Cinco perguntas para Cajuan
Empresário do Digitalism é também um produtor "new rave" de primeira
20.04.07 20:25
Começando a trabalhar no lado empresarial da cena clubber no fim dos anos 80, Cajuan ocupa um posto muito importante hoje: é empresário do duo Digitalism, artista-símbolo da "new rave" que estourou esse ano. Mas esse é só um lado da história: Cajuan é também um produtor musical de mão cheia.
Isso ficou evidente ano passado quando seu primeiro single "Dance/Not Dance" virou um enorme hit na cena electro-disco alternativa mas também ido parar nos cases de gente como Satoshi Tommie, Darren Emerson and John Acquaviva. Mais recentemente, ele também agradou geral com seu fantástico remake a la Soulwax da faixa "Carlights", do Pink Grease. Seu single mais recente, "Raven", também merece ser conferido.
Como equilibrar as carreiras de produtor e empresário do Digitalism?
Tentar não misturar mas é difícil. Quando o Digitalism começou era um plano mais simples aqui estão algumas pessoas que conhecem música, vamos nos juntar e fazer algo para maximizar nossas idéias. Já tinha experiência de trabalhar em gravadora então falei pros caras, "beleza, eu cuido da parte dos negócios". Ao mesmo tempo, já sabia como produzir e mexer nas máquinas então isso também foi importante para a conexão. Sou viciado em música. Com o Cajuan, o que importa são meus sentimentos pessoas e como posso expressá-los através da música."
O Digitalism pode ficar grande como o Daft Punk, depois do lançamento da estréia deles, pela EMI. Se você ficar igualmente mega como Cajuan, que vai escolher fazer?
Seguiria o caminho do Digitalism e mesmo se minha carreira decolasse, ainda seria meu trampo de fim-de-semana. Teria que equilibrar as coisas, mas o Digitalism ainda é minha preocupação principal. O importante na vida é se divertir e é isso que faço como Cajuan, quero viver minha vida na música e nos clubes.
Mas será que o Digitalism vai ser grande como o Daft Punk? Nunca foi nosso objetivo. Alguns dizem que já fazem dez anos que bandas como Chemical Brothers, Daft Punk e Prodigy surgiram e houve uma enorme pausa onde não surgiu mais nenhum grande grupo eletrônico. Alguns caras de gravadora e amantes de música acham que o Digitalism tem o potencial para virar um grupo de álbuns. Veremos.
O release do single "Raven" usa o termo "new rave" para descrevê-lo três vezes. O que pensa desse termo?
Produzi "Raven" faz um tempo já, num tempo em que nem se discutia "new rave" na imprensa. Eu e o Digitalism e outros saíamos para os clubes e falávamos, meio zoando, "Foi uma rave grande essa né?" Quando a NME começou a falar "descobrimos um estilo novo, 'new rave'" já usávamos o termo. Para mim, "new rave" é um hype que nada tem a ver com as raves, por exemplo, The Klaxons. Sou velho bastante para ter vivido a vida raver nos anos 90 e, apesar de que existem alguns elementos daquilo na "new rave", para mim o som de rave é algo completamente diferente.
Onde e quando você vivia seus dias de raver?
Comecei a ir em raves em Hamburgo, quando a cena de house estava crescendo. Comecei a sair quando todos os sons acid vieram para a Europa, quando todo mundo usava smileys e apitos. Era uma coisa bem grande em Hamburgo. Depois veio essa enorme cena em cima de house vocal de Nova York. Além disso, tínhamos uma cena paralela de indie rock.
Agora temos um estilo de música chamado "new rave" ou "noise electronics", o tipo de som do Digitalism e do Justice. O outro estilo principal é a cena eletrônica muito minimal que não curto muito. Gosto de algumas faixas mas não sou muito fã de ficar ouvindo a noite inteira.
Qual foi sua abordagem ao fazer o remix de "Carlights", do Pink Grease, que tem um break de quase dois minutos?
Quando terminei o remix e mandei para a Mute, pediram para encurtar o break porque não iria agradar na pista, por ser muito "diferente". Quando estou no estúdio e tenho uma idéia deixo fluir e foi assim com esse remix. E as pessoas enlouquecem depois do break, então acho que acertamos. As pessoas esperam e esperam a música voltar, quando ela volta vem com força total.
...e o Biru-biru, heim, galera?