Junior é diversa e tem tudo para durar
Primeiro número da revista dedicada ao público gay vai bem sem apelar
03.10.07 17:55
Nasceu com 27 centímetros o bebê que acaba de chegar às bancas de jornal. A nova revista, chamada Junior, é dirigida ao público gay, custa R$ 12 e está disponível em todas as capitais do País.
A redação é formada pela equipe do site Mixbrasil, liderada pelo jornalista André Fischer, e chega para lançar a publicação trimestral com pouca concorrência. É que ao contrário dos primos, Junior não tem ensaios de nudez explícita. Dá mais atenção a textos que orbitam em torno de cultura e comportamento.
Nascida sob o signo de Virgem, a revista é variada nos assuntos. Em disposição visual limpa, tem música, consumo, cinema, decoração, turismo, beleza, noite, televisão, tecnologia, moda e arte. Tudo combinado num corpo assim, de 36 graus, que pouco se aventura em abordagens enérgicas ou aprofundamentos polêmicos. Na falta de artigos de opinião, Junior é pouco política.
Mas faz falta uma seção que trouxesse os endereços das lojas sugeridas nos ensaios fotográficos. Uma revisão melhor também cairia bem, já que passaram alguns erros ortográficos.
Nas fotos de moda está um dos trunfos de Junior. A bem-vinda sensualidade na revista está no ensaio fotográfico onde os modelos aparecem em versão vestida (de camisas, paletós e calças) e versão sem camisa. Outro ensaio, que empresta a foto de capa, é bem realizado e o manequim deixa pouquíssima gente descontente. Marotamente, o perfil bem escrito de seis bailarinos profissionais também traz fotos de todos eles em movimento e com pouca roupa.
Quando fala sobre música, a revista acerta ao abordar artistas pouco ouvidos no Brasil, como Chris Garneau e o uruguaio Dani Umpi. Em outra página, monta um esquema que trata do "new romantic gay" e assim, consegue dizer de uma só vez porque deve-se conhecer Mika, Rufus Wainwright e Antony and The Johnsons. Divertido também é o o texto (meio jabá) sobre o identificador de músicas disponível numa marca de celular. Essas todas são mais criativas que a reportagem a la revista Nova, com homens na faixa de 20, 30, 40 e 50 discursando sobre musculação.
O bate-papo entre o jovem escritor Santiago Nazarian e o cantor Daniel Peixoto, do Montage, também cheira a manjado, com interrupções para conversas deles com o garçom, no restaurante onde aconteceu a entrevista. Mais significativo é o perfil do novo filme do cineasta Bruce LaBruce e a conversa com Carlos Casagrande, Chico Santo e Cláudio Heinrich; atores que vivem personagens gays em seus trabalhos mais recentes. O mesmo gosto de novidade não acontece no artigo sobre art toys, um assunto já recorrente em veículos do mundo jovem, um pouco datado, como é o retrato de Johnny Luxo na crônica de Vitor Angelo, que costuma ser mais bem-humorado nos textos que assina para a Revista da Folha.
Ainda que personagens do eixo Rio-São Paulo desfilem nas páginas de Junior, o conteúdo não é provinciano. Os vários anúncios publicitários deixam a impressão que a revista terá fôlego. A vontade que aparece ao final da leitura é a de comprar o segundo número. Na página de abertura, o editor destaca o bom desempenho editorial das revistas gays no exterior e reconhece o potencial que Junior tem no Brasil. Deixando em aspas o título que estampa a lombada da revista, parece que "chegou a hora".
Bem-vinda, Junior!
http://mixbrasil.uol.com.br/mp/upload/noticia/5_64_63306.shtml