Razorlight - Razorlight
Banda inglesa faz tudo certinho demais e não empolga.
22.05.07 00:50
Sabe quando você pergunta se uma mulher é bonita e alguém responde "ah, ela é bem simpática"? Então. É mais ou menos o caso do Razorlight. Eles vendem muito, ficam lá em cima nas paradas britânicas, abrem pra bandas grandes (até os Stones já os chamaram) são bonzinhos - tocam em shows beneficentes e vivem
doando objetos pra leilões de caridade...no final das contas você pode até acabar torcendo pra que eles sejam bons. Mas...
O segundo disco, que leva o mesmo nome da banda, foi lançado ano passado, mas só agora chega ao Brasil, pela Universal. O público inglês adorou, e eles chegaram a ficar no primeiro lugar da parada britânica uma semana depois do lançamento. A crítica, pelo jeito, parou de pegar no pé com as (injustas) comparações com Strokes e afins e também aprovou. A revista Q chegou até a dar sua nota máxima.
Mas, descontando a tradicional empolgação inglesa, o que sobra? Ruim o disco não é, mas, talvez pior que isso, é comum demais. Ou, embora eles sejam ingleses (com um sueco na guitarra), americanamente comuns demais, se é que dá pra entender. Fazem tudo certinho, colocam os solos e refrões nos lugares onde eles deveriam estar, dão aquela "piradinha" nos vocais de vez em quando... mas nunca arriscam.
"In the Morning", a música que abre o disco e é o primeiro single, tem um refrão eficiente e até faz crer que o CD vai empolgar. A faixa seguinte, a bonitinha e grudenta "Who Needs Love?" mantém a esperança com sua levada meio balada antiguinha, pianinho, corinho...mas lá pra quarta faixa, "America" (que, diz a lenda, foi composta propositalmente pra "agradar" o público americano) começa a ficar complicado. Difícil apontar qualquer outro destaque até o final do disco, a não ser talvez por "Los Angeles Waltz", que não chega ao nível das duas primeiras, mas também está um pouco acima das outras faixas.
Se a intenção é repetir o sucesso de Up All Night, de 2004, que vendeu um milhão de cópias, eles até podem estar no caminho certo. Mas se a vontade era evoluir... desculpa aí, gente, mas não foi dessa vez.
A edição brasileira do CD vem com um bônus: ao colocar o disco no computador, é possível fazer o download de "Somewhere Else", até hoje o single de maior sucesso da banda, que aparece apenas na segunda edição do primeiro álbum. E que, maldade à parte, foi eleita recentemente pelos ouvintes do Marc Riley's Music Show, da BBC6, a terceira pior letra pop.