Cinco perguntas para Turbo Trio
Basa, BNegão e Tejo
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Cinco perguntas para Turbo Trio
Eles tem álbum novo no forno e estão no lineup do Eletronika
25.10.07 16:45
O Turbo Trio fez tudo ao contrário. Quando conseguiram seu primeiro show internacional, na França, o projeto praticamente não existia: nunca tinham feito shows, nem ensaios nem tinham músicas prontas. Stress? Problema nenhum na real: quando se junta a fluência de MC de BNegão, ex-Planet Hemp e atual Seletores de Frequência, a destreza tecnológica de Tejo, que paralelamente toca o elogiado Instituto e está trabalhando num disco de inéditas do Sabotage, e a experiência musical de Alexandre Basa, mulitiinstrumentista e produtor do Black Alien, as chances de sair algo bacana são bem grandes. Mesmo com um deadline cafugando na nuca.

Dois anos depois, com as coisas bem mais formatadas e muitos outros shows na bagagem, o Turbo Trio chega no seu primeiro (e excelente) disco. Chamado Baile Bass, traz um extenso catálogo de influências diferentes, do funk carioca ao dub ao breakbeat a Kraftwerk, além de participações de Deise Tigrona, Marina Bonde do Rolê (Tejo mixou o álbum deles) e do falecido Sabotage (via vocais inéditos). O lançamento está marcado para novembro. Além disso, o grupo faz um mega-mash-up com Mixhell e o guitarrista/produtor da Comunidade Nin-Jitsu, Chernobyl, no festival Eletronika, em Belo Horizonte (no dia 14/11). O produtor Tejo recebeu o rraurl.com para uma conversinha num estúdio na Vila Madalena.

Como foi esse começo meio correria do projeto?

Na época, que foi logo depois do estouro do "Quem que Caguetou?" [parceria de Tejo com Black Alien e Speed], eu falei com o Boffa que eu e o BNegão tavamos fazendo coisas juntos, sem nenhuma pretensão. Ele perguntou se podia tentar vender shows e a gente falou "beleza" e esqueceu do assunto. Logo depois, ele veio dizendo que tinha vendido a gente para o festival Rocknes, na França. Nem música tínhamos. Isso era março [de 2005] e o show era em junho. Como sou engenheiro de som, não músico, recrutamos o Basa para fazer essa parte. Aí inventamos o nome no meio do caminho. Se o cara que contratou soubesse... Bom, aí fizemos um aquecimento no Lov.e, na noite do Marlboro. Ele gostou e vendeu outras datas na Europa.

E por que os europeus se interessaram?

O principal motivo foi o estouro do "Quem que Caguetou?". A música ficou parada muito tempo até que o Dudu Marote conseguiu enfiar ela num comercial da Nissan, na Europa [a faixa virou hit e ganhou até remix do Fatboy Slim]. Foi curioso, porque apesar de não sermos funkeiros, Marlboro faz questão de dizer que foi "Quem que Caguetou?" que abriu as portas para o funk na Europa. Isso está registrado até no livro Uma História do Funk, do Sílvio Essinger.

No cenário musical hoje tem duas coisas se destacando bastante: a música de gueto e as misturas escancaradas de estilos. Como o Turbo Trio se encaixa nisso?

Bom, eu sempre gostei de música de gueto, de booty music, com 12 anos já gostava do 2Live Crew e meus amigos sempre falavam mal. Depois acabaram até gostando. Acho que uma das coisas que ajudam [o boom desses estilos] é a facilidade de equipamento, essa galera tá pegando software pirata e fazendo música. Eu tenho um amor, desde moleque, por música de rua, feita na garra, por não-músicos, dentro daquela postura faça-você-mesmo, punk.

Quanto às misturas, essa sempre foi exatamente a nossa pegada. Nosso som tem elementos "puros" de outros estilos, você vai identificar alguma coisa de house ali, de drum'n'bass, breakbeat, até de trance [para demonstrar essa última referência, Tejo mostra a intro da faixa "Um Grau Acima", um synth bem sujo]. Na real, acho que nunca fiz uma música "de verdade", pura.

Com tanta mistura, quem gosta de som de vocês?

Pode ser que, ao ouvir o disco, você vai achar vários defeitos, mercadologicamente falando. Mas eu acho que o Turbo Trio tá conseguindo fazer conexões interessantes. Eu sei que agrada uma galera do hip hop. Falando nisso, outro dia mostrei o disco [de inéditas] do Sabotage pro DJ CIA e o engraçado foi que a faixa que ele mais gostou foi uma com 134 BPM, o que não é usual para hip hop, mas ele me falou que na periferia tão curtindo uns sons assim nos bailes, mais acelerados.

O pessoal do funk carioca eu sei que respeita bastante a gente. Do lado jamaicano das coisas, tem o pessoal mais ligado ao raggamuffin, como Funk Buia e Echo Soundsystem, que curte. E, outro dia, os caras do Hurtmold foram no nosso show e dançaram o tempo todo. Sem falar na mídia especializada que sempre falou bem.

Como vai ser o show no Eletronika?

Eu, a Laima [Leyton] e o Basa vamos operar as máquinas, o Chernobyl vai tocar guitarra e o Igor [Cavalera] vai tocar bateria. Ainda não preparamos nada, claro. A gente não ensaia (risos). A gente tá em casa, vamos tocar junto com o Mixhell nos EUA ano que vem.

Foto: Marcio Simnch
Ilustração do Hot Zone: Rodrigo Silveira

Camilo Rocha
Camilo Rocha
Putz! Putz!
comentários
tejo damasceno
tejo damasceno(27.10.07)
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Valeu Camilo!!! Só duas coisinhas ... A musica que o Dj Cia escutou pertence ao disco do Sabotage e nao do Turbo e o Mixhell nao vai abrir os shows do Turbo na gringa ... a idéia é excursionar juntos sem ordem de preferencia!!!
Rafael Guedes
Rafael Guedes(25.10.07)
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Um dos discos mais aguardados do ano!! Pelo menos pra mim : D
Flávia Durante
Flávia Durante(25.10.07)
0AprovadoQueima
adorei, camilo!!!