Este mês é de comemorações para o projeto Freak Chic, no clube paulistano D-Edge. A festa completa quatro anos e continua uma das noites mais cheias da boate. Na semana passada, nem um aviso de "lotação esgotada" colado a parede fazia desistir de entrar quem estava na fila às três horas da manhã.
Da primeira semana de vida até hoje, algumas mudanças importantes aconteceram: Renato Ratier, que também é proprietário da casa, pouco conhecido na época da estréia, transformou-se num DJ residente convidado para tocar em festivais como o Skol Beats e o Nokia Trends. E os rodados Marcão Morcerf e Pareto, também residentes, ajudaram a noite reconhecida pela house music a se converter num caldeirão maior, que passou a levar electro-house e disco-punk para as pistas.
A vocação underground continua - mais pelo tamanho, que ficou apertado, do que pelos estrelados convidados estrangeiros. Mas é comum encontrar gente da moda, camarotes regados a champanhe e promoters agitados a noite inteira (são quatro atualmente). Há também quem reclame das filas longas, que em dias com muitos convidados do clube, demoram um pouco mais.
Assoprando as velinhas, o rraurl.com faz cinco perguntas para os residentes Renato Ratier, Pareto e Morcerf:
Marcão Morcerf: "diversidade e estilo é a chave do sucesso"

Quem é o mais freak e quem é o mais chic do trio? Por quê?Ratier: O mais Freak é difícil escolher entre o Pareto e o Morcerf, mas com certeza o mais chique sou eu
(risos). Porque é assim que a vida é...
Pareto: Acho que os três residentes se esforçam ao máximo, cada um a sua maneira, para preencher as duas lacunas, mas prefiro deixar para os frequentadores da festa a opinião sobre quem cai mais para um lado e quem cai mais para o outro. E eu tô falando isso enxergando pelo lado musical. Não vale dizer que eu caio mais para o freak só porque uso peruca na cabine, né?
Morcerf: Cada um tem os dois lados , por isto somos os residentes desta festa com este conceito, só que cada um expressa isto de forma diferenciada um do outro. E cada um tem seu publico próprio com isto. Ainda bem, né? Diversidade e estilo é a chave do sucesso.
O que mudou de significativo nesses quatro anos de projeto?Ratier: O que mudou foi a evolução do som na noite e a entrada dos promoters Aury Parlatore, Vinicius Yamada, Yaya Pagh e Ricardo Oliveros a partir de maio de 2006.
Luiz Pareto: "sou eclético mesmo"

Pareto: Para mim a Freak Chic nunca parou de evoluir desde os tempos de abertura do clube até os dias de hoje e, apesar de ser considerada uma noite de house, purismo não é realmente o forte dos residentes. Quando a festa começou nosso som oscilava entre o funky house, Chicago house, tech-house e funky breaks. Nem completou um ano e o electrohouse e o discopunk já começavam a aparecer aqui e ali. Era já uma mostra do que estava para vir. E aí esse som veio com força e dividiu espaço com o acid house e o funky house.
Depois, o minimal (house ou techno) passou a costurar parte do som da noite. Nesse último ano, as novas - e algumas velhas - vertentes do som disco vêm abrindo cada vez mais espaço nos sets. Nu disco, cosmic disco, italo-disco se entremeiam com o ultra funky "fidgit house" e, é claro, também com algumas faixas de breaks, techno, tech-house, acid house e digital dancehall.
Morcerf: Todos amadurecemos e o som da freak chic tem sempre uma atualização vertiginosa. Sem falsa modestia é uma boas das festas do planeta, em sintonia fina com as novas tendencias da musica eletronica com um ponto de vista a partir da House Music, mas com possibilidade de fusão com muitos outros estilos da dance music. Os DJs convidados expressam isto , pois são escolhidos pelos residentes.
Destaquem dois convidados desses quatro anos cujo som deixou vocês passados.Ratier: Munk e a primeira gig de Luke Solomon.
Pareto: Lembro que fiquei bem passado com o som que Luke Solomon fez na primeira vez que tocou na festa. Não cheguei a ver a DJ Heather tocando na Freak Chic, mas tenho certeza que ficaria passado com o som da moça. Todas as vezes que ouvi o som dela na gringa sempre me surpreendeu. Do som tocado atualmente na Freak Chic sou fã de vários produtores, mas em nível de discotecagem me incomoda um pouco a linearidade. Não tem jeito, sou eclético mesmo.
Morcerf: Luke Solomon no primeiro momento house de Chicago, Ali Schwarz na primeira apresentação demarcando o momento electrohouse, e como já estamos atualmente num novo momento mais focado na nu disco, ainda estamos aguardando o convidado ícone que irá demarcar no campo dos convidados internacionais este período. Enquanto isto, como pratas da casa, vamos afiando a pista, ouvidos e corações. Daí é moleza pra eles, né?
(risos).
Que tipo de gente vai no Freak Chic? É o mesmo público do começo?Ratier: Gente bonita e interessada em música de qualidade e diversão.
Pareto: O público da nossa noite é bem misturado. Modernos, gays, héteros, playboys e todos muito animados e muito afim de dançar um bom som, que é o que importa. Sem isso não tem vibe. Tem gente que é frequentador de carteirinha desde o início, outros começaram a frequentar a menos tempo, e tem aqueles que frequentaram bastante no começo, sumiram e depois voltaram com força total.
Morcerf: Todo tipo de gente que aceite a diversidade de som e público como um fundamento da cultura de clube contemporânea. O som é diversificado, o público também. Mudam algumas caras, mas o sucesso é uma constante, e os fiéis também.
Contem uma história absurda que aconteceu nesse tempo.Ratier: "o mais chique sou eu, (risos) porque é assim que a vida é"

Ratier: Luke Solomon, depois que acabou seu set, começou a me cutucar e dar socos atrás de mim como se estivéssemos brigando na cabine no meio do meu set, as pessoas não estavam entendendo nada, uma brincadeira "nonsense".
Pareto: Tem tantas, mas no momento só consigo lembrar do dia que abri para o Abe Duque. Estava tocando e de repente vi uma grande movimentação de homens de terno pelo ambiente e me perguntei "quem é aquele novo segurança entrando na cabine?" Para minha surpresa era o próprio Abe Duque que chegava para tocar em traje social. Parece que ele é conhecido por sempre tocar de terno e camisa social, só que eu não sabia disso...
Morcerf: Ahn??? Esqueci! Mas é incrível ser um DJ cinquentão e estar construindo já há quatro anos aqui no D-Edge uma noite tão fresca, atual, sempre renovada. Sinto realmente muito prazer nisto.
Lembro da primeira vez que Pareto comentou q. ia estrear uma noite de house na barra funda... e euzinha estava lá na primeira Freak Chic e até hoje tenho meu lugar cativo.
Saúde clubber para todos!
adoooooro....
parabéns pela dedicação!!
para os preconceituosos: bye bye tristeza não precisa voltar!!
venham mais à BH e não esqueçam de sua amiga..
Nadião
freak chik: LPG - luxo, poder e glória
arrasa!!!!