Maria Antonieta
Sofia e Kirsten no set
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ficha técnica
Marie Antoinette (EUA, França, Japão. 2006)
Direção e roteiro: Sofia Coppola
Elenco: Kirsten Dunst, Jason Schwartzman, Marianne Faithfull, Judy Davis, Molly Shannon
Duração: 123 min.

Nota: 6 / 5
Ano: 2006
Selo: Sony Pictures
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Maria Antonieta
Com orçamento de US$ 40 milhões e um trófeu do Oscar de Melhor Figurino, obra de Sofia Coppola chega aos cinemas brasileiros.
16.03.07 15:55
De Sofia Coppola, chega aos cinemas o seu mais aguardado filme: Maria Antonieta.
A diretora estreou com As Virgens Suicidas em 1999 e tornou-se célebre pelas histórias delicadas. Com Encontros e Desencontros ganhou o Oscar de melhor roteiro, mas com o terceiro trabalho pode ser lembrada apenas como aquela cineasta da aventura adolescente embalada pelo rock do New Order. As músicas da trilha, que se espalharam igual à expectativa em torno do filme, são as melhores lembranças ao final dos créditos.

Kirsten Dunst está no papel da jovem austríaca que, arranjada num casamento de interesse entre seu país e a França, torna-se rainha precocemente graças à morte repentina do rei Luis 15, pai do seu marido, então príncipe herdeiro.
Isolada numa corte que é hostil a sua presença estrangeira, ela vive sob a pressão para dar à luz um filho que sele a união dos dois reinos. Solitária, casada com um marido distante, Maria Antonieta aproveita tudo o que pode oferecer o luxo da realeza, dedicando-se aos prazeres mais instantâneos para preencher o tempo: roupas, festas, sapatos, jogos e um amante.

Versalhes, Bastilha e a crítica

Contudo, ainda que nos melhores cenários e nos vestidos mais esmerados (que valeram o Oscar deste ano para melhor figurino) o desenvolvimento é tolo e nem a arquitetura e toda informação de moda seguram a atenção do espectador que não tem interesse específico por um desses temas.
Tudo é bastante belo, mas igual aos filmes que a muita violência anestesia o público, aqui a estética do exuberante também cansa.

A vida de Maria Antonieta perde o interesse e pouquíssimo é mostrado sobre o que acontecia na França fora dos limites da corte de Versalhes. Justifica-se a ausência dessas explicações se considerado que o espectador deva ter exatamente a mesma informação que tinha Maria Antonieta sobre o povo, que é nenhuma. Mas a seqüência final torna-se confusa quando o castelo é invadido e a rainha imóvel curva-se para a multidão na varanda do palácio. O que pensava àquele respeito, afinal? Do que sabia sobre a pobreza que o país enfrentava?
Poster em Cannes
Poster em Cannes

De qualquer maneira, a música é muito boa. Sofia, amiga do pessoal do Air - responsável pelas trilhas dos filmes anteriores - escolheu um combinado excelente de Siouxsie a New Order que dá às cenas toda a cadência necessária. Algumas até parecidas com as que já filmou Sthepen Frears (diretor de A Rainha), em Ligações Perigosas, também passado na França do século 18.

Em maio do ano passado, quando estreou no festival de Cannes, o filme foi mal recebido e só nos EUA houve crítica favorável. Por aqui, já se disse que a edição é bastante feminina. Realmente, mais mulheres saem satisfeitas do cinema. Talvez porque identifiquem o que passa na cabeça daquela rainha, sem que Maria Antonieta precise dizer. Mas não faria mal aos homens e às outras mulheres sem dons paranormais que o filme tivesse mais construção de diálogo. Aliás, na pré-estréia para essa resenha, a mais célebre frase "se não há pão, que comam brioches" apareceu traduzida para "comam bolo" em uma legendagem equivocada que levou o inglês "eat cake" ao pé-da-letra. Assim, ninguém ajuda.

Danilo Poveza
Danilo Poveza