Midnight Juggernauts - Dystopia
faça login para votar!
Enviar esse texto
login para votar!
  • Currently 0.00/5
Nota: 0.0 (0 voto)
login para votar!
ficha técnica
Nota: 9 / 5
Ano: 2007
Selo: Siberia
Estilos: synth-rock, electro-rock, space disco
social bookmarks
Digg
Mugg
del.icio.us
Midnight Juggernauts - Dystopia
Trio de Melbourne faz releitura do synth-rock oitentista em seu debut
15.08.07 15:45
Se você quiser ouvir música boa nos dias de hoje, um bom macete é virar os ouvidos para a Austrália. De uns tempos pra cá, a terra dos marsupiais peludos tem plasmado uma geração vibrante de bandas que mistura rock, synth-pop, space-disco e electro. Dos artistas derivados desse caldo com sabor oitentista e influência flúor européia, o grupo de Melbourne Midnight Juggernauts responde pelo título de maior promessa.

O álbum de estréia do trio, formado por Andrew Szekeres, Vincent Heimann e Daniel Stricker, acaba de sair pela Siberia Records e já é um dos melhores lançamentos desse ano. Além de possuir músicas incríveis, Dystopia é um trabalho proporcional, com proposta bem definida e com um começo tão bom quanto seu final.

Os Juggernauts pariram um disco sem buracos, irregularidades ou experimentações sem propósito – quase CDF. Tem início, meio e fim bem delineados, tem um tema central que liga todos seus elementos – da arte de capa ao título das músicas – e os arranjos são pé no chão. O resultado é um trabalho extremamente coerente, sem escorregões. Em outros termos, é um daqueles discos que você pode relaxar e escutar da primeira à última faixa sem medo de se aborrecer ou ficar entediado com aquela música pentelha que foi incluída só para encher lingüiça.

Dystopia fala sobre viagens espaciais, galáxias distantes e outras dimensões. As incríveis "Into the Galaxy", "Road to Recovery" e "Shadows" têm linhas melódicas emprestadas dos anos 80, num synth-pop repaginado que poderia servir de trilha sonora para as derradeiras cenas psicodélicas de 2001 - Uma Odisséia no Espaço. São resquícios siderais do trabalho de artistas como Human League e Giorgio Moroder, que depois de passarem uma longa temporada vagando por buracos negros e galáxias perdidas, voltaram para a atmosfera terrestre.

A faixa que dá título ao álbum é uma balada de emocionar. Com sintetizadores e acordes de violão embalando os vocais, só peca por ser curta demais. "Tombstone", conhecida de quem já acompanhava a banda há algum tempo, tem vocais filtrados por vocoder e roupagem mais pop, enquanto "Twenty Thousand Leagues", onde o vocalista é possuído por David Bowie, deixa o melhor para o final: uma epilepsia sonora que mistura sintetizadores frenéticos e bateria fora de controle.

A força com que o trio de Melbourne está emplacando sua fórmula é tão grande que ele conseguiu dar novas cores a um gênero que parecia comercialmente esgotado há 20 anos atrás. Em diversos aspectos – seja pelo apelo das músicas ou pela proeza de fazer um álbum com um propósito tão obstinado – Dystopia faz dos Midnight Juggernauts uma das novidades mais empolgantes de 2007.

Marcus Vinícius Brasil
Marcus Vinícius Brasil
twitter.com/marcvs e myspace.com/shfters
comentários
roseven
roseven(10.12.07)
0AprovadoQueima
resenha que eu fiz em: http://eupodo.com.br/2007/12/09/dystopia-midnight-juggernauts/
Cara, excelente resenha!
Não consigo parar de escutar esse álbum, realmente é fantástico! Recomendadíssimo....