Simon Reynolds
Autor de "Energy Flash" vem ao Brasil lançar seu novo livro
02.08.05 04:45
"Rip It Up & Start Again" é o título do novo livro do jornalista inglês Simon Reynolds, retratando o período entre 1978 e 1984, no qual centenas de bandas surgiram sobre a alcunha de pós-punk. Expandindo a proposta original de bandas como Sex Pistols, esses grupos passaram a incorporar elementos de dub, funk e disco às suas origens. Mais uma denominação estética do que propriamente sonora, o pós-punk foi responsável por inovações radicais na música da época, e incluía bandas tão diversas quanto Gang Of Four, Devo, Joy Division e Talking Heads.
Reynolds, que começou sua carreira no lendário e já extinto semanário inglês Melody Maker, é considerado um dos mais influentes críticos musicais da atualidade, e já publicou textos em revistas importantes como Spin, Rolling Stone, Uncut e The Wire, além de jornais como The Guardian, New York Times e Village Voice. Seus livros anteriores incluem "Blissed Out", coletânea de textos do final dos anos 80; "The Sex Revolts", co-escrito com sua esposa Joy Press, sobre a relação entre sexualidade e música pop; e "Energy Flash" (conhecido como "Generation Ecstasy" nos EUA), um dos mais importantes livros escritos sobre música eletrônica e a cultura em torno dela.
Entusiasta das vertentes underground da cena inglesa, Reynolds começou a se envolver na cena no começo dos anos 90, época da explosão hardcore na Grã-Bretanha, e acompanhou o surgimento e expansão do jungle. O gênero mais destacado pelo jornalista ultimamente é o grime, mistura de vocais de hip hop com batidas eletrônicas que domina a cena undergound inglesa no momento e é tocada nas centenas de rádios piratas do país. Nessa entrevista Reynolds discute seu novo livro, fala da situação da música eletrônica nos dias de hoje, comenta o grime e gêneros brasileiros recém-descobertos no exterior, como o funk carioca e o nosso equivalente ao pós-punk.
» No final de "Energy Flash", você diz que a cultura em torno da música eletrônica na época (1998) ainda era extremamente vital, e "revoluções e reconfigurações" certamente estavam a caminho. Num artigo no "New York Times" no ano passado, você comentou sobre o declínio e fragmentação da cena eletrônica, que ela estava atravessando um período de crise. O que você acha que aconteceu durante esse período (de 98 em diante) que gerou essa crise? E como você vê a situação da cultura eletrônica no momento?
Bom, escrevi aquilo em 1997, talvez no começo de 98, e em parte eu só queria acabar o livro com uma nota otimista! Mas a cultura dance ainda era enorme, realmente no topo da sua popularidade no Reino Unido e as coisas pareciam promissoras na América, porque 97 tinha sido o ano do Prodigy e dos Chemical Brothers e do Underworld e outros. Mas entre 98 e 2005, quando escrevi a matéria no New York Times sobre a dance music em crise, foram seis anos muita coisa pode dar errado nesse tempo. E deu! Eu acho que você podia ver o início disso em 98. Musicalmente, o ímpeto implacável de ir para frente da cultura dance, em termos de avançar o conteúdo sônico, havia começado a estagnar parcialmente porque havia construído uma história enorme atrás de si e isso permitiu que ela começasse a se referir de volta à sua própria história. Então você tinha o revival do electro, que se tornou uma completa explosão de volta à coisa dos anos 80 com o Electroclash ou nu-wave ou como você quiser chamar. Em 98 o Big Beat era enorme, e aquilo era meio que composto das melhores coisas do par de décadas anterior hip hop e acid house e filter-house e muita atitude rock. Mesmo com alguns dos grandes artistas nos anos seguintes, como Basement Jaxx, você podia vê-los combinando e fundindo idéias ao invés de realmente inovar. Então penso que o primeiro aspecto da crise é um senso da música não ser tão futurista, o seu adiantamento diminuindo. Além disso, ela se tornou uma vítima dos ciclos da moda. Não era mais a coisa nova, então garotos descolados mais jovens se viraram em outras direções. Havia o revival do rock de garagem, a cena de 'free folk'. Além disso, a cultura dance mainstream, e a elevação ao mainstream de drogas como o ecstasy, fez a dance parecer um pouco cafona e pegajosa. Então os garotos descolados não queriam ser associados com ela. A cena dance começou a parecer segura, no sentido de não haver inquietação uma maneira bastante previsível de passar sua noite. E isso levou a um declínio no comparecimento das festas. Os clubes eram muito profissionais e bem organizados, mas faltando vibração. Quando você tem um monte de seguranças com microfones de walkie-talkie em volta dos queixos, não é realmente uma atmosfera underground!
