Modeselektor - Happy Birthday
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ficha técnica
Nota: 8 / 5
Ano: 2007
Selo: BPitch Control
Estilos: techno, crunk, rap, electro
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Modeselektor - Happy Birthday
Dupla mistura electro, crunk, techno e Thom Yorke no seu novo disco.
04.09.07 13:40
Alemanha, terra das sonoridades frígidas? Quanto se trata da dupla berlinense Modeselektor - ou MDSLKTR para os familiarizados - a resposta é um sonoro não.

Formado por Gernot Bronsert e Sebastian Szarye, com a benção da madrinha Ellen Allien, o duo acertou o ouvido do público há uns cinco anos atrás, quando lançou seus primeiros singles pelo BPitch Control. As músicas, que misturavam electro grosseiro com um quê de rap, crunk, batidas quebradas e techno industrial, seguiam a etiqueta do selo e desciam propositalmente quadradas pelos dutos auditivos. O primeiro álbum, Hello Mom!, veio em 2005 e já abria com as rimas matadoras do grupo francês TTC sobre uma série de recortes, repuxões, idas e vindas que fisgavam o ouvido de qualquer um.

Dois anos e uma vinda ao Brasil depois, Gernot e Sebastian lançam seu novo álbum de estúdio - Happy Birthday. O disco sai pelo BPitch Control e o nome é uma homenagem à paternidade dos dois produtores, fato que coincide com um leve aumento na dose de caretice do novo trabalho dos alemães.

MÚSICA DE RUA
Tudo que você pode esperar de um trabalho do Modeselektor está no disco. Ecletismo radical, linhas melódicas que parecem saídas de um sintetizador valvulado pré-histórico e, como não poderia deixar de ser, convidados bacanas. Até Thom Yorke - vocalista do Radiohead - entrou na ciranda, cantando na morna "The White Flash" (retorno a ela mais adiante). Mas tem também Paul St. Hillarie (que já havia contribuído para a dupla em "Fake Emotion"), os rappers berlinenses do Puppetmastaz e o grande trunfo da dupla: os caras do TTC.

Os rappers franceses desenrolam a rima com sotaque carregado por cima das bases de "2000007". E mesmo ficando um pouco aquém das incríveis "Une Bande De Mecs Sympas" e "Dancingbox" (outras parcerias entre os artistas), a faixa é um convite obsceno para longas sessões com a repetição do player ligado. Já "Let Your Love Grow", com os vocais narco-raggas de Paul St. Hillaire e as reverberações do dub jamaicano, é de deixar qualquer ouvinte incauto com cara de "que álbum mais sem pé nem cabeça é esse?". Tudo bem, porque é isso mesmo que se espera de um disco do Modeselektor.

Se você está procurando peso, "Black Block" e "Déboutonner" não podem passar batidas. Essa última se desenvolve por cima de um estouro de graves distorcidos e tem a participação do produtor Siriusmo (outra referência esperta do novo techno alemão). Além dessa dose de agressividade, a maioria das músicas de Happy Birthday tem também um clima sacana emprestado do hip hop e triturado pelas construções inventivas da dupla.

A comentada "White Flash" - uma das primeiras a vazar na rede - acaba caindo na levada melancólica/IDM de Thom Yorke e deve agradar mais a fãs do Radiohead, ansiosos pelo álbum que só chega ano que vem. "Godspeed", que abre o disco, e "Happy Birthday" também pegam mais leve nas linhas de baixo e fazem o contraponto às bombas sonoras "Hyper Hyper", com a participação de Otto von Schirach, e "Sucker Pin".

Ah, e não perca "The Dark Side of The Sun", feita em parceria com os Puppetmastaz e uma das melhores do disco. A faixa é veneno puro.

Ao longo das 17 músicas, há espaço para exageros e chatices também. "The Wedding Toccata Theme" sai do nada para chegar em lugar nenhum e as ambiências de "EM Ocean" soam mais como um tentador convite para saltar para a próxima faixa.

Happy Birthday é longo. E enquanto Gernot e Sebastian estão alimentando o caldeirão sonoro com suas batidas inflamáveis, o tempo passa de um jeito que você nem vê. O álbum tem lá seus momentos banho-maria, mas na maior parte do tempo o Modeselektor não deixa o fogo baixar e garante um efervescente caldo de sonoridades urbanas com aroma e sabor de asfalto.

Marcus Vinícius Brasil
Marcus Vinícius Brasil
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