Switch
O propulsor de hits Dave Taylor é o novo produtor predileto de M.I.A
24.08.07 19:10
Já ouviu o novo CD da M.I.A? Esqueça o Diplo, um dos karmas da anglo-cingalesa é ser associada a ele e, na real, o cara nunca fez nada demais (leia no link no pé da matéria uma polêmica entrevista dela sobre o assunto). No recente Kala quem deu as cartas na produção não foi nem Diplo e Timbaland, mas sim Dave Taylor, um tímido inglês careca e ruivo, conhecido como Switch. Mas até você que não quer saber de M.I.A, só de "música eletrônica de verdade", já ouviu falar dele ou dançou ao som de algum trabalho seu.
David a.k.a. Switch personaliza como produtor e excelente remixador o bom momento da nova house britânica, a tal "fidget house" (house pentelha, inquieta), uma criação oriunda da perifa londrina que mistura funky house com as negritudes do grime, dubstep, hard rap e afins. Trata-se de groove houseiro entrecortado pela preciosa manipulação de samples, cuts e distorções, que viram loops e breaks a empurrar o ânimo da house para uma estratosfera de distância daquele tech-house safadinho e puramente 4x4 do começo da década (Eddie Richards, Azad Rizvi e similares).
Bom exemplo é a versão dele para "Bump", do Spank Rock, um dos melhores remixes de 2006, jóia da polpuda remixografia de Switch: Lily Allen, Les Rythmes Digitales, Basement Jaxx, Chemical Brothers, P. Diddy, Nine Inch Nails, Hot Chip, Lady Sovereign, Mika, DJ Mehdi, Simian Mobile Disco e Klaxons são alguns dos nominhos que cederam seus layers musicais para Dave. Outro destaque é o remix de "I Believe", do Simian, um baltimore club descontrol, melhor que o original; "Hey U", do Basement Jaxx, tão macumba que vira quase bate-cabelo, e a versão esquisitona para "Golden Skanks" do Klaxons, que não agradou muito a banda inglesa e nem foi lançada, mas mesmo assim computa quase 1500 audições no Last.fm. Ah, a internet...
BOOTY NEW RAVE?
O Switch, aliás, é o queridinho do Simian Mobile Disco, "Brick N Lace", "Just Bounce 2 This" e a insana "A Bit Patchy", um dos melhores samples já feitos a partir de "Apache" da Incredible Bongo Band, tocam bastante nas decks dos dois James ingleses. Juntando os artistas similares (Sinden, Herve, Jessé Rose) e outros etnismos (funk carioca, breakz, kuduro), é praticamente 100% do set do SMD. Seria então Switch o lado mais booty da (ai...) new rave?
Esse belo networking do Switch ajudou a bombar seu nome, já que suas produções são poucas apesar de certeiras. Foi a amizade com Diplo rendeu o contato com M.I.A, a qual ele já produz desde Arular (2005), onde ele apitou nos hits "Bucky Done Gun" e "Pull Out The People". Como networking sozinho não enche barriga, Switch foi escolhido para produzir nove de doze músicas de Kala pela destreza em fundir beats distintos e por seu conhecimento in loco de Índia e Caribe, temas da cantora. Até na Jamaica o cara foi parar, para gravar um disco de dub com Diplo. Alguém ainda está falando em Timbaland?
Tem-se aí então um microcosmo-2007 da cena londrina em torno de Switch, abrangindo grime e imigrantes do East End, new rave de Simian Mobile Disco e Klaxons, house music da Fabric (ele é residente de lá) e outros DJs/produtores como Herve e Sinden, atrações do TIM Festival. O Switch, aliás, é ausência feia no festival, pois fecharia lindamente a trinca perfeita dessa safra de DJs britânicos.
Mas numa época onde não há fronteiras é injusto limitar o Switch à cena do Reino Unido. O cara remixou os americaníssimos P. Diddy e Nine Inch Nails, e seria injustiça não associar seu som à house music americana de Illinois e aos breaks grooveados do sul dos EUA (ghetto, baltimore club, crunk e afins). E se olharmos em retrospectiva aqui nos trópicos, o som dele seria similar ao que chamávamos de "jamanta", polêmicas a parte. "Get Ya Dub On" (2003), a primeira faixa do Switch, tocou muito, de Marcos Morcerf a Renato Cohen.
HOUSE MUSIC
Fidget house ou não, Dave Taylor espuma corações houseiros há tempos. Macaco velho do gênero com seu prolífico projeto Solid Groove, alcunha há quase dez anos (não tem nada a ver com o selo Solid Groove de Aubrey) e fonte do hitaço "This is Sick" (2005) e "Red Hot", uma bela parceria com Sinden do ano passado, batidas que pipocaram em pistas do mundo inteiro.
Ele ainda atende como A. Brucker (produtor e remixer), Modeler (house mais abstrata, "Mint Condition" foi hi também) e o ótimo Induceve, que pode ser tanto um ghetto com groove arrebenta-cintura ("Time To Begin" e "Warehouse Shit"), como um deep. "Why Burn", apesar de todo o chill, toda a alma lounge, ainda tem lá no fundo uma rasgadinha distorcida ao contrário, que vai levar o seu ombro para o sentido oposto da mão estalando e do pé batendo no chão. Switch, Modeler, Induceve, tanto faz, pois a alma da música de David Taylor é essa, sempre.
Quem é: David Taylor
Como é: House gordo, pulsante, booty bass, quebrado e distorcido. Samples e cuts viram loops numa base acelerada no ponto para não atrapalhar o groove
O que ouvir: Como Switch: "A Bit Patchy", "Get Ya Dub On" e "Get On Downz"; como Modeler: "Mint Condition"; como Induceve: "Warehouse Shit", "Why Burn"
Para quem gosta de: Simian Mobile Disco, M.I.A, Spank Rock, booty bass, house, fidget house, "jamanta", baltimore club, groovy, funk carioca, pista lasciva, Basement Jaxx, grime, new rave, flat beat
aqui em bh te uma turma louca por esse som e sabem os nomes..e uma outra que dança e nao tem noçao de nada.
Sou fã e toco varias ha um tempao.
:)