A indústria de dance music também se tornou gorda e mimada, com DJs superestrelas ganhando demais para fazer tão pouco. Então a bolha tinha que estourar. Outro fator era a contínua fragmentação da cena em subgêneros e sub-subgêneros. Cenas menores fizeram a coisa toda parecer menos viável, no sentido das noites nos clubes diminuírem de tamanho, com sistemas de som mais pobres, e menos vendas por lançamentos. Agora mesmo a cena parece estar se levantando muitos eventos underground de pequena escala, festas que surgem no boca-a-boca, DJs que estão tocando por amor. Há alguns discos interessantes saindo, especialmente com a electro-house como algumas pessoas chamam, artistas como Tiefschwarz. Eu não acompanho tão proximamente como eu costumava, mas a impressão que eu tenho de amigos mais novos é que há muita coisa legal musicalmente e a atividade está borbulhando num nível muito underground. De qualquer modo não muito das coisas que eu ouço são antêmicas da mesma maneira que as faixas de rave clássicas do começo dos anos 90 que eu vi surgirem, então eu não sei se a música eletrônica vai se expandir em popularidade de massa novamente. Parece estar se retendo como uma cena para conhecedores, para iniciados.
» Você acha que alguns estilos que apareceram nos últimos anos que são derivados de uma maneira ou outra de house e techno, como por exemplo microhouse ou electroclash, tiveram sucesso em realizar algumas inovações ou são apenas tentativas tardias de inovar estilos que se tornaram velhos e gastos? Será que ainda podem ser revolucionárias?
Bom, isso se relaciona com o que eu estava dizendo sobre a dance comendo a si mesma, retrabalhando sua própria história. Com produtores de electro-house como Tiefschwarz, o som é bastante fresco, sem nunca na verdade parecer muito inovador. Eles vieram com uma recombinação excitante de elementos existentes. Eu acho um pouco triste que tantos produtores desenterraram o som do baixo ácido do Roland 303 recentemente, já que isso havia sido revivido diversas vezes durante meu tempo de vida dançando. As coisas de microhouse freqüentemente me lembram da música eletrônica alemã do começo-para-o-meio dos anos 90, coisas que a R&S ou Tresor [nota: importantes selos do período] teriam lançado na época. Algumas coisas são quase como trance do meio dos 90, como Jam & Spoon. O pessoal de microhouse, electro-house etc. faz bons discos, discos interessantes geralmente muito bem produzidos, cheios de toques engenhosos, intrincados mas eles não têm o mesmo "choque do novo/choque do agora" que você tinha quando a cultura rave era jovem. E correspondentemente acho que se torna mais difícil para jornalistas de dance pedir atenção em favor da música, eles não podem de maneira realista gritar para as pessoas de fora da cena: "Você deve checar isso!". Eles não podem argumentar "você está perdendo o futuro, a música de vanguarda, se você ignorar isso", que era uma retórica que pessoas (como eu mesmo) podiam usar de maneira convincente nos anos 90 com coisas como jungle. Parece que a dance music está agora numa fase de consolidação e recombinação. A mesma coisa aconteceu com o rock dos anos 80 em diante.
» Grime é um gênero sobre o qual você escreve bastante. Você acha que ele pode ser visto no mesmo contexto de outras formas estabelecidas de música eletrônica, como house ou techno, ou é algo completamente diferente?
