o Jaumëtic, também de Barcelona.
Com edição creditada a Pato de Borracha (lembro deste nome, acho que é um videomaker de Portugal... alguém sabe?), o clipe de sete minutos e pouco utiliza (acho) imagens de arquivo de boys sarados, andando de patins. Na segunda parte do vídeo, um povo com cara de quem acabou de sair de um episódio das "Panteras" aparece numa pista de dança, numa espécie de duelo. As roupas (atente pras calças brancas!), as danças, os olhares. É tudo bom demais!
Dá um break no trabalho e assiste!
Agora é a vez desta música, "Pictures", que tem vocais da espanhola Yellow, não sair da minha cabeça nem do meu campo de visão. Além da faixa em si ser linda, emocional, dançante, moderna, o vídeo é simplesmente tudo. Pequeno parênteses: "Pictures" foi lançada no final do ano passado, pelo selo espanhol Regular, de onde costumam sair coisas legais, como o Jaumëtic, também de Barcelona.
Com edição creditada a Pato de Borracha (lembro deste nome, acho que é um videomaker de Portugal... alguém sabe?), o clipe de sete minutos e pouco utiliza (acho) imagens de arquivo de boys sarados, andando de patins. Na segunda parte do vídeo, um povo com cara de quem acabou de sair de um episódio das "Panteras" aparece numa pista de dança, numa espécie de duelo. As roupas (atente pras calças brancas!), as danças, os olhares. É tudo bom demais!
Dá um break no trabalho e assiste!
Tags: disco music, iñaqui marin
Claudia Assef (clauassef @ uol.com.br)
Clau é autora do livro Todo DJ Já Sambou, trabalha como editora de internet, toca discos por aí e prefere tintos suaves, mas potentes.
Clau é autora do livro Todo DJ Já Sambou, trabalha como editora de internet, toca discos por aí e prefere tintos suaves, mas potentes.
[Bate-Estaca] A orquestra que vale um milhão
A obsessão pela disco music e pela revitalização de seu som tem levado algumas pessoas a extremos. O escocês Al Kent por exemplo não se contentou em apenas recriar em edits, synths e softwares o feeling da disco clássica, como muita gente faz hoje em dia.
Não, ele tratou logo de montar sua própria orquestra, nos moldes de clássicos nomes dos anos 70 como Crown Heights Affair e MFSB. Sua Million Dollar Orchestra conta com 20 membros, incluindo dois violinistas, dois saxofonistas e quatro backing vocals.
Eles acabam de lançar um ótimo álbum, com o saudosista título Better Days. Funkeado ao máximo, sofisticado até o último acorde, é o som perfeito para dar aquele toque vintage em sets onde pululam referências dos anos 70. Equivalente ao que eles fazem hoje só mesmo o Escort, super-banda disco de Nova York.
Clima mais boca-de-sino sob o brilho do globo de espelhos impossível.
The Million Dollar Orchestra - Feel The Music
The Million Dollar Orchestra - Funky Funky Beat
The Million Dollar Orchestra - Rock Freak Boogie
14.03.08 22:201 comentário
A obsessão pela disco music e pela revitalização de seu som tem levado algumas pessoas a extremos. O escocês Al Kent por exemplo não se contentou em apenas recriar em edits, synths e softwares o feeling da disco clássica, como muita gente faz hoje em dia.Não, ele tratou logo de montar sua própria orquestra, nos moldes de clássicos nomes dos anos 70 como Crown Heights Affair e MFSB. Sua Million Dollar Orchestra conta com 20 membros, incluindo dois violinistas, dois saxofonistas e quatro backing vocals.
Eles acabam de lançar um ótimo álbum, com o saudosista título Better Days. Funkeado ao máximo, sofisticado até o último acorde, é o som perfeito para dar aquele toque vintage em sets onde pululam referências dos anos 70. Equivalente ao que eles fazem hoje só mesmo o Escort, super-banda disco de Nova York.
Clima mais boca-de-sino sob o brilho do globo de espelhos impossível.
The Million Dollar Orchestra - Feel The Music
Flash Content
The Million Dollar Orchestra - Funky Funky Beat
Flash Content
The Million Dollar Orchestra - Rock Freak Boogie
Flash Content
Tags: million dollar orchestra, disco music
[Todo DJ Já Sambou] Leiloca Pantoja e o vapor da disco

Ai, que rico, negra!
