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Dupla sueca fez um dos álbuns do ano mas odeia aparecer
05.09.07 19:15
Um dos melhores álbuns de 2007 vem passando totalmente batido com exceção de alguns poucos blogs, sites e críticos de faro mais insistente. Se você ainda não ouviu Yearbook 1, da dupla sueca Studio, tente arrumar e dê um presente a seus ouvidos o quanto antes.

O Studio está escondido nas entranhas da web e parecem ser meio avesso aos recursos hypantes de costume. Também não gostam de dar entrevistas. Por isso, deu um certo trabalho levantar fatos para esse texto (você já tentou dar busca na palavra "studio" em qualquer site de música?). Só pode ser uma estratégia proposital para permanecer longe dos invasores olhares públicos.

Mas, enfim, pinçando retalhos informativos em monossilábicos MySpace e sites de gravadora e banda mais um artigo de Paul Lester (crítico inglês com muitos anos de Melody Maker que agora é do Guadrian) consegue-se jogar um pouco de luz no assunto. O Studio é formado por Dan Lissvik e Rasmus Hagg, uma dupla de Gotenburgo, Suécia. Eles lançaram alguns singles no começo dos anos 00, coisas indie normais, sumiram e reaparecem em 2006, com o álbum West Coast. Esse ano relançaram o mesmo disco com duas faixas e o rebatizaram de Yearbook 1.

Consta que tudo que a dupla quer fazer é ficar trancada no seu estúdio à beira do mar Báltico, esmiuçando timbres, esculpindo sons e desenhando amplas e detalhadas paisagens musicais. A impressão que este disco dá é de um trabalho artesanal, paciente, caprichoso. Ao mesmo tempo, de enorme auto-confiança: os Studio não se importam em gravar faixas muito longas, que vão se desenrolando sutilmente em efeitos e nuances de arranjo.

"Radio Edit" não é nada do que diz o nome e sim uma jornada de quase 10 minutos que começa num clima ambient barroco e vai mergulhando cada vez mais numa espiral de arpeggios. Tipo Giorgio Moroder fumando um com o pessoal do Underworld. Já "Out There" fecha em quase 16 minutos e é alta gastronomia auditiva: uma poção mágica esfumaçada com dub, krautrock, Factory Records e Pet Shop Boys, quase três músicas diferentes em uma só. Tem que ter as manhas para conduzir uma epopéia como essa de maneira convincente. E o Studio tem.

"Life's A Beach" (que ganhou remixes de Todd Terje, Prins Thomas e Lindstrom) tem quase 13 minutos de devaneio de olhar maravilhado para o céu azul. É descendente direta da escola Balearic Beat/ambient house de gente como Sueño Latino, Ultramarine e A Man Called Adam.

Mas eles também sabem dar recados mais breves. "No Comply" tem vocal meio Bernard Sumner (New Order) meio Ian McCulloch (Echo and the Bunnymen) com aquelas guitarras ensolaradas que fizeram a alegria dos fãs de bandas dos anos 80 como Lloyd Cole & the Commotions e Aztec Camera. É linda e revigorante.

Há um sentimento de plenitude nessa música, você ouve e não precisa mais nada. Os dois que formam a banda também devem pensar assim. Segundo Paul Lester conta, "a dupla recusou vários convites para remixar artistas bacanas porque eles não querem fama ou aplausos, apenas continuar a fazer música no seu estúdio." Deixem eles lá então, por favor!

Quem é: Dan Lissvik e Rasmus Hagg
Como é: melódico, eletrônico, hipnotizante, belo, contemplativo e elaborado, inspirado por dub, indie-pop dos anos 80, krautrock
O que ouvir: Yearbook 1, de cabo a rabo, várias vezes
Para quem gosta de: Junior Boys, New Order, The Field, Mad Professor, Manuel Gottsching, The Orb, Underworld.

Camilo Rocha
Camilo Rocha
Putz! Putz!
comentários
Cau Lopez
Cau Lopez(27.12.07)
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rsrs! sou fà...foda foda foda!
Raul Aguilera
Raul Aguilera(28.10.07)
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Ouvindo sem parar, sem dúvida um dos melhores e mais originais de 2007. :)
Felicio
Felicio(06.09.07)
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Deixem eles lá então, por favor!..rsr muito boa!