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Review Skol Beats 2006: Outdoor Stage
Saiba o que rolou no Anhembi
15.05.06 04:45
É claro que a gente esteve por lá! Vimos de pertinho as principais atrações e agora, com mais calma e um maior distanciamento dos acontecimentos, daremos nossas impressões sobre o festival. Confira abaixo os destaques do Outdoor Stage.

Júlio Torres – Crossover e Gui Boratto

Júlio Torres e Gui Boratto (foto) deram boas vindas à noite de sábado no Live Stage do Skol com dois competentes lives. Júlio veio com o violinista Amon e house/prog calmo, longe de querer "bombar" o palco que, divido em dois por um corredor e uma torre de som, só acumulava gente do lado direito naquele horário. Um violino sempre lembra erudição, e no caso do live de Júlio Torres representou versatilidade, já que o instrumento fazia as vezes de saxofone, violinha e guitarra. Retrô na medida certa: bases noventistas e versão para "Rock The Cashbah", do Clash. O baterista do The Bays passava o som da banda na hora do live de Gui Boratto criando uma cena curiosa: ele tocava baixinho no ritmo do minimal bem construído de Gui: ups e downs, harmonia e um pouco de peso lá pro final, quando a noite e a lua cheia chegaram de vez. Para quem não botava muita fé em minimal no palco principal, palmas e "u-huu" do público durante grande parte do live. Valeu, mesmo que tenha sido só do lado esquerdo do palco.

The Bays

O live do quarteto Andy Gangadeen, Chris Taylor, Jamie Odell e Simon Richmond seguiu à risca sua idéia de mudar suas apresentações a cada show e fugiu da linha minimal ambient de recentes shows em Israel, Escócia e Japão, disponíveis para download em qualquer programa de troca de arquivos. A base eletrônica saía das mãos de Andy e guiava os rumos do baixo, da bateria e dos teclados. Sem se comunicar, os integrantes seguiam seus ouvidos e foram principalmente de house e breaks, além de um surpreendente drum'n'bass no final. Foi ousado porque o Bays não fluía entre os gêneros no previsível, cortava as músicas do nada e mudava de sonoridade com coerência. Quem reparou bem percebeu uma única coisa que se repetia: eram os pratos da bateria, que pareciam não conseguir competir com as bases. Quem sentiu falta de algum vocalista ficou feliz quando eles começaram a utilizar vocais e distorcê-los. Garantiu bons momentos, principalmente na hora housy do live. Auxiliados pela lua, pela fumaça e pelos lasers que tinham acabado de aparecer, foi uma apresentação bem bonita.

Patife e banda

Com o trombonista Bocatto, naipe de metais e MC no palco, DJ Patife se transforma em "Patife & Brazilian Allstars". A apresentação teve homenagens mil, como "Secrets of the Floating Island" do Xerxes de Oliveira e momento de silêncio para os PMs mortos nas rebeliões que apavoram São Paulo desde o começo da noite de sábado.

Patife chamou ao palco a vocalista Camila Andrade para cantar sua versão para "Diariamente" (antigo sucesso na voz de Marisa Monte) de Nando Reis. Em seguida, o MC Cleveland Watkiss cantou "Overjoyed", original de Stevie Wonder, que dizem que apareceu em diversos sets de debê ao longo da noite. O momento mais animado foi, como esperado, a vocalista cantando a conhecidíssima e bonita versão de Patife para "Só Tinha de Ser com Você". A banda encerrou a apresentação com um pouco de atraso, chuva de aplausos e garantia de ter feito um bom trabalho, uma vez que o recém-lançado disco de Patife, "Na Estrada", só de produções próprias, teve recepção fria pela crítica - mas certamente é capaz de agradar o público.

Gil Barbara

Por volta das 22h30, Gil Barbara subiu no Outdoor Stage. Tarefa difícil foi manter a empolgação do povo logo após a animada apresentação de Patife & Banda, e acalmar os ânimos para os que já se posicionavam para o LCD. Gil optou por tocar algumas faixas bastante famosinhas nas pistas de dança do país e acabou se dando bem. "You Gonna Want Me" e "Muscle Car", de Tiga; "Bar a Thym", de Kerri Chandler; e "Four to the Floor", do Starsailor foram algumas das músicas escolhidas para os 45 minutos de set. Eu juro que ouvi por lá gritinhos histéricos de fãs e funcionários do rraurl.com! (Tem aumento no salário, chefia?)

LCD Soundsystem

Muita gente achou que seria o destaque do festival, mas a banda de James Murphy entrou morna, sem falar oi, nem com rojões atrás do palco. Entraram com "Your City is a Sucker" versão rockzinho, voltaram para a eletrônica em "Beat Connection" e para o rock de novo em sua versão de "Daft Punk is Playing at My House", o hit principal da banda para muitos. James convenceu no vocal e na percurssão, e o que ele tomou deve ter batido do meio do show: o nova-iorquino surtou na bateria, bem legal. Se James estava fora de forma, Tim Goldsworthy, o outro cérebro da banda, estava esbelto e comandava os teclados. "Tribulations" e "Losing my Edge" fizeram o povo cantar junto, mas o ponto alto foi "Yeah", no finalzinho, quando a apresentação perdeu a cara de "show" e virou um improviso dance-punk de nove minutos, com estrobo e público gritando. Muito bom, mas não chega perto do The Rapture no TIM Festival de 2003.