Desde que a porção montada do DJ Edu Corelli se aposentou (ele se apresentava como Selma Self-Service no finado Sra. Krawitz), não se via uma performance tão divertida nas cabines de som quanto a de Leiloca Pantoja, nome de guerra do jornalista Edwin Paladino.
Pesquisadora de disco music há tempos, Leiloca toca montadíssima, e sua seleção é extremamente chique. Nada de clássicos batidos, ela investe na porção mais underground e latina da década de 70.
Só neste semana dá pra vê-la em ação em duas noites bacanas. Leiloca toca hoje na Lôca, na noite Tapa na Pantera (feliz aniversário Atum!!!), da qual é residente mensal. E sexta-feira se apresenta na Freak Chic, no D-Edge. Tá, meu bem?
Antes de ler a entrevistinha que fiz com ela, dá uma sacada no ótimo set que ela me passou:
Discotheque, Leiloca Pantoja
Você é DJ há quanto tempo? Sei que vc é jornalista também, onde você trabalha?
LEILOCA - Comecei a tocar no final de 2002, e misturava disco, 80's e clássicos da house nas festas! E me divertia! Como jornalista, edito o www.taste.com.br, que é um site de moda, design, gastronomia, produtos de luxo. É bem legal!
Desde quando este interesse pela disco music?
LEILOCA - Fuçando nas minhas lembranças musicais, quando tinha 4, 5 anos de idade meu pai chegou em casa com um LP da Jovem Pan, um vinil prateado, com France Joli ("Come To Me") e Poussez! ("Never Gonna Say Goodbye") mixados. Eu AMAVA o som, as batidas! Tenho este vinil até hoje! "Lança Perfume", da Rita Lee, também me soprou o vapor da disco! Voltei a ouvir disco no meio dos anos 90 e aí não parei mais...
Desde quando toca montada?
LEILOCA - Toco montada há um ano, de Leiloca Pantoja, e a história começou depois que eu me vesti de mulher - com um vestido drapeado, rosa, super80's - para ir à festa do estilista Walério Araújo, no Glória. De lá, fomos para Lôca, numa terça, e o Nenê Krawitz me convidou pra tocar montada no aniversário dele, na festa Tapa na Pantera! E aí foi uma delícia!!!
Sei que você já tocou na festa Strip Poker, no Vegas. Onde mais?
LEILOCA - Toco todo mês na Tapa na Pantera, na Lôca, às terças, e já me apresentei em noites como Bafón Báfu e Electro Glory, no Glória, Debut, na Torre. Na última sexta-feira de março agora, toco de novo na Strip Pocker, do Luca e da Liana, lá no Vegas!
E esta moda de disco music, o que tá achando?
LEILOCA - Estou amando o retorno da disco, o brilho e a musicalidade que ela proporciona!!! Na verdade, ela sempre esteve em samplers, arranjos e vocais da house! E como é bom entrar num clube e ouvir aqueles coros sensuais, a linha de baixo poderosa e as percussões, né?! Com a disco, a alegria está de volta às pistas! DISCO FOREVER!!
04.03.08 18:082 comentários

Ai, que rico, negra!
Desde que a porção montada do DJ Edu Corelli se aposentou (ele se apresentava como Selma Self-Service no finado Sra. Krawitz), não se via uma performance tão divertida nas cabines de som quanto a de Leiloca Pantoja, nome de guerra do jornalista Edwin Paladino.
Pesquisadora de disco music há tempos, Leiloca toca montadíssima, e sua seleção é extremamente chique. Nada de clássicos batidos, ela investe na porção mais underground e latina da década de 70.
Só neste semana dá pra vê-la em ação em duas noites bacanas. Leiloca toca hoje na Lôca, na noite Tapa na Pantera (feliz aniversário Atum!!!), da qual é residente mensal. E sexta-feira se apresenta na Freak Chic, no D-Edge. Tá, meu bem?
Antes de ler a entrevistinha que fiz com ela, dá uma sacada no ótimo set que ela me passou:
Flash Content
Discotheque, Leiloca Pantoja
Você é DJ há quanto tempo? Sei que vc é jornalista também, onde você trabalha?
LEILOCA - Comecei a tocar no final de 2002, e misturava disco, 80's e clássicos da house nas festas! E me divertia! Como jornalista, edito o www.taste.com.br, que é um site de moda, design, gastronomia, produtos de luxo. É bem legal!
Desde quando este interesse pela disco music?
