Vários - The Sound of Chicago House / Acid Masters
Marshall Jefferson introduziu pianos no estilo
faça login para votar!
Enviar esse texto
login para votar!
  • Currently 0.00/5
Nota: 0.0 (0 voto)
login para votar!
ficha técnica
Nota: 8 / 5
Ano: 2007
Selo: Clearwater
Estilos: house, acid house, deep house
social bookmarks
Digg
Mugg
del.icio.us
Vários - The Sound of Chicago House / Acid Masters
Todo mundo deve tudo a esse sons pioneiros, agora disponíveis em MP3
16.03.07 22:40
Uma novidade recente no Beatport acaba de dar mais argumentos para os defensores do digital. Faz um tempinho que eles introduziram uma seção de clássicos e agora vastas partes de catálogos de selos históricos como Strictly Rhythm, Soma e Cutting estão lá para quem quiser comprar. Mas agora a brincadeira ficou especialmente gostosa. O selo Clearwater colocou à venda MP3s de mais de 40 faixas ancestrais de house, acid house e deep house, lançados originalmente por selos que se confundem com o próprio nascimento desses gêneros, como Trax e DJ International, ambos de Chicago.

Pode ser que os mais novos e desavisados não estejam entendendo muito a euforia mas é o seguinte: esse aqui é o DNA de tudo que se ouve hoje, sem esses singles de eletrônica de garagem, feitos em hardware de segunda mão por DJs de Chicago, em selos de fundo de quintal, estaríamos vivendo em outro mundo, onde não existiria John Dahlback nem Vince Watson nem Tiefschwarz, sem falar em tudo que veio antes, de Chemical Brothers a Prodigy.

Esqueça "o verdadeiro underground", esqueça "eu freqüento a cena há mais tempo que você", ISSO AQUI é o Gênesis. E, tirando alguns números mais conhecidos, boa parte desse material sempre foi um tanto trabalhoso de conseguir em vinil, mesmo como reprensagem, pior ainda nos originais (alguns valem uma fortuna! E olhe que muitas das prensagens da Trax tinham qualidade podre).

Enfim, em nome da democratização do conhecimento e da música, só há o que comemorar com a chegada desses MP3s, divididos em duas coletâneas: The Sound of Chicago House e Acid Masters.

HOUSE DE 1984!
Difícil saber por onde começar... então vamos pelo começo. The Sound of Chicago House traz a rústica "On and On", de 1984, que é reconhecida como o primeiro house da história. Ainda com resquícios de high energy/disco, prestes a decolar para um novo horizonte de bases eletrônicas cruas e repetitivas, onde o ritmo mecânico prevalece acima de tudo (os clapes e tom tons típicos da infância da house já estão aqui). Um equivocado remix 2004 também vem no pacote, mas pode passar que é bobagem.

O grande lance desses primeiros produtores de Chicago foi sua idéia de destroçar a disco até deixar só o esqueleto rítmico. Em cima disso, acrescentaram muito pouca coisa e algumas faixas são pouco mais que um groove com breves inserções de vocais sampleados. Um dos melhores exemplos disso é "No Way Back", de Adonis, que segura a onda nas pistas até hoje e é uma inspiração clara para muito do que se faz hoje com o nome de acid house.

Outro caso mega-conhecido é "House Nation", dos Housemaster Boyz. Analisando friamente, esse clássico se resume praticamente a um groove arredondado onde alguém fica disparando variações do sample "hau-hau-hau-ra-hau-hau...house nation". Analisando calorosamente é um míssil desgovernado na pista da dança que arrepia geração depois de geração de baladeiros. Nesse setor, tem ainda dois exemplos fabulosos: o erotismo sintético de "Baby Wants To Ride", parceria entre Frankie Knuckles e Jamie Principle e a tecladeira eufórica de "Can You Dance" do Kenny Jammin Jason.

(Parêntesis rápido: faltam faixas com "jack" nas coletâneas. Explicando melhor: a gíria mais típica dessa cena era "jack" ou "jackin'" - que queria dizer desde trepar até bombar na pista - e está em nomes de faixas essenciais como "Jack Your Body" (Steve 'Silk' Hurley), "Jack The Groove" (Raze) e "The Jack That House Built" (Jack'N'Chill). Senti falta de algum "jack" na seleção da Clearwater.)

AO PIANO
A medida que os produtores e DJs dessa fase foram ficando mais ambiciosos, a simplicidade e minimalismo logo passaram a conviver com produções mais sofisticadas, com vocais emotivos, elementos mais melódicos e arranjos mais trabalhados. Basta ouvir "Move Your Body", de Marshall Jefferson, oficialmente o primeiro house a usar pianos e que elevou os padrões musicais do gênero.

Logo surgia uma das primeiras subdivisões: o deep house de faixas como "Promised Land", de Joe Smooth, "It's Alright", de Sterling Void (que ganhou cover dos Pet Shop Boys) e a fenomenal "Your Love", de Frankie Knuckles e Jamie Principle, todas caracterizdas por vocais intensos e comoventes. Já "Can You Feel It", de Mr. Fingers, é deep instrumental tão bonito que aperta o coração até de um serial killer.

ACIEEEEED!
Em 1987, outra vertente (Há! Já existiu um mundo com apenas três vertentes de house; se eles soubessem onde isso iria parar...): acid house, basicamente house com uso da TB 303 por cima. É nisso que se especializa, obviamente, a coleção Acid Masters. A faixa inaugural do estilo é "Acid Tracks", do Phuture, uma levada bem simples com a 303 desenhando figuras derretidas por cima durante 13 minutos.

Com o estouro desse novo som na Inglaterra e Ibiza e o efeito lisérgico que os timbres "acid" produziam nas novos pistas, veio uma enxurrada de discos nessa linha. Alguns dos melhores estão nessa seleção: são produções como "This Is Acid", de Maurice, "Dreamgirl", do Pierre's Pfantasy Club (grafado erradamente no Beatport como Phuture Pfantasy Club), "Land of Confusion", do Armando, "Where's Your Child", do Bam Bam, e "Machines", do Laurent X.

Portanto, peneire as poucas tranqueiras (nem tudo era bom nessa época, claro, e tem uns remixes que são dispensáveis; exceção feita ao remix de Doc Martin para "Generate Power", do Photon Inc, que é legal, mas cadê a original?) e sente na primeira fila para uma aula magna na velha escola.

Camilo Rocha
Camilo Rocha (camilo @ rraurl.com)
Putz! Putz!