E já tem gente de olho no James Murphy para um DJ set em São Paulo...

Prodigy

O atraso e a curiosidade pela montagem do palco aumentaram a ansiedade da muvuca que se aglomerava em toda a região do Live Stage, no Anhembi. A formiga do Prodigy dava suas caras de novo, sete anos depois de sua primeira apresentação no Brasil. O cenário Doom e a passarela no meio do público já mostravam que seria zona geral. E foi. Maxim e Keith Flint entraram chamando pelos brasileiros. "Where's fuckin' Brazil???" Esse foi um mantra repetido por eles o show inteiro, será que é empolgação de ano de Copa? Em 1999 eles mal falaram e foram embora sem se despedir. Mas enfim, muvucas, confusões e perrengues organizacionais do Skol a parte, o show do Prodigy queimou a língua de quem rotulou a atração como "datada" ou ironizou a idéia de trazer a banda. Som alto, límpido, grave queimando da cabeça aos pés e clássicos da banda (o Prodigy tem clássicos, não "hits") levantaram pernas, corpos e mãos de todo mundo. "Breathe", "Poison", "Their Law", "Spitfire", "Voodoo People", "No Good"... Era uma bomba atrás de outra. Rodas de bate-cabeças se espalharam pela pista. Algumas só de brincadeira, outras de porrada de verdade. Keith está mais gordo, mais afetado, mas não decepcionou no vocal em "Firestarter". "Voodoo People" foi o ponto alto antes do bis: gritaria total e mãozinha de "from hell" pra cima. A banda voltou, com paciência, e tascou "Smack My Bitch Up" e "Out of Space", um dos maiores sucessos do do grupo que não apareceu no show de 1999. Histórico! E o banho de água fria logo depois do fim do show: "Love is in the Air"....

Plump DJs

O Plump DJs fez a transição entre a catarse do Prodigy e a ansiedade pela manhã com Renato Cohen, Noise e Mau. O sol nasceu entre os vinis de Lee Rous e Andy Gardner, que animaram a pista não muito cheia com seus breakbeats. Samples, bootlegs, soul, funk e até um pouco de progressivo para cozinhar a galera entraram no set list. Destaque para "Acid Hustle", hino TB-303, para remix de "Murder was the Bass" e o encerramento apoteótico com o bootleg "Donna Kebab", versão de "I Feel Love", da disco Donna Summer. Perfeito pra dançar o quadril e economizar as pernas para a technera da manhã clubber no Anhembi.

Renato Cohen

Depois de quatro anos sem apresentar seu elogiado live act, Cohen mostrou que, mesmo um pouco escondido nos últimos tempos, continua com um belo arsenal! O show foi um pouco curto - cerca de 50 minutos - mas pra muita gente foi o primeiro momento realmente techno da noite. Não era minimal techno, não era tech-trance, hard beat, progressive whatever... era techno puro, às vezes simples, sempre efetivo, dançante e concentrado.

Momentos especiais:"Space Is", "Nova" e a versão vai-mas-fica de "Pontapé", música que deixou o povo cheio de saudades.

Mau Mau x Anderson Noise

Algumas mil e tantas pessoas chegaram mais perto do palco na expectaativa de ver o Mau Mau fazer alguma mágica acontecer, uma vez que a noite foi marcada por bons sets e público morno - exceção feita à recepção histérica dada ao Prodigy, claro. Mau bem que tentou, mas o clima começou a estragar logo nos primeiros acordes, com toca-discos pulando e o público, sedento por música, esperando. Foi assim durante uns bons cinco minutos.

Mas Mau Mau entrou no som e fez o que sabe fazer melhor - tocou, dançou e colocou todo mundo para dançar, com seu techno com inspirações ora Detroitianas, ora ácidas, sempre dançante e pra cima. Dez minutos depois não tinha ninguém parado.

Anderson Noise chegou depois, com seu techno forte e enérgico. Nessa hora as outras tendas começaram a fechar e o palco ganhou mais público, principalmente Trib-alistas, vindos do palco psicodélico. O ping pong entre Mau e Noise começou depois de uns 40 minutos. Como esperado, não deu tão certo. Dois ótimos DJs dentro de seus estilos, infelizmente ficou claro que não existe ali uma relação próxima ou uma identidade musical. Anderson atirava faixas bombadas para grandes multidões, Mau caminhava para clássicos do LFO, vocais e momentos fofinhos. Ambos ótimos dentro de suas propostas, mas sem a unidade necessária para um apresentação desse tipo.

Assim foi, uma música cada um, até acatarem os pedidos da produção para encerrar, pouco antes das 10h. Não teve chuva de aplausos, gritaria, bis. E quem foi em todos os Skol Beats muito provavelmente ainda acha que o "encerramento" do Mau Mau no Autódromo em 2001 continua sendo um dos melhores momentos do festival. Quem sabe ano que vem?

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Igor Lopes
Igor Lopes
prontocabô!