LEILOCA - Fuçando nas minhas lembranças musicais, quando tinha 4, 5 anos de idade meu pai chegou em casa com um LP da Jovem Pan, um vinil prateado, com France Joli ("Come To Me") e Poussez! ("Never Gonna Say Goodbye") mixados. Eu AMAVA o som, as batidas! Tenho este vinil até hoje! "Lança Perfume", da Rita Lee, também me soprou o vapor da disco! Voltei a ouvir disco no meio dos anos 90 e aí não parei mais...
Desde quando toca montada?
LEILOCA - Toco montada há um ano, de Leiloca Pantoja, e a história começou depois que eu me vesti de mulher - com um vestido drapeado, rosa, super80's - para ir à festa do estilista Walério Araújo, no Glória. De lá, fomos para Lôca, numa terça, e o Nenê Krawitz me convidou pra tocar montada no aniversário dele, na festa Tapa na Pantera! E aí foi uma delícia!!!
Sei que você já tocou na festa Strip Poker, no Vegas. Onde mais?
LEILOCA - Toco todo mês na Tapa na Pantera, na Lôca, às terças, e já me apresentei em noites como Bafón Báfu e Electro Glory, no Glória, Debut, na Torre. Na última sexta-feira de março agora, toco de novo na Strip Pocker, do Luca e da Liana, lá no Vegas!
E esta moda de disco music, o que tá achando?
LEILOCA - Estou amando o retorno da disco, o brilho e a musicalidade que ela proporciona!!! Na verdade, ela sempre esteve em samplers, arranjos e vocais da house! E como é bom entrar num clube e ouvir aqueles coros sensuais, a linha de baixo poderosa e as percussões, né?! Com a disco, a alegria está de volta às pistas! DISCO FOREVER!!
Tags: leiloca pantoja, disco music
Claudia Assef (clauassef @ uol.com.br)
Clau é autora do livro Todo DJ Já Sambou, trabalha como editora de internet, toca discos por aí e prefere tintos suaves, mas potentes.
Clau é autora do livro Todo DJ Já Sambou, trabalha como editora de internet, toca discos por aí e prefere tintos suaves, mas potentes.
[Bate-Estaca] Morte de Mel Cheren expõe ignorância histórica
11.12.07 00:402 comentários
Sexta-feira passada (7/12) morreu uma figura fundamental na história da dance music: o americano Mel Cheren.
Ele foi importante por vários motivos: foi uma das primeiras pessoas na indústria musical estabelecida a apostar na disco music e a acreditar na importância do DJ e da pista de dança como lançadores de novidades musicais; foi dos primeiros a apostar no formato do single 12", para DJs; fundou e dirigiu até recentemente o selo West End, uma das marcas mais reverenciadas da música para dançar; teve papel fundamental no Paradise Garage, a histórica discoteca underground onde os sets do residente Larry Levan elevaram o trabalho e a arte do DJ a um novo patamar, influenciando gerações seguintes.
Ele também foi dos pioneiros na conscientização da indústria musical sobre o problema da a AIDS (a causa de sua morte). O recém-lancado documenário O Poderoso Chefão da Disco passa a limpo a vida e obra de Mel Cheren, entrevistando bastante o próprio e outros protagonistas dos últmos 30 anos como Tony Humphries, Little Louie Vega e Junior Vasquez.
O surreal é que a morte de um personagem tão crucial não mereceu, até agora, nem uma linha sequer de sites como Pitchfork, NME, Gigwise, 365mag e Resident Advisor. A omissão dos três primeiros não chega a surpreender já que, vindo do ponto de vista do indie rock, devem ser bastante desinformados quanto ao passado da dance music, ainda que seja forte influencia de bandas queridinhas suas como The Rapture, The Gossip e LCD Soundsystem (que até incluiu uma faixa dos Peech Boys, grupo de Larry Levan que lançava pela West End, na sua coletânea da Fabric).
Agora, Resident e 365, sites de música de pista, foram de uma decepção vergonhosa, mostrando que enxergam mesmo muito pouco além do DJ de minimal alemão/trance holandês (respectivamente) da semana.
Já o leitor (a) do rraurl.com tem sorte de ter à sua disposição um site que conhece bem o passado da música eletrônica e da dance music. O trágico fato aparecia na capa do site hoje cedo. Leia a nota aqui. Fora isso, só saiu praticamente em blogs e fóruns especializados de disco.
