Cinco perguntas para os suecos da vez
Love Is All, Hello Saferide e Suburban Kids tocam em SP essa semana
17.09.07 15:35
Mais três representantes da cena indie sueca se apresentam esta semana em São Paulo, depois de passar por Recife, Porto Alegre e Curitiba. A terceira edição da Invasão Sueca, promovida pelo coletivo Coquetel Molotov (em parceria com o Swedish Institute) traz as bandas Love is All, Hello Saferide e Suburban Kids With Biblical Names, todas no Brasil pela primeira vez. Não tão conhecidos quanto os artistas que vieram nas "invasões" anteriores (como Jens Lekman, El Perro Del Mar e José González), músicos das três bandas falam um pouco sobre seus trabalhos e o que esperam encontrar em seus shows por aqui. Confira a seguir as respostas de Markus Görsch, baterista do Love is all, Annika Norlin, a "cabeça" do Hello Saferide, e Johan Hedberg, metade dos Suburban Kids With Biblical Names.
Antes de mais nada, conte um pouco sobre a banda. Como vocês se apresentariam para os brasileiros que ainda não os conhecem?
Love Is All Somos quatro caras e uma garota de Gotemburgo, na costa oeste da Suécia. Nós começamos o Love is All principalmente porque estar em uma banda é a coisa mais divertida que você pode fazer, mas também porque todos nós costumávamos ir a muitos shows e acabávamos com a sensação de estar desperdiçando nosso dinheiro. A música ao vivo simplesmente não era alta, louca, dançante e esquisita o suficiente.
Todos já tínhamos estado em outras bandas antes, mas eu acho que logo de cara sentimos que esta era especial e que todos os envolvidos iriam contribuir igualmente e satisfazer suas ambições. Nós começamos fazendo alguns shows aqui e nos Estados Unidos e em Londres, até que nosso amigo Kevin, de Nova York, sugeriu que lançássemos um sete polegadas. "Make Out Fall Out Make Up" foi lançado e conseguiu ótimas resenhas na NME, e o John Peel nos convidou para gravar uma sessão pra BBC. Viajamos mais um pouco e percebemos que as pessoas começaram a cantar mais e dançar mais e mais e até a fazer stagedive nos shows, até que uma noite em Londres as pessoas cantando e dançando eram todas caça-talentos de gravadoras. Conseguimos um contrato e temos nos dedicado exclusivamente à banda desde então.
Hello Saferide Meu nome é Annika Norlin. Eu escrevo pequenos romances e uso acordes simples para eles. Eu sempre compus, mas há três anos minha música "Highschool Stalker" começou a se espalhar pela internet. Depois disso, eu consegui um contrato de gravação, reuni uma banda (para o Brasil, no entanto, só vou levar uma integrante: Maia Hirasawa), viajei muito, não dormi muito e agora estou no Brasil
Suburban Kids Olá, nós somos o Suburban Kids With Biblical Names: eu (Johan Hedberg) e Peter Gunnarsson. Começamos a gravar nossa primeira música, "Love Will", em dezembro de 2003. Em janeiro gravamos trompetes e violinos e subimos no nosso site. Tivemos muitos downloads e as pessoas começaram a se interessar pela nossa música, e tivemos a chance de entrar em uma coletânea de uma publicação musical na Suécia. A Labrador estava ansiosa pra lançar algo então lançamos nosso primeiro EP por lá no outono de 2004. Nossas duas primeiras músicas estavam nele e uma delas, "Rent a Wreck", tocou bastante na Suécia. Então fizemos muitos shows aqui e fora do país até. Na primavera de 2005 lançamos um novo EP, seguido de um disco. Depois viajamos mais ainda e fomos pra quase toda a Europa. Eu classificaria nossa música como uma mistura de coisas que ouvimos e amamos.
Vocês acreditam que existem outras bandas que façam parte de uma mesma cena que vocês? E que bandas seriam essas?
LIAEu não acho que existam outras bandas que some como nós. Mas naturalmente somos mencionados junto a outras novas bandas de indie rock, ou novas bandas suecas, por exemplo. Normalmente as pessoas tendem a mencionar Jens Lekman, Peter Björn and John ou The Knife quando falam de nós, mas isso deve ser porque somos do mesmo país.
HSEu sempre me considerei parte da cena indie pop. A Suécia tem muitas bandas de indie pop realmente boas, mas é difícil para mim dizer quais parecem comigo.
