RRAURL 10 ANOS: Uma década de festas, raves, festivais, farras...
Clau Assef escolhe suas melhores dos últimos dez anos
31.07.07 22:25
Alguns eventos nos ajudam a fazer da memória uma coisa mais concreta, palpável, com cores vivas e cheiros marcantes. E, se você é leitor assíduo do Rraurl, uma coisa a gente deve ter em comum: você provavelmente se situa no tempo através de memórias musicais, ou seja, do registro mental de shows, festas, noites e festivais inesquecíveis que ajudam a marcar época.
Você se lembra do seu primeiro endereço de e-mail? O meu era... ai, como era mesmo? Tinha o meu nome e... um número... Tá, não lembro.
E do seu primeiro show? Aposto que você se lembra! E da primeira rave, então? Ninguém aqui perguntou se você se lembra de detalhes da rave mas, não é incrível como os registros destes eventos ficam vivos na cabeça?
Já que estamos celebrando os 10 anos deste que vem se firmando cada vez mais como o melhor site de música contemporânea do Brasil, pensei em listar 10 grandes momentos que presenciei neste período e que o rraurl registrou em suas páginas virtuais.
1997 >> No ano do nascimento do rraurl, uma noite do Free Jazz Festival (atual Tim) entrou para a história não só pra mim, muitos DJs que já entrevistei citam este mesmo show como memorável. Fazia um calor desgraçado dentro do Palace (hoje Direct TV Hall), e a multidão, que parecia avolumar o dobro da capacidade do lugar, se descabelava ao som do Jamiroquai. Depois do show, um cara subiu ao palco e começou a cantar uma espécie de rap sobre uma base quebrada e muito rápida, costurada por um baixo explosivo. Era o Goldie. De repente, o Palace virou um clube, e os poucos que ficaram ali transformaram a casa de show num verdadeiro inferninho.
1998 >> Na noite de 12 de junho, o clube Lov.e abria suas portas e começava a desenhar a história mais longeva de um clube de música eletrônica no país. O lado gourmet da boate, que no início abria cedo e servia massas e saladas, manteve-se vivo com o lovely breakfast café da manhã (bem) servido de graça aos freqüentadores, a partir das 5h, fofice que eu nunca vi se repetir em nenhum clube do mundo. Até hoje, o clubinho segue firme, na rua Pequetita, agora com o cabaré Loveland como anexo.
1999 >> Com abertura do DJ Patife, o show da dupla Chemical Brothers no Via Funchal, em São Paulo, tirou a tampa da cabeça de muita gente. O lugar estava simplesmente entupido de gente. Foi a primeira vez que pensei que a música eletrônica iria finalmente vingar no Brasil. Lembro de ter encontrado vários amigos horas antes do show, à tarde, numa Levi's patrocinadora que serviu de ponto de venda quando fui comprar meu ingresso.
2000 >> O primeiro Skol Beats veio com gostinho de festival gringo, com suas tendas espalhadas pelo bucólico terreno do Autódromo de Interlagos. A estréia foi fina, teve Frankie Knuckles, Stacey Pullen e Green Velvet entre os importados e, do time brasileiro, Mau Mau, Marky, Noise, Camilo Rocha, Andy, Pareto... Este Skol Beats foi realmente inesquecível pra mim: quando ia de uma tenda pra outra, caí numa cratera no gramado esperta, tentava fazer um atalho e torci o pé.
2001 >> A Parada da Paz, com a então prefeita Marta Suplicy emocionada falando ao microfone, foi muito divertida. Lembro do povo gritando pra prefeita: "Cadê o Supla?, cadê o Supla?".
2002 >> Abertura do Susi in Transe da rua Aurora. Não sei pra você, mas, pra mim, foi o lugar mais próximo do centro da terra que já frequentei. Acho até que aquele cheirinho no ar era de magma. Ou era catuaba? Só sei que os DJs pouco ligavam pra tosquice: tocavam lá por diversão, brodagem ou por puro amor à causa. Pagando um cachê que mal dava para pagar um táxi, fiz festas lá com Marky, Renato Cohen, Noise e até a Ellen Allien no som! Também naquele ano, conheci duas festas de rua que me marcaram muito: a REACT, do DJ Mimi, e a UFO, ambas gratuitas, em São Miguel Paulista. Mesmo com tão pouco, os caras faziam festas lindas, com line-up de gente grande.
2003 >> Festa de lançamento do meu livro, "Todo DJ Já Sambou", na pracinha ao lado da Fnac e, depois, no Lov.e. Dois momentos de confraternização absoluta entre DJs de várias gerações. Nas duas festas, consegui escalar pra tocar Tony Hits, Gregão, Magal, Camilo Rocha, Noise, Mau Mau, KL Jay, Marky, Andrea Gram, DJ Hum, Sylvio Muller e o primeirão, seu Osvaldo Pereira, naquela época com 70 anos completos. Foi fofo ver a total ausência de intimidade daquele senhor apaixonado por música com o fone de ouvido na época dele, anos 50/60, DJ tinha que ter boa mira e conhecer o disco inteiro, porque fone, não tinha.
Também memorável é o Lov.e por São Paulo, série de festas que percorreu bairros periféricos da cidade, realizada em parceria entre a Prefeitura e o Lov.e. E, claro, também teve a extensa e fervida semana de de inauguração do D-Edge, clube que ajudou a subir padrões de qualidade das boates (programação, iluminação, som) do país ou a notar o enorme abismo entre elas.
2004 >> Tim Festival matador foi o de 2004. No line-up, tinha de tudo um pouco, e tudo muito bom: Kraftwerk, PJ Harvey, Soulwax/2Many DJs, Kid606, The Mars Volta, Pet Sho Boys, Primal Scream, Bebel Gilberto, Mau Mau, Cansei de Ser Sexy... Entrou pra história.
2005 >> A festa Delírio, no Rio de Janeiro, com Derrick Carter. A vista mais absurda ao som do DJ mais absurdo. Só podia dar no que deu. Quem foi sabe...
2006 >> Finalmente ver os dinossauros do Underworld de perto foi muito bom!
2007 >> O ano está fervendo, com ótimos discos lançados, mas até agora nenhuma atração que tenha me feito sair de casa com um frio na barriga extra. Teve a divertida festa com a Ellen Allien tocando no D-Edge, que marcou não só porque ela toca bem, mas porque sabe não se levar muito a sério... No quesito inédito, amei ver o norueguês Prins Thomas eu vi no Lov.e, mas dizem que ele tocando na Moo (Rio) foi maravilhoso.
Obviamente muitas noites importantes ficaram de fora desta lista, porque, como eu disse, são apenas memórias pessoais, sujeitas a incorreções inclusive. Que venham mais dez anos de muitas noites, DJs, farras e apresentações inesquecíveis. E espero sempre contar com o rraurl pra me ajudar a lembrar delas depois. Aos amigos do QG, meus sinceros parabéns! :)
Claudia AssefClau é autora do livro Todo DJ Já Sambou, trabalha como editora de internet, toca discos por aí e prefere tintos suaves, mas potentes.
eu conheço a GAIA desde quando ela era gótica ! rsss.
bjs !