Jellybean Benitez, o homem que descobriu a Madonna
 Sou uma pessoa muito curiosa"
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Jellybean Benitez, o homem que descobriu a Madonna
Um panorama do hype, das boates de Nova Iorque e do Bronx
11.04.07 17:50
Atualmente, o nome Jellybean Benitez cria um ponto de interrogação na cabeça. Por isso, cabe a explicação que ele foi um dos DJs mais influentes dos anos 80 pelos seguintes motivos: 1) Ele foi um dos expoentes da mistura de electro à moda Afrika Bambaataa com New Wave B-52s e Tecnopop Human League. 2) Ele foi autor de inúmeras versões de músicas importantes, introduzindo novas técnicas em antigos hábitos de remixar. 3) Ele ajudou a descobrir e lançar uma cantora de cabelos descoloridos chamada Madonna, por acaso, sua ex-namorada.

Jellybean veio do sul do Bronx, que nos anos 70 era uma das regiões urbanas mais deterioradas do primeiro mundo, cheia de gangues e prédios em chamas. "Lá, a maioria dos caras queria ser traficante, cafetão ou segurança".

Foram seus amigos seguranças que o levaram para a noite em que vendo um DJ em ação, ele rapidinho se convenceu de que era aquilo que gostaria de fazer. E escolheu fazer isso numa ótima fase: o boom da disco no final dos anos 70, em que sobrava trabalho para os DJs.

"Cada bar ou pub que tinha um salãozinho para dançar colocou um sound system e todos precisavam de DJs", ele conta. "Teve uma época em que toquei por 49 dias consecutivos e acabei o tempo todo ajudando um monte de outras pessoas a conseguir gigs. Realmente havia mais clubes que DJs nessa época".

NA CABINE COM MADONNA
Depois de uma residência no Studio 54 ele se estabeleceu na Fun House, a casa onde fez história, se tornando um dos grandes DJs da história de Nova Iorque. Foi lá que ele conheceu Madonna. "Eu já tocava "Everybody" (primeiro single da cantora) quando Bobby Shaw, um cara que promovia discos para DJs, trouxe a Madonna para me conhecer".

"Eu a conheci, conversamos, e ela se mostrou interessada e conhecia alguns dos discos que eu tinha feito remix. Ela estava trabalhando no álbum de estréia, escolhendo o próximo single que acabou sendo "Physical Attraction" e "Burning Up". Ela me pediu para fazer uma versão e depois acabei fazendo uma porção de faixas do disco. E daí eu produzi "Holiday".

"Eu achava que ela poderia ser uma artista grande de verdade, mas para mim, naquele momento uma artista grande era alguém que tivesse um disco de ouro, ou seja, 500 mil unidades nos EUA. Achei que ela tinha apelo para os clubes e para o rádio – com os discos certos ela poderia ser grande - mas eu nunca poderia ter adivinhado que ela se tornaria um ícone".

Namorando Madonna de 82 a 83, ele continuou desenvolvendo sua carreira de compositor, participando de sucessos em filmes de Hollywood, como Footloose, Top Gun e De Volta Para o Futuro, além de escrever muito mais faixas e manter sua carreira de DJ.

FELIZ NO UNDERGROUND
"Tive dois hits pop nos EUA e acho que quatro ou cinco na Inglaterra, mas eram discos para clube que cruzaram para o pop. Sempre fui muito feliz vivendo no underground".

Recentemente, nomeado para o Hall da Fama da dance music junto com François Kevorkian e Frankie Knuckles, ele mantém o próprio selo e editora musical, enquanto continua a tocar em Nova Iorque e outras cidades fora dos EUA.

Você cresceu no sul do Bronx no começo dos anos 70, quando a onda de violência e crime estava feroz. Tudo que se falava era verdade mesmo?

É engraçado, mas o sul do Bronx era tudo que eu conhecia, a única informação que eu tinha sobre outros lugares, como Beverly Hills, Miami, Londres ou Paris era através da televisão e eu não conhecia ninguém da minha vizinhança que tivesse visitado algum destes lugares. O sul do Bronx era o sul do Bronx. Você se torna "malandro" rapidamente.

É um mundo diferente, embora no sul do Bronx e em Beverly Hills, você encontre diferentes graus em todos os guetos. Mas eu descobri que contanto que falasse a verdade, nunca teria problema. Foi assim que sobrevivi. Minha época de escola foi bem dura. Em 1973 instalaram detectores de metal. Imagine 1973!

Você discotecou no Studio 54, que foi famoso por ser incrivelmente hedonista. Como você lidou com o estilo de vida nas festas daquele tempo?

Eu era bem novo e vi muitos garotos da minha idade – estou falando de 11, 12, 13, 14 anos - bebendo cerveja, fumando maconha e usando heroína. Quando eu tinha 12 anos já tinha perdido muitos amigos de infância por causa da heroína. Na época em que era adolescente, a última coisa que gostaria de fazer era usar drogas. Vi a mudança que aconteceu com muitos dos meus amigos. Naquele tempo as músicas tinham três ou quatro minutos de duração. Os DJs não tinham tempo para fazer nada, só para mixar.

Mas você já pensava grande?

Eu, definitivamente, sou muito interessado em aprender e a ser desafiado. Acredito que isso me ajudou na carreira e me fez sair das cabines de DJ para o estúdio de gravação. Como DJ, eu fiquei curioso sobre os processos de gravação, encarei o desafio de não ser capaz de tocar nenhum instrumento, não sabia ler ou escrever músicas e não tinha nenhum conhecimento sobre o assunto e o estúdio se tornou incrivelmente interessante para mim. E desafiador. Fui atrás e tentei aprender o possível sobre o que envolvia os processos de gravação. Acabei me tornando um remixer e um engenheiro, em seguida fiquei interessado em produzir a partir do zero.

Por causa disso, fiquei mais interessado em composições e arranjos, tocando e escrevendo músicas para animações e para televisão. Cada uma destas coisas me impulsionou. E estou muito confortável com o que pode parecer desconfortável para algumas pessoas. Não tenho medo de pegar as chances e aprender, e aprender que algumas pessoas percebessem como um erro realmente aparece como uma oportunidade.

Qual foi o maior erro que você já cometeu?

No princípio, fui completamente ingênuo sobre a indústria e como as coisas funcionam. Ao mesmo tempo aprendi muito e levantei muitas questões. As pessoas que me conheciam diziam que sempre perguntei muita coisa. Sou uma pessoa muito curiosa.

Já teve alguma situação em que poderia ter colocado tudo a perder?

Sou um pouco realista. Estando nestes glamourosos clubes, como o Studio 54 e o New York, vi muita coisa e estava no meio de tudo, mas com uma visão de pássaro... da cabine do DJ. Então, vi como alguns iam do zero até sessenta e como mudavam depois, mas, na real, não foi tanto eles quem mudaram. É a minha percepção que mudou... Vendo o hype em volta deles e como as pessoas mudam suas atitudes perante eles. Acho que algumas vezes as pessoas acreditam que você é de um determinado jeito baseado no que elas leram. Ou que você não pode ter tempo para elas porque é uma pessoa famosa.

Jonty Skrufff
Jonty Skrufff
comentários
fernando ribeiro
0AprovadoQueima
grande entrevista... valeu!
Jellybean é foda!!!