Conheça o Escort
Nova-iorquinos provam que a disco music não morreu
25.10.07 20:45
Uma das maiores mentiras da história da música foi a morte da disco, decretada por um grupo de babacas racial e sexualmente preconceituosos em 1979, os mesmo que meses antes imitavam Toni Manero com suas calças coladas e depois decidiram que aquele som não era legal. Queimaram seus vinis em um estádio e gritaram "disco sucks" (a disco é uma merda) em uníssono. Não é necessário muito esforço para desmenti-los: Larry Levan, Paradise Garage, italo disco, house, Deee Lite, french house, disco punk, re-edits.
Os principais disco-heroes do momento são Lindstrøm, Prins Thomas, Daniel Wang, Metro Area e Todd Terje, todos muito talentosos, mas tem uma banda formada no Brooklyn em 2005 que vem aos poucos se destacando: Escort. Eles ainda não têm todo o incenso que merecem, mas trazem para a disco atual elementos que algumas vezes faltam aos seus cósmicos comparsas - bom humor, lascívia, pé no chão, ferveção e vocais.
Liderados pelo tecladista Eugene Cho, o guitarrista Daniel Balis e o baixista Darius Maghen, todos também DJs, gravaram o primeiro single "Starlight" sem grandes pretensões. Após o primeiro disco foram pegos de surpresas com convites para shows pelo fato de tocarem tudo sem samples, sem loops, e acabaram formando a banda, que hoje conta com 15 integrantes.
Depois de "Starlight", um petardo de 112 bpms cheio de violinos, metais e as vozes de Zena Kitt (parente distante de Eartha Kitt) e Kemba Russell, veio o segundo e ainda mais impressionante single: "Love In Indigo", notoriamente influenciado pelos releases da Salsoul, é disco pura e bem-humorada cuja letra fala da paixão de uma mulher por um par de botas. "Karawane", o lado B, é uma avalanche de percussão e vocais afro, inspirada por um poema dadaísta de Hugo Ball.
Em seguida, a "A Bright New Life" e sua linha de baixo que lembra a disco européia, com remix de Morgan Geist que infelizmente deixa de lado os vocais, seguido do quarto e último single lançado em maio, a sexy "All Through The Night", com um refrão trava-língua: "Giveittomesayittome -workitwithmeif- you'reready- I'mabouttopop" e remix mezzo acid do The Rapture. Com "All Through The Night" veio a primeira incursão do Escort no mundo do video: o hilário clip traz uma montagem com os personagens do The Muppet Show e virou hit no YouTube.
O Escort já fez três remixes para outros artistas: um para a fraca "French Girl", de Turbo Crystal, com o qual não conseguiram fazer milagre. No entanto, as releituras para "Seaside Weekend", do Antena, e "It's All True", de Tracey Thorn são estupendas, e nelas a banda usou apenas as vozes originais, "re-tocando" todo o resto.
Os shows têm acontecido raramente e sempre em Nova York, pela dificuldade de juntar todos os 15 integrantes, mas são altamente elogiados e incluem uma versão cover para a clássica "Can't Fake The Feeling" (1980), de Geraldine Hunt. Outro motivo para as esparsas apresentações é a criação do primeiro álbum, que deve sair ainda esse ano pelo próprio selo deles, Escort Records.
E se o som do Escort geralmente é classificado como retrô e nostálgico, a declaração do trintão Daniel ao jornal novaiorquino The Village Voice explica por que o trabalho do Escort vai além de mera volta ao tempo: "Você não pode ser nostálgico em relação a algo que você não viveu quando aconteceu pela primeira vez". Ou seja, mais uma prova de que a disco não está voltando... simplesmente porque ela nunca se foi.
''All That She Is'' é minha favorita, divertidíssima!
http://www.beatsinspace.net/main.html
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