Bate-Estaca se despede e homeageia Mel Cheren com dois clássicos da West End:
Sparque - Let's Go Dancin'
Taana Gardner - Hearbeat
Ele foi importante por vários motivos: foi uma das primeiras pessoas na indústria musical estabelecida a apostar na disco music e a acreditar na importância do DJ e da pista de dança como lançadores de novidades musicais; foi dos primeiros a apostar no formato do single 12", para DJs; fundou e dirigiu até recentemente o selo West End, uma das marcas mais reverenciadas da música para dançar; teve papel fundamental no Paradise Garage, a histórica discoteca underground onde os sets do residente Larry Levan elevaram o trabalho e a arte do DJ a um novo patamar, influenciando gerações seguintes.
Ele também foi dos pioneiros na conscientização da indústria musical sobre o problema da a AIDS (a causa de sua morte). O recém-lancado documenário O Poderoso Chefão da Disco passa a limpo a vida e obra de Mel Cheren, entrevistando bastante o próprio e outros protagonistas dos últmos 30 anos como Tony Humphries, Little Louie Vega e Junior Vasquez.
O surreal é que a morte de um personagem tão crucial não mereceu, até agora, nem uma linha sequer de sites como Pitchfork, NME, Gigwise, 365mag e Resident Advisor. A omissão dos três primeiros não chega a surpreender já que, vindo do ponto de vista do indie rock, devem ser bastante desinformados quanto ao passado da dance music, ainda que seja forte influencia de bandas queridinhas suas como The Rapture, The Gossip e LCD Soundsystem (que até incluiu uma faixa dos Peech Boys, grupo de Larry Levan que lançava pela West End, na sua coletânea da Fabric).
Agora, Resident e 365, sites de música de pista, foram de uma decepção vergonhosa, mostrando que enxergam mesmo muito pouco além do DJ de minimal alemão/trance holandês (respectivamente) da semana.
Já o leitor (a) do rraurl.com tem sorte de ter à sua disposição um site que conhece bem o passado da música eletrônica e da dance music. O trágico fato aparecia na capa do site hoje cedo. Leia a nota aqui. Fora isso, só saiu praticamente em blogs e fóruns especializados de disco.
Bate-Estaca se despede e homeageia Mel Cheren com dois clássicos da West End:
Sparque - Let's Go Dancin'
Flash Content
Taana Gardner - Hearbeat
Flash Content
Tags: mel cheren, west end, disco music, paradise garage
[Bate-Estaca] Black Devil Fiasco Club
03.12.07 18:2514 comentários
Não existe nada mais triste do que ver um artista, no espaço de uma hora, passar da posição de mito à de mico. Pois não existe outra maneira de classificar a tenebrosa performance do Black Devil Disco Club, no D-Edge. Toda a aura de mistério, alimentada por anos com histórias de um estúdio secreto em Paris, de uma obra-prima de disco excêntrica esquecida, pela capa com aquela "demônia" sedutora, tudo isso caiu por terra quando um tiozinho com cara de Ivan Lins (copyright Muti Randolph) e outro mais novo com cara de que não queria estar ali (conhecidos como Bernard Fèvre e Gwen Jamois) fizeram um live PA fraco, repetitivo e com brochantes pausas entre TODAS as músicas.
Eu gosto muito de algumas faixas dos álbuns do BDDC, seus fragmentos analógicos, suas batidas oblíquas e seus vocais e melodias teleportados de algum Plano 9 do Espaço Sideral. Mas também nunca achei que estivesse diante de uma tumba do faraó Tutankhamon, um tesouro sem preço finalmente desenterrado. No frigir dos neurônios, continuo investindo meu dinheiro em nomes como Patrick Adams, Orlando Riva, Giorgio Moroder e Gino Soccio como arquitetos definitivos do orgasmo cósmico em forma de pulso e melodia. O Black Devil é uma curiosidade de boa qualidade musical, mas uma curiosidade. Influente? Impossível. Como um álbum que desde 1978 tinha sido ouvido por apenas 37 pessoas pode ser influente?
Mesmo assim, havia muito potencial para um bom show e eu fui empolgado. Que decepção!
Veja bem, existem alguns fatores fundamentais para um live PA dar certo. Quando o público conhece e gosta do artista ou das músicas dá certo. Quando é bem estruturado e flui bem dá certo. Quando surpreende aqueles que não o conhecem e os pega pelo estômago, não dando nem chance de ir ao banheiro, dá muito certo.
