Criação do NME e da banda The Klaxons, a new rave se estabelece como um "movimento" estético e musical influenciado pelas raves
Houve um tempo recente em que tudo era mais fácil e, pelo menos na música eletrônica, as coisas eram bem definidas num quarteto mágico: techno, house, trance e drum'n'bass. Aí veio a onda revival dos anos 80 e o electro trazendo sintetismo e guitarras de volta aos sets e pistas; na contra-mão, as batidas e o baixo acelerado apareceram nas canções das principais novas bandas de rock: Rapture, Franz Ferdinand, LCD Soundsystem. Meia década depois desse fenômeno, surgiu mais um filho da numerosa prole do dance rock (ou qualquer outro nome que você quiser chamar): o New Rave, que ganhou força nos últimos dois meses.
Tudo começou com a banda londrina The Klaxons, basicamente um grupo de dance punk que pegou a estética raver (flúor, sirenes, samples infantis de hardcore techno, etc.) e adaptou para suas apresentações. Com apenas dois singles, "Gravity's Rainbow" e "Magik", eles caíram nas graças da esperta e tradicional revista britânica
New Musical Express (NME), há 50 anos insere artistas e gêneros britânicos na agenda do pop mundial: Smiths, punks, Sex Pistols, acid house/Madchester, britpop, Oasis vs Blur, Franz.... Tudo passou pelo crivo da revista.
O Klaxons foi capa da edição desse mês da revista, junto com uma matéria falando sobre os outros companheiros do movimento: Shitdisco e Datarock. Fica o mistério no ar de como surgiu a expressão, usada pela revista desde o meio do ano, e que chegou ao Brasil bem rápido via Lúcio Ribeiro. "(as bandas) misturam tudo ao rock, de sirenes a bagunças eletrônicas de todo o tipo, lembrando o Prodigy no começo. Tudo isso com uma certa congruência com o caráter dance de bandas como o Franz Ferdinand e político de grupos do novo rock inglês, que na rota virtual (internet, iPod e MySpace) são mais famosos que U2 e Stones", disse o colunista na "Pensata" de maio.
TAG: NEW RAVE"Com a Internet, em que qualquer pé-rapado pode ter suas críticas e reportagens lidas por milhões, e onde qualquer bandinha pode passar da garagem de casa ao Festival de Reading em quatro meses, a tendência é de que a música pop seja cada vez mais dissecada e fragmentada, cheia de subgêneros e vertentes", opina André Barcinski, jornalista e sócio da Circuito.
Squat party animada da Shitdisco em Glasgow

Em tempos de Last.fm, onde qualquer um pode encher os artistas de tags e gêneros, a dança dos rótulos virou um samba do crioulo doido. Essa bagunça também chegou à promoção e divulgação, com as bandas encontrando no MySpace um assessor competentíssimo, levando a atalhos eficazes para o público e para o estrelato. Os quinze minutos de fama agora chegam mais rápidos, só que duram menos. "A verdade é que o fã de música pop sempre foi assim: nós sempre adoramos dizer que 'descobrimos' uma banda ou gênero, conhecidos apenas por meia dúzia de antenados", completa Barcinski, com um sincero 'nós'.
Com essa idéia em mente, o blog musical bigstereo.net listou quatro passos para você bombar o seu novo gênero:
Passo 1: Crie o gênero. Combine dois termos improváveis e pré-existentes (Disco Punk, por exemplo) ou faça que algo velho se torne novo (Nu Wave).
Passo 2: Hype, hype, hype. Ache um punhado de bandas que ainda não chegaram ao Passo 1 e jogue o novo rótulo neles.
Passo 3: Faça com que todas as bandas desse "novo" gênero se remixem. Esse passo é muito importante. Essa promoção cruzada leva ao passo 4...
Passo 4: Declare que o gênero morreu. Acabou. Fim. Cansou. Coisa do ano passado.
O humor é válido e faz sentido por ironizar o mega-processamento de informações, novidades e rótulos que se tornou a música nos últimos seis anos, depois da fusão definitiva de rock e música eletrônica. E não é só a internet responsável por isso. O caráter democrático e acessível da música eletrônica diminuiu a aura inacessível da música ao meios para qqualquer jovem talentoso produzir boas músicas, .
Rock ou eletrônico na pista? Acabou a distinção..

