Produtor de música experimental se apresenta no Rio e em São Paulo
15.08.07 22:35
Ele se veste como um dandy do século 19, seu nome homenageia uma lenda grega, sua casa fica na Califórnia, ele lança pela Ninjatune (selo do Coldcut) e maceta melodias pop com beats e barulhos de IDM. Seu último álbum se chama Exquisite Corpse.
Ao vivo, as peculiaridades continuam. Daedelus opera um bizarro controlador com centenas de botões que disparam e modulam sons e o resultado é intenso, para dizer o mínimo. Quando esteve aqui há alguns meses atrás arrebatou platéias no Rio e em São Paulo. Esta semana ele volta para apresentações no projeto Multiplicidade (16/8), no Rio de Janeiro, e no Studio SP (18/8), em São Paulo.
Como é o Daedelus ao vivo?
Eu sou sortudo por usar uma máquina bem interessante para fazer música ao vivo chamada Monome. Ela me permite improvisar, reagindo rapidamente às mudanças do público. Para a noite no Rio, eu planejo usar ritmos de orquestra e dançantes, mas nada amarrado, então eu só posso adivinhar onde a noite pode nos levar.
Você pode explicar como funciona esse controlador que usa?
O Monome é um sampler/seqüenciador (e mais) que funciona com um computador. Ele tem toda a flexibilidade de um laptop sem precisar daquela situação sem graça de uma pessoa encarando um monitor. Construído por um amigo meu muito esperto chamado Brian Crabtree, é como uma mini-orquestra com infinitas possibilidades, ou um sampler que continua se expandindo. Simples assim, mas bem viciante.
Eu vi no seu MySpace que sua agenda está extremamente ocupada nos próximos meses. O que você faz para não ficar exausto e manter a saúde?
Acho que o segredo é se concentrar nos aspectos positivos de uma turnê. Conhecer pessoas novas, comer comidas interessantes, ter noites maravilhosas vestido como um dandy vitoriano. Eu tento evitar drogas pesadas, maluquices de backstage e comer porcarias que tornam a viagem cansativa rapidamente. Tocar fora é um trabalho difícil, mas eu me sinto gratificado pela chance de viver a vida de músico.
Você lançou em muitos selos diferentes. Tem algum favorito?
Acho que todo selo que eu tive a sorte de trabalhar tem suas próprias características, pontos fortes. Eu estou lançando discos pela Ninjatune, com quem tive um excelente ano. Para mim é um selo de dance music que extrapola limites e expectativas. Outro selo é o Plug Research, de Los Angeles, que tem um suporte emocional bem inovador para a música eletrônica e o hip hop. Há muitos outros e eu não vou te encher aqui com eles, mas cada um é diferente.
O que está no forno em termos de lançamentos e projetos?
Muito em breve lançarei um EP com material inédito intitulado Fair Weather Friends no Ninjatune. Esse vai ser meu disco mais minimalista até hoje. E depois um LP chamado Love To Make Music To sairá em 2008. Tem também meu projeto The Long Lost que eu faço com minha esposa, mas esse não é um exemplo de minhas produções simplesmente com os vocais dela, pois cada faixa foi criada por nós dois no estúdio e é quase completamente acústico. Além disso, um pouco de disco misteriosa e remixes, remixes, remixes.
Que mais e mais gente ofereça estas sonoridades em SP e Brasil!!!