BDDC não foi nada disso. A música não era familiar e ainda por cima era antiga, sem o peso ou timbres a que estão acostumadas as pistas de hoje. O excesso de cantoria, com muito "eeee-yeee-a-aiiii" e "tchu-tchurrru", deixou boa parte da pista entre ficar perplexa ou torcer o nariz. Boa parte se dirigiu ao bar. Se houvesse um esforço de apresentar a sequência de forma mais dinâmica, ininterrupta pelo menos!, com versões diferentes e até atualizadas, o estranhamento teria sido atenuado. Mas as pausas entre cada música, às vezes de meio minuto, só fizeram piorar as coisas. Este não era um show de uma banda, mas uma apresentação eletrônica num clube, puxa vida!
Para deixar os dois num aperto ainda maior, Renato Ratier acabou atrasando sua entrada e eles tiveram que repetir músicas, o que expôs ainda mais a condição de live 100% pré-formatado. Ratier chegou e já foi mixando sua primeira faixa, evidenciando o fato de que ninguém sentiu necessidade de aplaudir.
Realmente uma pena. Mas, na arena de 2007, com tantas opções e referências, é preciso ser um pouco mais criativo e esforçado para conquistar a platéia.
Eu gosto muito de algumas faixas dos álbuns do BDDC, seus fragmentos analógicos, suas batidas oblíquas e seus vocais e melodias teleportados de algum Plano 9 do Espaço Sideral. Mas também nunca achei que estivesse diante de uma tumba do faraó Tutankhamon, um tesouro sem preço finalmente desenterrado. No frigir dos neurônios, continuo investindo meu dinheiro em nomes como Patrick Adams, Orlando Riva, Giorgio Moroder e Gino Soccio como arquitetos definitivos do orgasmo cósmico em forma de pulso e melodia. O Black Devil é uma curiosidade de boa qualidade musical, mas uma curiosidade. Influente? Impossível. Como um álbum que desde 1978 tinha sido ouvido por apenas 37 pessoas pode ser influente?Mesmo assim, havia muito potencial para um bom show e eu fui empolgado. Que decepção!
Veja bem, existem alguns fatores fundamentais para um live PA dar certo. Quando o público conhece e gosta do artista ou das músicas dá certo. Quando é bem estruturado e flui bem dá certo. Quando surpreende aqueles que não o conhecem e os pega pelo estômago, não dando nem chance de ir ao banheiro, dá muito certo.
BDDC não foi nada disso. A música não era familiar e ainda por cima era antiga, sem o peso ou timbres a que estão acostumadas as pistas de hoje. O excesso de cantoria, com muito "eeee-yeee-a-aiiii" e "tchu-tchurrru", deixou boa parte da pista entre ficar perplexa ou torcer o nariz. Boa parte se dirigiu ao bar. Se houvesse um esforço de apresentar a sequência de forma mais dinâmica, ininterrupta pelo menos!, com versões diferentes e até atualizadas, o estranhamento teria sido atenuado. Mas as pausas entre cada música, às vezes de meio minuto, só fizeram piorar as coisas. Este não era um show de uma banda, mas uma apresentação eletrônica num clube, puxa vida!
Para deixar os dois num aperto ainda maior, Renato Ratier acabou atrasando sua entrada e eles tiveram que repetir músicas, o que expôs ainda mais a condição de live 100% pré-formatado. Ratier chegou e já foi mixando sua primeira faixa, evidenciando o fato de que ninguém sentiu necessidade de aplaudir.
Realmente uma pena. Mas, na arena de 2007, com tantas opções e referências, é preciso ser um pouco mais criativo e esforçado para conquistar a platéia.
Tags: black devil disco club, disco music, d-edge, motomix
[Bate-Estaca] Viva a disco bizarra do Black Devil!
01.12.07 02:251 comentário
Quem acha que toda disco music é pop e acessível, precisa conhecer o outro lado da moeda. O Black Devil Disco Club, que toca hoje (30/11) no D-Edge, é um bom exemplo: está para Gloria Gaynor assim como Aphex Twin está para Shapeshifters.
Conheça duas outras coisas inusitadas daqueles tempos:
"Pazuzu", de Tony Sylvester & The New Ingredient, produção do genial Patrick Adams com conteúdo vocal proibido para menores:
"Wheel Me Out", dos excêntricos Was (Not Was)
Conheça duas outras coisas inusitadas daqueles tempos:
"Pazuzu", de Tony Sylvester & The New Ingredient, produção do genial Patrick Adams com conteúdo vocal proibido para menores:
Flash Content
"Wheel Me Out", dos excêntricos Was (Not Was)
Flash Content
Tags: black devil disco club, disco music