Cinco perguntas para Fabio Stein
Símbolo da cena trance brasileira, o DJ/produtor está acontecendo lá fora
04.05.07 17:45
Esse ano Fabio Stein colocou um pezinho no topo. Às vésperas de sua primeira turnê pela Europa, ele é figura corrente nas rodas de trance brasileiras. DJ e organizador da famosa festa State of Trance, é membro do Energy Br, um dos núcleos mais respeitados por aqui. Stein é uma daquelas figuras que tem o nome diretamente associada ao gênero que toca.
Há um tempo atrás, Fabio começou a despontar com seu lado produtor. Suas faixas foram lançadas por selos como Maelstrom, e tocadas por gente como Paul Van Dyk. Trabalhou junto de Judge Jules e agora o resultado está vindo a galope.
"Nem eu acreditei quando vi as festas em que ia tocar", diz Stein. Lineups de eventos como o famoso Dance Valley e Judgement Sundays estampam o nome do brasileiro em seus flyers. O rraurl.com convidou Fabio para responder nossas cinco perguntas da semana.
Quais são as expectativas para essa sua primeira turnê pela Europa?
Nossa, por onde eu começo? Estou empolgadissimo! Em primeiro lugar, estou realizando dois grandes sonhos da minha vida com essa turnê: tocar no Dance Valley e em Ibiza.
Em 2005 eu fui para o Dance Valley e fiquei deslumbrado com o festival. Foi a melhor festa que já presenciei em toda a minha vida em todos os aspectos. Quanto a Ibiza... bom, a reputação da ilha fala por si!
Em segundo lugar, acho que me apresentando como DJ, em várias partes da Europa, vou mostrar ao público que não sou apenas um produtor. Eu, como DJ, não gosto de tocar apenas faixas minhas, gosto de variar o repertório dos meus sets. Então, acho que quem me conhece apenas pelas minhas produções, vai se surpreender com o meu DJ set.
Como você foi parar no lineup de festas tão bacanas?
Devo agradecer ao Tom Godwin (meu agente na Europa), que fez tudo isso acontecer. Começamos a trabalhar juntos no final de 2006, quando minhas faixas e remixes lançados começaram a chamar a sua atenção. Ele simplesmente apostou no meu talento, sem nem me conhecer pessoalmente. Em pouco tempo, ele foi responsável pelo meu UK debut na The Gallery @ Turnmills, em Londres (fevereiro desse ano). Tirando a Lunatic Trance (Suiça), o Tom foi quem correu atrás das outras datas.
Também tenho que agradecer ao Judge Jules, que foi o primeiro top DJ que apoiou o meu trabalho, e fez questão de me colocar no lineup da sua festa, a Judgement Sundays; e ao Christopher Lawrence, que procurou o Tom para me colocar no lineup da sua tenda Continental, no Dance Valley.
É claro, também acredito que as milhares de horas passadas no estúdio ajudaram um pouco! 2006 foi um ano muito puxado pra mim, varei muitas noites no estúdio, remixei pra muita gente (até de graça), fiz parcerias e lancei através de diversos selos: isso fez meu nome começar a aparecer em lojas, discos, coletâneas, tracklists de rádios e festas, sites... enfim, graças às minhas produções, meu nome começou a crescer na cena trance européia (especialmente dentro do tech-trance).
Como você acha que está a cena trance hoje no Brasil?
Acho que está crescendo, devagar, mas de forma estável. Não sei se vamos ter uma cena parecida com a da Europa, mas vejo que o público cresceu muito desde 2001, sendo que o trance praticamente não existia no Brasil, nessa época. O Energy BR surgiu justamente para agrupar os pouquíssimos DJs de trance no Brasil, e servir de ponto de encontro.
É interessante acompanhar a evolução por nossa festa State Of Trance: a primeira aconteceu num barzinho em 2002, reunindo poucos amigos. Hoje em dia, a SOT chega a reunir até 2.000 pessoas, sempre focando no trance com conceito, sem depender de tops gringos.
Por outro lado, as festas hypadas com o Tiësto, Paul van Dyk, Ferry Corsten e outros nomes super populares, serviram como porta de entrada para muitos novos tranceiros, porém não são essas as festas que fazem a cena nacional. Nesses eventos, muitas vezes, o lineup não é formado por DJs que fazem a cena trance nacional, logo se perde o conceito. Claro, existem raras exceções, como a Zenith e a Gatecrasher (Porto Alegre), que estão incluindo DJs de trance nacionais em lineups com DJs de trance internacionais.
O que você acha da atual cena psy brasileira? Você gosta do gênero?
Sinceramente, não conheço muito sobre psy. Tive um breve contato superficial e não gostei do que ouvi. Cheguei a pesquisar um pouco, por mera curiosidade e vi que, realmente, existem projetos competentes, porém vejo sempre os mesmos nomes nessas festas.
A cena psy teve um boom gigantesco no Brasil há alguns anos, acho que isso a saturou ao ponto de ser "caricaturizada" pelo resto da cena. Algo que acho legal na cena psy é que grande parte das pessoas estão sempre abertas a novas vertentes, diferente de outras cenas mais conservadoras.
Onde você se imagina daqui a alguns anos?
Não faço idéia! Atualmente estou com um pé aqui e outro na Europa. Aqui estou investindo minhas forças, junto ao Jack e muitos outros tranceiros para estabelecermos uma cena trance nacional. É maravilhoso ver as pessoas aprendendo a gostar da música que a gente ama. Só que brigar por uma vertente que está começando também tem seu lado negativo: raramente somos chamados para tocar em outras festas fora do nosso circuito, e continuamos sendo alvos de preconceito.
Na Europa as coisas estão andando a todo o vapor e tenho o meu espaço para trabalhar. Fiquei emocionado quando recebi todo o suporte dos DJs, propostas de selos e carinho do público de lá, sem nunca ter sido visto pessoalmente por essas pessoas. Tenho o orgulho de dizer que fui aceito pela minha música e por nada mais.
Enfim, o futuro é incerto, mas tenho muitos objetivos a realizar: ainda quero lançar um álbum, ter meu próprio selo, meu próprio club (um dia, quem sabe!) e tocar, tocar, tocar... pois essa é a coisa que mais amo no mundo.
Também espero ver o trance nacional tendo o seu espaço aqui no Brasil afinal, se já tem seu espaço lá fora, porque não aqui?
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Comentários sobre o SET:
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E como vejo muitas reportagens de djs no exterior. O brasil só reconhece tal dj, quando começa a ser reconhecido na Europa. Pois infelizmente o Brasil É PAGA PAU de gente que tem passagem pelo exterior.
A dura realidade aqui no Brasil, é bater de frente com DJs que dominam o mercado há mais de 20 anos. E se vc é desconhecido na Cena, e não for indicado por promoters,donos de casas noturnas,agências. Te queimam antes mesmo de vc aparecer.
É uma tremenda batalha contra o mercado desleal. Pois amizade,humildade são palavras que não existe no dicionário do dj. é uns falando mal dos outros. Um passando por cima dos outros,igual um rolo compressor.
graças ao trabalho de pessoas que nem vc, que a nossa cena
vai ganhando espaço aos poucos.
e viva ao verdadeiro trance
E VIVA O TRANCE EUROPEU!