Por mais que você tente ser um rato musical viciado em P2P, por mais que você baixe charts, por mais que você converse de bandas, troque faixas, álbums.. por mais que você tente, você só vai acabar sendo conquistado por uma banda independente quando ela fizer uma música que simplesmente te pegue na hora que ela começa a tocar. E poucas fazem isso no primeiro acorde.
E se há um mês atrás Peter, Bjorn & John não significassem nada além de três nomes, agora é o artista mais ouvido no meu Last.fm. Isso começou quando eu ouvi a intro com um assobiozinho estranho, pegajoso, e um dueto macio entre um roqueirinho e uma menina de voz grossa. Eis "Young Folks", lançada em agosto e que ficou no top 5 de 11 entre 10 listas de melhores músicas do ano.
É o indie rock de maior êxito instantâneo dos últimos tempos, alçando o trio sueco (sim, outra vez, os suecos...) à condição de Belle & Sebastian da atualidade. A diferença entre o PB&J e a teatral mega-band-indie escocesa se dá na mistura de psicodelia dos anos 60 com timbres eletrônicos sutis dos anos 80, quase imperceptíveis. O baixo de "Young Folks" parece ter saído de um Peter Hook camponês apaixonado. Some a isso a bateria quebrada e o percurssionismo personalista de John.
"Young Folks" é o primeiro single do terceiro álbum do trio, na ativa desde 1999. Em Writer's Block a palavra é "beleza". É o tratamento de temas como encontros casuais, viagens revolucionárias, questões inexistenciais com uma beleza musicada que se fossem traduzidas para a semiótica gráfica, trazem à mente o desenho simples e puro das notas musicais, com um solzinho de fundo.
"Paris 2004", outro ponto altíssimo do álbum, tem o vocal mezzo-grunge mezzo-beatles de Peter Morén com tecladinhos desincronizados e a excelente bateria. Em tempos de minimalistas, IDMistas e outros istas, conseguir criar texturas tão diversificadas e puramente sonoras em um trio de rock é a mostra clara da versatilidade da música inorgânica. Desligue seu Macintosh e perceba.
Assobio de volta em "Amsterdam", agora acompanhando de chocalhos e vocal sintético, pop puro! "Detects on My Affection" seria o Oasis em seu ápice, se eles fossem indies.
Pena que por mais brilhante que o PB&J seja, é difícil sair das amarras mofadas dos anos 60: Beach Boys, Beatles, psicodelia, hippies no princípio da era punk. Isso aflige várias das onze músicas do álbum: "Start to Melt", "The Chills", "Roll the Credits", "Poor Cow"... Então aproveite, liguei a música no repeat até você aprender os ups-and-downs do assobiozinho que acompanha "we don't care about the yooung fooolks.."
VÍDEO
O clipe de "Young Folks" é épico ao mostrar com estética certeira o sonho de qualquer indie. Uma animação retrata o encontro de um jovem e uma garota, ambos desconhecidos, que começam a conversar e se fascinam com a afinidade instantânea. No clipe, eles esticam até a casa do rapaz e gravam o assobio cantado no parque. Isso vira uma música, o bateirista pensa "It's a Hit!", os amigos fazem roda para ouvir...
O vídeo mostra em tons pastéis e calças jeans apertadas na canela como o PB&J conseguiu adivinhar o rumo que "Young Folks" viria a tomar.