Há muitos elementos que descendem de rave, hardcore [nota: hardcore techno, popular no começo dos anos 90, não confundir com punk hardcore], techno, house etc. no Grime. Musicalmente é definitivamente uma extensão da tradição rave especialmente a tradição hardcore/jungle de Londres. Ao mesmo tempo ele leva idéias rítmicas de dancehall, de gangsta rap americano, de electro, de todo lugar. Eu acho que grime é a música mais excitante no momento, puramente com base nos instrumentais feitos por pessoas como Terror Danjah. E quando você adiciona o fator do MC cantando em cima da música, ela se torna ainda mais convincente. Eu acho que as pessoas do grime estão tentando fazer uma inteiramente nova música/cena/cultura equivalente ao que o hip hop é na América, mas diferente. De qualquer maneira musicalmente ela é assombrada por todos esses sons anteriores que eram parte de rave hardcore, jungle, UK garage e 2-step.
» Há muita discussão recentemente sobre funk carioca (ou "Rio Funk ", como também é chamado no exterior) sendo tocado na Europa e influenciando artistas como M.I.A. Me parece que, musicalmente, lembra grime em muitas ocasiões. Você concorda com isso e pelo que você ouviu como você compararia os dois?
Sim, parece equivalente ao grime em muitas maneiras, em termos da audiência à qual se dirige, a maneira promíscua e irreverente com a qual combina todas essas influências diferentes, a agressão e a sexualidade (e sexismo, pelo que me disseram). O funk carioca está conectado a todos os tipos de música "de rua" da América, Jamaica, mas também há traços de rave européia e trance do tipo mais "cafona" (o que não é um insulto para mim), de electro e Miami bass, de pop mainstream. Eu gosto da maneira com a qual o funk carioca rouba todos os tipos de amostras da cultura pop, trilhas sonoras de filmes etc. é muito similar à tradição das rádios piratas de Londres, do hardcore ao grime. Você tinha artistas de hardcore como Acen em 1992 sampleando pedaços enormes da trilha sonora de John Barry para os filmes de James Bond, ou outros artistas de hardcore sampleando grandes hits pop contemporâneos de Tasmin Archer e coisas do tipo. E a mesma coisa acontece no grime. Há essa tradição do remix não-oficial, pirata ("bootleg")- grandes músicas de rap e R&B que são simplesmente remixadas sem permissão. Funk tem o mesmo tipo de espírito renegado. Eu gosto muito. Não sendo capaz de entender português, porém, eu não sei se tem o mesmo conteúdo expressivo do grime. Soa bastante áspero e energizado, mas eu não sei dizer se é raivoso da mesma maneira que o grime é.
» O que levou você a escrever "Rip It Up And Start Again"? Por que você acha que há uma constante proliferação de bandas hoje em dia que pagam tributo de alguma maneira a esse tipo de som?
Eu tinha me envolvido bastante com toda a cena rave e meio que acompanhei para onde a dance music estava indo e a música eletrônica estava indo. E por volta do final dos anos 90 parecia que muita da energia daquela cena havia ido embora ainda era bastante popular, mas não havia tantas reinvindicações de ser inquietante ou perturbador ou subversivo como havia sido no começo dos anos 90, quando realmente tinha esse aspecto dessa explosão incontrolável, bastante anárquica, muito excitante e radical. Além disso, a música em si estava menos inquietante no todo, ainda havia pessoas fazendo coisas experimentais, mas no nível popular de dance music, era muito aquele som agradável, cordial, e eu explorei e me interessei por house music, e me envolvi com história da música, então eu estava ouvindo música realmente agradável, mas era um pouco cômodo. Então fiquei cansado com isso, essa música de sonoridade agradável. Comecei a ansiar por dificuldade, por uma espinhosidade inquietante, então uma coisa que eu fiz foi começar a comprar diversos discos de vanguarda clássica, música concreta e coisas eletrônicas desse tipo. Então pela primeira vez em bastante tempo eu comecei a relembrar dos discos de pós-punk e desenterrá-los. Havia outra coisa acontecendo, que era que o rock, especialmente o rock britânico, estava num estado realmente