Love Is All ganha a platéia com seu discopunk torto
Noite de casa cheia e muito suor no dia mais quente do ano
21.09.07 20:40
Segundo as informações presentes no flyer do Studio SP, a casa estava programada para abrir as 21 horas - o que me causou certo espanto, pois ao chegar (correndo) por volta das 22 horas encontrei a casa ainda fechada. Segundo o segurança me informou, a casa só abriria dali a meia hora. Claramente, alguém esqueceu de checar as informações enviadas à imprensa. Depois de esperar mais um tempo, na noite mais quente do ano, as portas são finalmente abertas e o público já estava liberado para suar do lado de dentro.
Após uma hora de discotecagem de rock, o pequeno espaço de show, refrescado por um milagroso ar condicionado, é preenchido para assistir a delicada apresentação de Maia Hirasawa. A sueca veio para o Brasil como parte da banda de apóio de Hello Saferide, e foi convidada para abrir os shows do Love Is All e do Suburban Kids With Biblical Names.
Seguindo uma linha entre Bjork e Feist, o show acústico abusou de músicas folks bonitinhas até um momento que tudo ficou doce demais e foi preciso sair para respirar. Sem contar que era impossível ver a vocalista, o palco era baixo demais. Para piorar ela sempre estava sentada; ora com um violão ora com um piano. Na segunda música, o público começou a conversar sem parar e a música foi acompanhada de vários psiuus por parte do mesmo. No final da apresentação a cantora saiu do palco em lágrimas e ficou assim durante um tempo no camarim.
Cortinas se fecham, instrumentos são montados e o DJ pára de tocar, era esse o momento que as pessoas esperavam. "One more time..." grita em coro o do Love Is all començando com a sua música mais famosa, "Talk talk talk talk". Guitarras distorcidas, vocais estridentes, um sax disléxico pilotado por um clone de Jarvis Cocker, bateria pesada, baixo pulsante e um teclado controlado pela vocalista Josephine Olausson. Dez segundos foram suficientes para perceber que o show da noite seria especial.
O público, cantando boa parte das letras, estava fazendo a banda ter o show da vida deles, segundo os próprios. Com um sorriso aberto de orelha a orelha, tirando fotos da platéia e fazendo piadas fofinhas entre uma música e outra, a banda apresentou um monstro de show. As músicas novas apesar de não mostrar nenhuma evolução do álbum de estréia 9 times that same song, soam muito bem ao vivo. Josephine age feito menininha no palco, arruma a franja, pula um pouco, canta bonitinho e prende a atenção de todos. Quer dizer, na boca do palco algumas meninas estavam "encantadas" com o porte do guitarrista e vocalista Nicholaus Sparding.
Infelizmente, menos de 45 minutos depois de começar, o show termina. Deixando todos suados e embasbacados com a força da banda. Quando a eles deixam o palco, a casa inteira começa a cantar "one more time" e bater palmas até todos voltarem para o encerraramento. Foram apenas duas músicas de um álbum mediano, mas que na hora soaram como verdadeiros clássicos modernos. Uma das melhores surpresas do ano merecia definitivamente estar num palco de verdade.
Devia ter ido!