O que seria melhor do que um festival de música bem organizado, com gente interessante e lineup de primeira? Só se ele acontecesse em uma bela praia, em pleno verão. Não, não é sonho. Esse festival é o Fib, ou Festival de Benicassim, pequena cidade ao sul da Espanha, próxima a Valência, cuja população de cerca de 14 mil habitantes triplica com a chegada dos 30 mil fanáticos por música e sol.
Em sua 13ª edição, ocorrida entre 19 e 23 de julho, o Fib atraiu gente de todo o mundo, em especial os ingleses, que procuram algo diferente de seus ótimos festivais, porém sempre debaixo de muita chuva e sobre muita lama. Neste ano, um detalhe especial e tendência dos novos tempos: a volta de grandes nomes do passado tocando lado a lado com as grandes novidades da new rave.
NOITE DE ABERTURAPraia de Benicassim

A festa começou com a presença estrondosa de Iggy Pop e Stooges. O Iguana, como não poderia deixar de ser, enfeitiçou a todos com sua energia punk e sexual. Vestia apenas uma calça jeans justíssima, já conhecida por aqueles que assistiram a seu show em São Paulo, em 2005. Assim como em SP, Iggy chamou o público ao palco para cantar com ele "No Fun". Mas, se no Brasil foi relativamente fácil para os seguranças mandarem os fãs de volta à platéia, em Benicassim foi praticamente impossível controlar a turba ensandecida. Todos voltaram aos seus lugares, como aprendizes seguindo o grande mestre, apenas quando o próprio Iggy pediu "Easy, babies, easy".
PRIMEIRO DIANos quatro diferentes palcos era possível ver The Rapture, Rufus Wainwright, Vitalic, Nouvelle Vague, The Horrors, Devo, Digitalism, Klaxons, dentre outros. Mesmo com tantos talentos, os Klaxons foram, sem dúvida, o destaque da noite. Apesar do atraso de quatro horas devido às más condições do tempo que quase impediu o vôo vindo da Inglaterra e da conseqüente mudança para um palco menor, os três garotos de Londres chegaram com tanta energia que se pode dizer que eles não entraram no palco, mas "estouraram".
Se o conceito de new rave é bobagem ou não, não importa. O que importa é que os Klaxons, que deram nome a essa onda fluorescente, brilham de verdade.
Phil Oakey, do Human League

SEGUNDO DIAOs Mutantes, Human League, B-52's, Fischerspooner e Arctic Monkeys foram as principais atrações. Os Mutantes tocaram cedo, para uma tenda ainda não cheia de espectadores, mas seguramente cheia de jornalistas. Sérgio Dias chegou tenso, se desculpando antecipadamente por algum eventual problema, já que o baixista oficial permaneceu no Brasil por problemas renais. Mas com o desenrolar do show, a banda acertava e se soltava cada vez mais, até que um largo sorriso não saía mais dos rostos de Sérgio Dias e Zélia Duncan. Ao final, foi impagável ver Arnaldo Baptista fazendo dez flexões de braço. Promessa?
Inesquecível também ver Human League roubando parte da platéia das estrelíssimas Arctic Monkeys, que começavam a tocar no palco ao lado, pois muita gente se negava a deixá-los antes de ouvir o hit "Don't You Want Me". Para fechar a noite, só faltava o impossível acontecer: Fischerspooner cantando sem nenhuma produção. E foi o que ocorreu, depois da companhia aérea ter perdido 400 Kg de seu equipamento. Mas o profissionalismo não impediu que eles se apresentassem, mesmo com "roupas de ficar em casa".
TERCEIRO DIAÚnico dia em que dois grandes nomes tocaram ao mesmo tempo, Amy Winehouse e Clap Your Hands Say Yeah. Como sempre existe o risco da srta. Wine não aparecer porque encheu a cara, a opção mais segura seria pelos segundos. Amy compareceu ao show, sem atrasos (uau!), mas Clap Your Hands recebeu o troféu de show com melhor energia positiva e mais alegre de todo o festival. E depois de ouvir Simian Mobile Disco e Muse, restava ir embora pensando o que nos darão de presente no próximo ano.