pobre, parecia não haver nada de interesse. Era o final da cauda do Britpop, e todo o ideal do rock britânico boêmio branco que era experimental e ousado havia quase que sido varrido completamente, então eu estava ciente de estar muito descontente com aquilo. Então eu me deparei com esse disco de um grupo chamado Position Normal, que realmente não é muito conhecido mesmo, é basicamente um cara só, que lançou esses discos que de alguma maneira tinham uma conexão com a cultura dance ele estava usando muitos samplers mas não era dance music, era apenas essa música inglesa estranha, sonhadora, com muitos sons descobertos e vozes, e coisas que você imagina que ele tirou de velhos rolos de fita de 8 canais que ele teria comprado numa feira de igreja ou algo do tipo. Me lembrava um certo tipo peculiar de discos pós-punk, o tipo de coisas que John Peel teria tocado. Um pouco depois disso, por volta de 2000 ou por aí, eu comecei a notar os primeiros lampejos de pessoas recordando aquele período. E então eu fiz uma matéria para a revista "Uncut", e era como se eu tivesse esperanças de que fosse a matéria de capa, que teria 10.000 palavras no máximo, o que justificaria que eu passasse 3 semanas trabalhando nela, mas eu basicamente passei algo como 2 meses e meio ou 3 meses pesquisando essa matéria. Eu me deixei ser carregado por ela, fiz muito mais entrevistas. E no fim eles não transformaram na matéria de capa, foi uma matéria muito menor do que eu esperava, então foi realmente como se eu tivesse gasto muito mais esforço e energia nela do que estava justificado pelo cheque de pagamento que eu ia receber. Foi então que eu percebi que eu havia me tornado obcecado com esse período e na verdade eu já tinha as sementes de um livro acho que o primeiro rascunho da história era de 19.000 palavras e que coloquei uma versão de 11.000 palavras no meu website. E essa matéria era bastante abrangente, mas realmente apenas tocava na superfície, então eu simplesmente sabia que havia essa história fantástica lá que nunca havia sido contada, exceto em algumas das biografias de pessoas como Wire e certos outros grupos. Mas não havia nada que cobrisse o âmbito completo disso.
» Qual você acha que é o maior legado que o pós-punk deixou?
O legado? É um tópico muito grande para abordar. Mas é significante que muitas das pessoas envolvidas no pós-punk como Richard H. Kirk do Cabaret Voltaire vieram a se envolver com a cultura rave e fazer música techno. Ou apenas veja como o principal selo de pós-punk do Reino Unido, Factory, teve um papel tão grande na cena rave de Manchester com o clube Hacienda, Happy Mondays, New Order etc. O meio dos anos 80 foi um período confuso, orientado para o retrô, na música britânica, muita gente olhando para trás. Com rave é como se o botão de pausa tivesse sido desligado, e a cultura musical começou a ir rápido e para a frente novamente, como havia sido na era pós-punk.
Os grupos de hoje são obviamente inspirados pelo som inquieto, angular dos grupos pós-punk, por sua atitude a vibração de militância e comprometimento. Mas eles não parecem terem sido capazes de suprir o mesmo tipo de conteúdo ou conexão com o que está acontecendo politicamente agora. Então é militância como estilo, ao invés de ter qualquer intenção real por trás. Eles também estão reproduzindo o som desses grupos de maneira muito próxima, o que parece contrário ao espírito do pós-punk. Eles estão retornando a uma fusão de música branca e negra que esses grupos faziam no começo dos anos 80. Mas o verdadeiro espírito pós-punk seria o de fundir a música branca de hoje com a música negra de hoje. Ao invés de fazer punk-funk, eles deveriam estar fazendo punk com grime, ou punk com dancehall, ou sendo inspirados por funk carioca.
» Parece que a principal diferença entre bandas como LCD Soundsystem, The Rapture ou Franz Ferdinand e a cena pós-punk que os inspirou é a ausência de um elemento político nas letras e atitudes das novas bandas. Por que acha que isso acontece? Seria um reflexo de um aparente declínio no interesse político da sociedade ou há outros elementos em jogo?
