Midnight Juggernauts - Dystopia
Trio de Melbourne faz releitura do synth-rock oitentista em seu debut
15.08.07 15:45
Se você quiser ouvir música boa nos dias de hoje, um bom macete é virar os ouvidos para a Austrália. De uns tempos pra cá, a terra dos marsupiais peludos tem plasmado uma geração vibrante de bandas que mistura rock, synth-pop, space-disco e electro. Dos artistas derivados desse caldo com sabor oitentista e influência flúor européia, o grupo de Melbourne Midnight Juggernauts responde pelo título de maior promessa.
O álbum de estréia do trio, formado por Andrew Szekeres, Vincent Heimann e Daniel Stricker, acaba de sair pela Siberia Records e já é um dos melhores lançamentos desse ano. Além de possuir músicas incríveis, Dystopia é um trabalho proporcional, com proposta bem definida e com um começo tão bom quanto seu final.
Os Juggernauts pariram um disco sem buracos, irregularidades ou experimentações sem propósito quase CDF. Tem início, meio e fim bem delineados, tem um tema central que liga todos seus elementos da arte de capa ao título das músicas e os arranjos são pé no chão. O resultado é um trabalho extremamente coerente, sem escorregões. Em outros termos, é um daqueles discos que você pode relaxar e escutar da primeira à última faixa sem medo de se aborrecer ou ficar entediado com aquela música pentelha que foi incluída só para encher lingüiça.
Dystopia fala sobre viagens espaciais, galáxias distantes e outras dimensões. As incríveis "Into the Galaxy", "Road to Recovery" e "Shadows" têm linhas melódicas emprestadas dos anos 80, num synth-pop repaginado que poderia servir de trilha sonora para as derradeiras cenas psicodélicas de 2001 - Uma Odisséia no Espaço. São resquícios siderais do trabalho de artistas como Human League e Giorgio Moroder, que depois de passarem uma longa temporada vagando por buracos negros e galáxias perdidas, voltaram para a atmosfera terrestre.
A faixa que dá título ao álbum é uma balada de emocionar. Com sintetizadores e acordes de violão embalando os vocais, só peca por ser curta demais. "Tombstone", conhecida de quem já acompanhava a banda há algum tempo, tem vocais filtrados por vocoder e roupagem mais pop, enquanto "Twenty Thousand Leagues", onde o vocalista é possuído por David Bowie, deixa o melhor para o final: uma epilepsia sonora que mistura sintetizadores frenéticos e bateria fora de controle.
A força com que o trio de Melbourne está emplacando sua fórmula é tão grande que ele conseguiu dar novas cores a um gênero que parecia comercialmente esgotado há 20 anos atrás. Em diversos aspectos seja pelo apelo das músicas ou pela proeza de fazer um álbum com um propósito tão obstinado Dystopia faz dos Midnight Juggernauts uma das novidades mais empolgantes de 2007.
Não consigo parar de escutar esse álbum, realmente é fantástico! Recomendadíssimo....