Kieran Hebden & Steve Reid - Tongues
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ficha técnica
Nota: 8 / 5
Ano: 2007
Selo: Domino
Estilos: experimental
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Kieran Hebden & Steve Reid - Tongues
Sai pela Domino o resultado da parceria entre o cérebro do Four Tet e o baterista de James Brown e Miles Davis
16.04.07 22:55
Pelo menos três pessoas me fizeram a infame pergunta/piada "o CD está riscado?" enquanto eu ouvia Tongues, da dupla Kieran Hebden, cabeça do projeto Four Tet, e Steve Reid, baterista veterano que já trabalhou com James Brown e Miles Davis. De fato, as viagens da dupla podem bater meio quadradas nos tímpanos de um ouvinte desatento, mas se alguém aparecer com essa conversa, desconfie.

Talvez a principal graça do álbum esteja em ouví-lo por inteiro – o que não é nenhum esforço graças a suas enxutas dez faixas de quatro minutos em média – e depois descobrir como ele foi produzido.

Ao contrário do que se possa imaginar de um disco saído das mãos de Kieren, famoso pelas suas colagens e edições insólitas no Four Tet, Tongues foi gravado de uma vez só, em uma jam session da dupla no famoso estúdio The Exchange, em Londres. As distorções bem colocadas e os arranjos desconcertantes foram todos feitos ao vivo, sobre a levada funkeada e sólida da bateria de Reid.

O disco começa tão normal que até engana. Como o nome sugere, "The Sun Never Sets" vem toda ensolarada, com uns acordes sessentistas calminhos que, quando menos se espera, dão lugar a um sintetizador esquizofrênico de rachar. A partir daí, o álbum é pura melodia barulhenta e experimental. A dupla consegue juntar samples dissonantes à bateria de Reid e tirar disso grooves gostosos de se ouvir, apesar de altamente perturbadores em alguns momentos.

"Superheroes" é definitivamente uma partida em um fliperama do Batman em curto-circuito, e "Our Time" um passeio nostálgico (e lisérgico) por uma loja de brinquedos e parafernálias antigas. Para um álbum que se propõe ser experimental, nada mais agradável que conseguir encontrar algum sentido em meio a tanta piração.

Tongues chama atenção por, mesmo sendo espinhoso, te dar aquela vontade de abrir a bandeja do CD player e colocar pra tocar mais uma vez. Nem que seja para atormentar o tradicionalismo de algum amigo seu.

Marcus Vinícius Brasil
Marcus Vinícius Brasil
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