Eu acho que a idéia de música politicamente explícita foi derrotada nas pessoas, parcialmente por causa das suas falhas no passado em mudar alguma coisa, e também por causa das suas falhas esteticamente é difícil fazer bem. Há também uma estranha desconexão que gradualmente tomou lugar do meio dos anos 80 em diante, onde a música passou a se auto-referenciar e parece incrivelmente isolada da realidade ou de assuntos correntes. Obviamente há exceções. Estou falando de música branca aqui. Por alguma razão que eu gostaria de investigar mais, a música negra parece capaz de se relacionar com o "real" de uma maneira sem esforços. Mesmo quando não é abertamente politizada, ainda é política no sentido que ela reflete a realidade e expressa a vontade e os desejos de uma comunidade. O rock cada vez mais parece ser apenas sobre sua própria história, fazendo malabarismos com essas diferentes influências, jogando com o gosto. Eu estou realmente falando de 'hipster' rock, no entanto. Você poderia argumentar que (heavy) metal reflete a realidade e fala para uma comunidade adolescentes brancos confusos, raivosos, muitas vezes de 'backgrounds' de classe média relativamente confortáveis, mas com muita angústia causada pela pobreza emocional e espiritual do seu meio.
» Seu livro cobre o período até 1984. Quais eram as coisas que estavam acontecendo na época que contribuíram para o fim desse período na música? Por quê 1984?
Pontos de corte são arbitrários até certo ponto, no sentido em que havia grupos fazendo música de estilo pós-punk no final dos anos 80 e depois. De qualquer modo, escolhi 1984 porque achei que duas coisas aconteceram neste ano: uma foi uma mudança para o retrô no setor independente da música, para uma música esmagadoramente influenciada pelos anos 60. Isso começou em 83, mas realmente se intensificou em 84. A outra coisa foi a história da ZTT [nota: gravadora comandada pelo produtor Trevor Horn que se especializou numa sonoridade pop eletrônica nos anos 80], que representou o clímax de uma certa idéia de infiltração no mainstream que havia surgido do punk a idéia de se apropriar das grandes gravadoras e derrotá-las no seu próprio jogo. O Frankie Goes To Hollywood teve seu primeiro single banido por suas letras sexuais controversas; o segundo single era um single de protesto anti-guerra nuclear; ambas as canções foram hits em massa no Reino Unido [nota: os singles foram, respectivamente, "Relax" e "Two Tribes", sendo que o primeiro também foi muito tocado no Brasil na época], número um por várias semanas, mas no fim nada havia mudado, e eles não tiveram nenhum impacto de longo alcance. Foi como um eco do punk, dos Sex Pistols, mas sem as reverberações. A ZTT representou a exaustão de um certo enfoque de "subversão vinda de dentro". Fez uma espécie de círculo interessante, em termos narrativos, como trazer o livro de volta até os Sex Pistols.
» Coletâneas de pós-punk brasileiro como "The Sexual Life Of The Savages" (Soul Jazz Records) e "Não Wave" (Man Records), incluindo bandas como Mercenárias, Fellini e Smack foram lançadas recentemente na Europa. Do que você ouviu, você acha que elas soam similares às bandas européias? Você acha que essas bandas poderiam ter causado algum impacto na Europa se os discos tivessem sido lançados naquela época?
Fiquei totalmente surpreso em descobrir essa cena pós-punk vital no Brasil, mas acho que faz total sentido, considerando que São Paulo é uma cidade bem européia em muitos sentidos. Sim, consigo imaginar alguns dos grupos tendo um impacto na Europa se eles tivessem sido lançados lá, embora a diferença de linguagem pudesse tê-los impedido de alguma maneira. Especialmente no Reino Unido, as pessoas são notoriamente resistentes ao pop de língua estrangeira. É um infeliz efeito colateral da hegemonia anglofônica! DAF, por exemplo, nunca se tornou tão grande quanto eles deveriam na Grã-Bretanha porque suas canções eram em alemão.
Reynolds estará participando de um debate sobre seu novo livro no dia 11/08, na Indie Records, mediado pelos jornalistas Gaía Passarelli (rraurl), Álvaro Pereira Jr. (Folha de SP) e André Barcinski. Além disso o jornalista vai discotecar na festa de encerramento do Campari Rock no dia 14/08, no Lugar 166.
Serviço
Quinta, 11 de agosto, 19h
Indie Records
Rua Inácio Pereira da Rocha, 622 - Pinheiros
Telefone: 11 3816 1220
O debate é limitado aos cinquenta primeiros que chegarem.