Blip, Blurp, Bleep: The Music Of Daniel Bell
Antologia é retrata fase em que era conhecido como DBX
18.10.07 16:05
Obaa! Disquinho véio que soa atual pencas. Temos aqui um technão que os houseiros alemães de hoje se jogam até. Hipnose minimal ora maníaca depressiva, mas com um porradão rítmico que vou te falar, viu? Grande eloqüente, é ao mesmo tempo raver (não a new) e clubber. Não fossem os baixos rebolantes e a funkmania da Chicago house, Daniel Bell teria sido uma espécie de irmão gêmeo musical do ex-parceiro Richie Hawtin da fase de Sheet One e Plus 8, ou seja, esquelético e repetitivo minimal de nascença pra lá de treze.
Morando na Motor City, o californiano Daniel Bell captou o emergente espírito dos nativos naquela onda da ficção ciêntifica no techno, mas não se afastando do gueto da acid house, sua fórmula mágica estava pronta pra bombar por anos. Quando alguns começaram a esquecer que o techno havia nascido de uma fusão (electro dos robôs + funk dos manos + house das bibas), Daniel Bell não havia pirado totalmente na filosofia futurista a ponto de perder o groove e o swing do humano de pista.
A antologia Blip, Blurp, Bleep: The Music Of Daniel Bell retrata esta sua fase em que era mais conhecido como DBX. Boa parte desse CD que saiu em 2003 pela francesa Logistic só era encontrada em vinil. O lançamento partia geralmente do pequeno e potente Accelerate, um dos seus selos. Engraçado é que boa parte da salada de uma década flue amplamente. Acerta fãs da aura pioneira de Detroit, como rolaria fácil em sets de tosqueiras criativas de hoje - pense em "Put Your Hands Up For Detroit", de Claude VonStroke, e algumas outras mais "eruditas", como as de Akufen e alemães minimal-houseiros.
Enquanto o antigo hit "Losing Control" (1994) brindava com a malemolência quase baiana do dub (pense no dub-techno viajandão de Basic Channel), o recente Daniel Bell se mostra micro-moderninho em "Squirrel Bait" - o melô dos grilinhos que acredito ter rolado pelas primeiras em São Paulo nas festas Motronic, de sonoridade ainda estranha para os poucos frequentadores do minimal no final de 2004 (incluindo este que vos pentelha).
Do mais quente da nova safra, já com os pés fincados literalmente na Alemanha, "Rhodes 2" representa a quebradeira de quadris. E não dá pra não remeter à véia "Electric Shock", cuja linha de baixo é rebolante até o chão. Na mesma pegada, "Phreak", influências escancarada para Josh Wink em "Superfreak", e "Flying Saucer" - ambas do cobiçado EP "Guetto Trax" (1993) - não ficaram de fora.
Mas como ninguém é perfeito, Bell também chega a soar cansativo, quando a antologia insiste em alguns registros de difícil audição. Então, dale tontura (aka tortura) com "Schitzo Squelch", de assobios loopados e loopados e loopados e loopados e loopados… E não é só nessa que há um certo over de hipnose. Ainda assim, é de se admirar esta atmofosfera sinistra que grandes techno-heads levaram adiante no denso e possível lado-b do minimal, como Surgeon e British Murder Boys, figuras reverenciadas por Jeff Mills. Mas isso já é uma outra história de Bells.