Lente do videoblog All That Jazz, de Claudia Assef, mostra "best of" do Motomix 2006
O festival que quase não foi
29.09.06 22:05
Depois de uma queda-de-braço com o poder público, que quase levou ao cancelamento de sua parte musical, o festival Motomix Art Music se safou bonitamente de virar um "motomico". Não só aconteceu como, na opinião de muita gente, compilou alguns dos melhores momentos do ano musicalmente falando isso descontado o frio na barriga do quase não-show, né...
Quem tava lá viu o grupo escocês Franz Ferdinand fazendo história, num show que teve todo os clichês no bom sentido - que uma banda de rock'n'roll pode cumprir num dia inspirado: figurino bacaninha, quebradeira de instrumentos, domínio total de palco e, principalmente, uma coleção de hits pra todo mundo cantar junto.
O engraçado foi ouvir de alguns amigos que circularam pelos dois dias de shows que, no fim das contas, havia sido positiva a intervenção da Prefeitura que impediu a realização do Motomix numa só noite, lacrando a tenda eletrônica, montada fora do Espaço das Américas. O língua-afiada do meu amigo Vitor Ângelo, por exemplo, chegou a elogiar a "curadoria do seu Andréas Matarazzo (subprefeito de SP, responsável pela ação)". Ai, Vitor...
Mas, no fim, até eu achei legal. Tudo bem que foi pelo ralo o caráter de festival com o fim das atrações simultâneas -, mas desdobrando em dois dias todo mundo pôde ver todos os shows que quisesse.
Pra quem estava trabalhando, como eu, o estresse de não saber o que ia acontecer foi pesadíssimo. Confesso que só agora meu sono está entrando nos eixos.
Por outro lado, a iminência de não rolar e todo o bafafá que veio junto insuflou muito os artistas. Parecia que todos queriam dar o melhor de si. E acho que deram.
Entre os meus prediletos vão ficar: Modeselektor fazendo um dub-ragga quebrado e gordo pra caramba; Isolée com seu tecno obra-prima; o simpático tiozinho Peter Hook e sua técnica de girar o botão do mixer dando coices; o baile todo cantando "You're lucky, lucky, lucky, you're so lucky" com o Franz Ferdinand; e Adam Freeland, com sua peruca de Playmobil, encerrando o festival tocando "Whole Lotta Love", do Led Zeppelin.
De ruim, vai ficar a lembrança da senhorinha puxando o plugue da tomada na apresentação do Addictive TV, no MuBE. Que coisa, hein...
Sobre o All That Jazz
Usando uma câmera mini-DV bem pequena, Claudia pretende registrar imagens dos festivais, clubes, coletivas de imprensa e outros babados que passarem por sua agenda. Da perspectiva da jornalista, o internauta vai ter acesso a imagens de bastidor, entrevistas, footage de shows diretamente da fila do gargarejo, tricôs com DJs, promoters, hostesses, tias da limpeza, seguranças e quem mais tiver alguma coisa interessante a dizer.
Não espere parcialidade ou isenção jornalística do All That Jazz. Conforme anunciado, trata-se de um videoblog, o que seria o equivalente eletrônico e ilustrado de uma coluna editorial portanto, de responsabilidade única e exclusiva da autora.
Atualmente, Claudia, 32, é editora da revista Beatz (http://www.beatz.com.br), assina direção artística de eventos de música, além de manter residência como DJ na noite Discology. É dela o livro "Todo DJ Já Sambou A História do Disc-Jóquei no Brasil", que em 2007 vai para a sua segunda edição, pela Conrad.
Edição: André dos Santos
Claudia AssefClau é autora do livro Todo DJ Já Sambou, trabalha como editora de internet, toca discos por aí e prefere tintos suaves, mas potentes.