Em seu novo álbum, a dupla mostra o porquê de não se considerar produtora de trance psicodélico
Pouco antes de sua última visita ao Brasil, o Infected Mushroom concedeu uma entrevista curiosa ao rraurl.com. "Nós não nos consideramos produtores de trance psicodélico", disse o israelense Erez Aizen durante a conversa. Ícones do psytrance, um dos gêneros mais populares na cena eletrônica brasileira, a dupla formada por Erez e Amit Duvdevani foi precursora e ajudou a definir o gênero. Se projetos mais recentes como VOID são bem sucedidos, é inegável que foi o Infected Mushroom que os ensinou o caminho das pedras.
Apesar da negação da psicodelia soar esquisita saída da boca de um deles, o contexto ajuda a entender. A entrevista foi dada às vésperas da turnê brasileira de divulgação do novo álbum da dupla,
Vicious Delicious, lançado pela gravadora BNE. Apesar de seu último trabalho,
I'm the Supervisor, já dar a dica do caminho mais pop que os israelenses estavam seguindo,
Vicious dá um passo muito maior nesse sentido.
Os primeiros indícios vieram com a divulgação, ainda no ano passado, do clipe da música "Becoming Insane". O vídeo começava com acordes de guitarra latinos, e Erez e Duvdev apareciam com pose de estrelas da MTV. Os vocais se sobressaíam muito mais que os sintetizadores, alguns cantados em espanhol, em um arranjo bem mais voltado para as rádios que para pistas.
BYE BYE PSYTRANCECom o álbum inteiro em mãos, dá pra entender melhor a afirmação de Erez.
Vicious Delicious é uma tentativa ousada de se descolar do rótulo que eles ajudaram a definir: o psytrance.
"Becoming Insane" abre seguindo a linha dos trabalhos anteriores, bem diferente da versão divulgada no videoclipe. Os sintetizadores têm presença mais destacada e o baixo britadeira soa soberano, como é característico da dupla. A mudança começa na segunda música, "Artillery". Batida com levada hip hop, baixo arrastado, ritmo completamente desacelerado e um vocal que lembra Linkin Park. Soa como se o Limp Bizkit tivesse chamado o Astrix para produzir seu disco.
O Infected de cara nova

A estratégia de misturar a antiga fórmula de sucesso linhas de baixo rápidas e timbres de fritar o cérebro com faixas mais lentas, com influência do rock e do breakbeat, segue pelo álbum todo. "Forgive Me" tem batida quebrada, ritmo bem funky e vocais filtrados por vocoder que lembra produções de house francês.
Em alguns momentos, a dupla derrapa na hora de desacelerar e o resultado soa deslocado. "In Front of Me", por exemplo, tem um vocal e um pianinho açucarados demais para estar em um álbum tão pesado. Já "Heavy Weight" exagera nas influências metaleiras com seus solos de guitarra intermináveis.
Nas músicas mais rápidas, a dupla não nega a larga experiência como produtores de trance. Apesar dos timbres soarem repetitivos em certos momentos (muitos já apareciam nos outros álbuns, principalmente no último), as viradas repentinas e as guitarras pesadas são daquelas que fazem qualquer fã de psy subir pelas estruturas. Se quando o ritmo é lento eles não acertam sempre, os antigos fãs podem ficar despreocupados. Quando o assunto é trance acelerado derretedor de pistas, os caras ainda não perderam a mão.