False - 2007
faça login para votar!
Enviar esse texto
login para votar!
  • Currently 0.00/5
Nota: 0.0 (0 voto)
login para votar!
ficha técnica
Nota: 7 / 5
Ano: 2007
Selo: M_nus
Estilos: techno abstrato, minimal, ambient
social bookmarks
Digg
Mugg
del.icio.us
False - 2007
Matthew Dear despeja techno abstrato em seu novo disco
01.08.07 20:25
O grande desafio para um produtor de minimal sempre foi conseguir emocionar. Mesmo que a proposta do gênero esteja mais para o lado do transe e do torpor mental, ser capaz de arrancar calafrios da espinha de alguém usando apenas cliques e uma variedade estreita de timbres faz de gente como Ricardo Vilallobos verdadeiros heróis. E quando se fala em atos heróicos e minimal techno, não há como evitar o nome do produtor norte-americano Matthew Dear, mais precisamente seu pseudônimo False – através do qual ele acaba de lançar o álbum 2007, pelo selo M_nus, de Richie Hawtin.

Com uma freqüência sobre-humana, Dear tem despejado uma quantidade espantosa de material no mercado. 2007 saiu pouco tempo depois de Asa Breed, assinado com seu nome verdadeiro e embalado também pelos lançamentos do pseudônimo Audion. False é o projeto menos acessível do norte-americano, através do qual ele abusa do techno minimalista abstrato e da ausência de fórmulas convencionais.

PARA OUVIR NO FONE
Antes de mais nada, 2007 foi feito para ser ouvido em um sistema de som apropriado – de preferência em um fone com fartura de graves. Se você não confia nas suas caixas, melhor esperar para ouvir outra hora, já que a experiência não vai passar de uma sessão repetitiva de estalos e momentos primorosos serão perdidos. O baixo de "Disease/George Washington" fazendo o tímpano latejar (é sério, pode conferir) e a tensão crescente na bateria ao final de "Fed on Youth/HLM/DLG" são alguns deles. Outra recomendação é deixar para lá outros afazeres e mergulhar de cabeça na viagem de Dear – o prazer desse disco está em aproveitar alguns momentos do seu dia para esquecer da vida e se deixar levar pelas sutilezas hipnóticas do álbum.

As faixas de 2007 são contínuas e muitas vezes dão a impressão de terem sido divididas de maneira errada, principalmente quando a melodia muda bruscamente no meio da música ou se mantém idêntica mesmo um minuto depois da faixa ter mudado. Ao invés de usar linhas de baixo marcadas ou sintetizadores estridentes, todos os elementos parecem dividir um mesmo espaço delimitado por linhas de força invisíveis. Os arranjos de 2007 fazem lembrar as engrenagens de um motor espectral, cuspindo graves e agudos pelo ar enquanto marcha em direção ao desconhecido.

Todo esse abuso de elementos fantasmagóricos e o equilíbrio até exagerado entre os instrumentos têm um preço que False parece não se importar em pagar. Seu novo trabalho não emociona e pode ser chamado até mesmo de frio, mas agitar emoções passa longe de ser o objetivo do álbum, como fica claro do momento em que as primeiras texturas vão surgindo vagarosamente em "Indy 3000" até as derradeiras colagens sonoras de "Forgetting".

2007 é uma boa trilha sonora para momentos de reflexão ou chapação pura e simples. E se valer uma última recomendação, evite ouvir o disco antes de dormir – as reverberações alucinadas de False podem ficar ecoando dentro da sua cabeça por mais tempo que você gostaria.

Marcus Vinícius Brasil
Marcus Vinícius Brasil
twitter.com/marcvs e myspace.com/shfters