Esses são indícios suficientes para refutar a velha ladainha da "música eletrônica está em crise". Na verdade quem passou por uma crise criativa foi o rock, que ao não saber se reinventar acabou recorrendo a alguns elementos da música eletrônica: música para dançar, feita em casa, por exemplo. Nessa seara entra o tal new rave. Não há crise eletrônica, apenas uma fase em que é necessário aprender a viver sem o clima underground, de novidade...
Até a obsoleta MTV nacional já prenunciou a onda, eis um trecho do blog da VJ Carla Lamarca de setembro último: "
(O Klaxons) é um ex-trio que atualmente é um quarteto, caras que usam muitas drogas e fazem um som para você, e eles também, dançar muito e sair beijando quem der na telha. Nada de letras cabeçudas e ficar filosofando sobre a vida. Tá na balada, é para curtir e ouvir um bom som! Essa é a filosofia do grupo que, queria fazer uma dance music - só que com guitarras". Apesar da tom ingênuo, a loira do jornal da MTV levantou uma informação curiosa, de que a banda ainda quis fundar o PTR, Partido Trabalhista das Raves.
RAVERS?Fundar um partido "raver" seria hipocrisia demais, quase oportunismo, de uma banda esperta que, mais do que tocar algo inovador, jogou light stickers para o público do Reading Festival, dando a cara "new raver" (aspas, sempre). Essa tal onda pode, de fato, trazer elementos do hardcore techno e das festas do começo dos anos 90, aquelas que nos trouxeram sem riffs nenhum de guitarra Prodigy e Altern-8.
Um exemplo são os escoceces do Shitdisco, quarteto de baixo, guitarras, bateria, vocal e claro, teclados, que foram escalados para o new rave por sua mistura suja de rock e electro e pelas festas animadas que faziam em Glasgow. Eles trouxeram de volta, mesmo que para um pequeno nicho da capital escocesa, o espírito de squat parties e reuniões ilegais em estradas, túneis e clubes abandonados. Aí sim, Carlinha, é que deve rolar muita droga, ao contrário do The Klaxons, que exerce mais o papel de posers do novo gênero, o The Killers do dance punk. Eles lançam o primeiro álbum em janeiro, e claro, serão alçados ao status de maior-banda-da-história-do-momento, assim como foi com Arctic Monkeys esse ano, aposto duas caixas de Itaipava.
Para a dupla inglesa Simian Mobile Disco, é tudo culpa do Klaxons

O rraurl entrevistou rapidamente o Shitdisco e o Simian Mobile Disco (dupla inglesa de electro que é listada no novo gênero) e perguntou se eles realmente são new ravers.
Darren Cullen é bateirista da banda escocesa e respondeu que, mais que a banda é mesom "um baixo estuprador, rápido como uma trepada, perturbador de mães". Uau!
Ainda segundo Cullen "o new rave foi criado, então pode ser destruído, é a tentativa de se explicar que é uma nova onda. É tudo uma piada com as bandas envolvidas, na verdade só queremos nos divertir". Será? Se divertir obviamente inclui ter visibilidade, assinar contrato, lançar um disco novo por um bom selo e rodar o mundo, justamente o caso do Shitdisco, várias datas na Europa até o fim do ano em CD no forno a ser lançado pelo Fierce Panda, selo do Coldplay.
Já o Simian Mobile Disco credita diretamente o Klaxons como autores do termo. "New Rave nunca foi feito para soar como 'rave velha', mas foi algo engraçado criado pelo Klaxons que explodiu além do imaginável", explica a dupla, fã de psicodélico dos anos 60 e Detroit techno.
CONSEQÜÊNCIAS...Apesar de tantos questionamentos, há de se pensar na hipótese de o tal new rave virar algo grande e concreto, assim como aconteceu há pouco com o electro, o minimal, o dance punk e o emocore (além da música, esse ainda trouxe também características comportamentais, igual os clubbers dos anos 90).
Irá uma onda fluorescente varrer a moda? Ouviremos cornetas e samples em todos os shows de rock? Muita gente de chupeta e camiseta punk-colorido. E o ecstasy? É bem provável que a droga, elemento clássico de uma rave, chegue ainda mais aos shows do rock. Com o público roqueiro é na maioria das vezes mais jovem que o eletrônico, muitos adolescentes começariam a experimentar a droga cada vez mais cedo. Aí dá para listar provável aumento da repressão policial, toda aquela novela que a gente já viu e continua a ver, de Londres à São Paulo.
Se a new rave pegar, teremos em 2007 um verão do amor roqueiro?

A tal new rave, para finalizar, seria então a primeira amostra de um revival dos anos noventa na música e no mundo pop, após o esgotamento de todas as fórmulas de revival dos anos 80, iniciado em 2000. E é uma prova definitiva de que as fusões musicais são saudáveis e, apesar dos exageros, fazem com que a música seja cada vez algo mais acessível e presente de maneira diversificada na vida das pessoas.
Que o diga André Barcinski, que viu a última edição da Circuito ser criticada por abrir espaço para outras sonoridades e públicos além do tradicional techno da festa. "Quem acha que uma música tem de ficar 'pura' para sempre é porque não se permite ouvir outras coisas, e isso é muito triste. Quero crer que o ser humano seja capaz de ouvir coisas novas e julgar se gosta ou não".
Já há uma festa de new rave no Brasil, a noite "Club Hype" no Fosfobox, tradicional pista de Copacabana, Rio de Janeiro. "O CLUB HYPE é a única festa do Brasil especializada em NEW RAVE. Então se monte todo e lembre: Todas as quartas-feiras, você desce a escada da Fosfobox e é transportado para as melhores pistas do mundo", diz o release da festa. Senhoras e senhores, nasce em CAPS LOCK um novo hype!
Clique aqui e confira uma lista das bandas de new rave com áudio e vídeo
se era uma brincadeira, as pessoas aderiram e amaram.
ou é o resto ou é o "revival" ou é o copista ou é fusão????
quem sabe né?
tudo já é tão exposto que até eu me sinto famoso..da internet pra as ruas,bocas,revistas,jornais,festivais e se tiver muita sorte não "over" muita sorte ou é o resto ou é o "revival" ou é o copista ou é fusão????
Muito bom, viva ao hype!!