SKSim, eu acredito nisso. Hoje em dia parece que quase todo mundo pode ser incluído em uma mesma cena. Na Suécia a maioria das bandas grava suas coisas em casa com programas de computador roubados e grandes corações. Eu acho que sempre fizemos parte da cena indie sueca, mas hoje em dia acho que essa cena nem existe mais da mesma maneira. Eu gostaria de nos comparar a bandas suecas como Sambassadeur, Vapnet, Bear Quartet, Ingenting, Jens Lekman...
E na Suécia, como andam as coisas? Vocês recomendam algum artista ou banda em especial?
LIAJens Lekman está com um disco novo que deve ser ótimo. Eu ainda não o ouvi, mas costumava ser seu baterista, então imagino que várias músicas sejam aquelas que nós costumávamos tocar. José González está lançando um disco novo também, e ele é outro grande amigo nosso. Na verdade tem tanta coisa que eu não consigo lembrar de tudo…Hello Saferide, Peter Björn and John, Radio Dpt, Suburban Kids With Biblical Names, The Studio...
HSNo último ano e meio, nós provavelmente fizemos uns 100 aqui na Suécia, então as coisas estão indo realmente bem. Alguns dos artistas que eu gosto são Vapnet, Laakso, Jens Lekman, Matti Alkberg BD e Jenny Wilson. E, claro, todos que estão indo praí: Love is All, Suburban Kids With Biblical Names e Maia Hirasawa são muito bons.
SKEu gosto da visão artística que o pessoal de Gotemburgo e região têm, se bem que às vezes eles exageram um pouco na atitude.
Quais são suas expectativas em relação ao Brasil? Vocês conversaram sobre isso com os outros suecos que já tocaram nos mesmos lugares onde vocês irão tocar?
LIANós estamos esperando muito, pra ser honesto. Jens Lekman nos disse que foi fabuloso! Excelentes shows, pessoas divertidas, praias bacanas e ótima comida. É assim mesmo?
HSEu estou tão empolgada que você nem acreditaria. Todo mundo diz que o Brasil é um país maravilhoso pra se tocar e claro que eu sempre quis ir, porque as pessoas dizem que é um lugar tão bonito com as pessoas mais cool de todas (todo mundo diz que vocês brasileiros são tão bonitos, vocês nos fazem até parecer feios, se compararmos).
SKNão, não ouvi muito de quem já tocou aí. Eu sei que o Hell on Wheels fez uma ótima mini-turnê por aí, então vou confiar nisso.
Vocês já tiveram contato com alguns fãs brasileiros? Têm planos de fazer algo aqui além de tocar, como visitar outras cidades ou coisas assim?
LIASim, um monte de gente tem escrito para nós no Myspace, e eu acho que um deles mencionou que existe uma espécie de fórum de discussão ou algum site sobre a gente, mas não tenho certeza se alguém escreveu alguma coisa legal. Meu português é mais ou menos…Esperamos ver partes diferentes das cidades que visitarmos, talvez até dirigir um pouco pelo interior. Johan (o baixista) gosta de surfar, eu espero nadar e mergulhar e, tomara, descobrir música boa.
HSSim, surpreendentemente! Eu não fazia idéia que tantos de vocês faziam idéia de quem nós somos, mas já recebi vários e-mails de pessoas dizendo que vão aos shows. Maia e eu vamos para o Rio de Janeiro uma semana antes de tocar em Recife. Além disso, quero comer muito, comprar muito e conhecer muita gente. E eu vou me sentir mal porque não falo português.
SKBom, nós temos conversado com o pessoal do Coquetel Molotov há um bom tempo. Na verdade eles tentaram conseguir uma turnê pra nós aí no início da nossa carreira, mas perdemos prazo para o financiamento do Swedish Music Bureau. E muitos brasileiros têm entrado em contato conosco por email e pelo MySpace, desde que foi divulgado que vamos tocar aí. Espero que a gente consiga ter umas pequenas férias por aí...comendo bem, tomando banhos de mar e conhecendo gente.
HELLO SAFERIDE
18 de setembro São Paulo // SESC Vila Mariana
Ingressos: $ 10,00; R$ 8,00 (usuário matriculado). R$ 5,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculado e dependentes, aposentados e estudantes com carteirinha)
LOVE IS ALL + MAIA HIRASAWA
20 de setembro
Studio SP São Paulo
SUBURBAN KIDS WITH BIBLICAL NAMES + MAIA HIRASAWA
21 de setembro
Studio SP São Paulo