Chromeo - Fancy Footwork
Dupla canadense inventa um novo subgênero: electro cafajeste
27.07.07 19:30
Senhoras e senhores, pode ser que estejamos assistindo aqui à inauguração de um novo sub-gênero musical: o electro cafajeste. Afinal, aqui temos dois caras que só pensam e falam de mulher e que não tem medo de escancarar um jeito brega de ser. Sua música é a condensação sonora de uma "feishta" no apê onde rola Prince antigo, Zapp, Rick James, Cameo (homenageado até no nome), Daryl Hall & John Oates e Klymaxx, entre outros synth-grooves dos anos 80.
O Chromeo oferece mais uma daquelas injeções de humor que a cena (pop ou eletrônica) precisa quando fica muito obcecada em salvar o mundo ou ser Grande Arte. De cara, seu release proclama que são "a única parceria árabe-judia bem-sucedida do mundo", referência às origens de Pee Thugg (Patrick Gemayel) e Dave 1 (David Macklovitch).
Apadrinhados por Tiga (que, assim como a dupla, é de Montreal, Canadá), o Chromeo mandou um promissor álbum de estréia, She's In Control, em 2004. Nele havia o sensacional hit cult, "Needy Girl", sobre uma namoradinha carente que não deixa o cara trabalhar em paz no estúdio.
Este seu segundo álbum segue a mesma trilha: climas animados, sonoridades do tipo "nossa isso me lembra (inserir electro-funk-pop 80 de sua escolha)", muito (mas muito) vocoder, excelente uso de sintetizador analógico e batidas firmeza, tudo permeado por um certo ar canastrão.
Como tudo que pilha o passado sem medo de ser feliz, o que é genial e bem sacado para uns vai soar cafonérrimo para outros. A guitarra que introduz "Bonafied Lovin'" lembra rock-baba na linha Styx/Journey, do tipo que aparecia em comerciais do cigarro Hollywood, enquanto que o teclado de "Momma's Boy" lembra muito "The Logical Song", do Supertramp. Para mim, fora de seu contexto original de gosto duvidoso, se tornaram o equivalente auditivo do tênis iate quadriculado, ou seja, viraram estilosos.
O Chromeo aparece em sua melhor forma em faixas vivas como "Fancy Footwork", "Opening Up", "Call Me Up" e "Bonafied Lovin'" que combinam perfeitamente o charme retrô com uma boa canção e um suingue esperto. Outras, como "Tenderoni" e "Outta Sight", apesar de timbres bacanas, soam um tanto sem graça, com suas melodias e vocais pálidos.
Fancy Footwork é, assim, um álbum que quase chegou lá. O potencial mostrado por seu funk digital, orgulhosamente bagaceiro, acabou sendo um pouco prejudicado por alguns passinhos de dança descoordenados.