Booka Shade foi destaque do Haagen Dazs Mix Music
Daslu recebeu Booka e Slam
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Booka Shade foi destaque do Haagen Dazs Mix Music
Slam cozinhou o público com seu tech-house cerebral
04.11.07 06:50
Na última quinta-feira (1/11), as apresentações das duplas Booka Shade e Slam no Häagen Dazs Mix Music reuniram playboys e garotas montadas no terraço neoclássico da Daslu - loja ícone da abastada elite paulistana. Além das atrações musicais (também teve shows de CeCe Peniston, Moptop e Porto Cinco2), o open-bar de uísque, cerveja Heineken, Amarula, Frisante, vodka, e sorvete contribuiu para que os espaços na pista se enchessem. As mulheres definitivamente estavam em maioria, e no dia da festa foram poucos os pontos de venda onde ainda restavam convites femininos (o ingresso delas custava R$ 150, no último lote, contra R$ 250 do masculino).

Depois da meia-noite, Barbies siliconadas e seus acompanhantes anabolizados subiam aos montes pelo perfumado elevador da loja até o terraço. Ali, a multidão ainda sóbria e bem comportada circulava por um amplo hall onde uma máquina de gelo seco defumava com fineza os recém-chegados. Na pista havia laser, balcões servindo bebidas por todos os lados e um palco com telões coloridos. O piso era de madeira e uma enorme vidraça dando de frente para a Marginal iluminada completava o clima patrão da noite.

A dupla China e Rafael Lima tocaram em clima de esquenta por volta da uma da manhã. O primeiro, DJ, soltava um set manso de electrohouse e minimal enquanto os presentes ainda pediam tímidos uma ou outra taça de Frisante com sorvete de framboesa. Sobre as bases sintéticas, Rafael tocava saxofone filtrado por efeitos eletrônicos. O resultado foi "Doppelwhipper" - de Gabriel Ananda - e "Beautiful life" - de Gui Boratto, ganhando improvisações agudas de sax sobre seus arranjos originais.

OS FIGURÕES DA NOITE
O Booka Shade subiu ao palco e o público mostrou que naquele momento estava mais interessado na música do que em encher a lata. Ao lado de Walter Merziger, Arno Kammermeier não parecia abatido pela operação de apendicite pela qual passou recentemente e se mostrou disposto a estourar os pontos tocando sua bateria eletrônica. No primeiro hit - "Night Falls" - o público já respondia bem melhor ao bombardeio que saía das caixas de som e a dupla pareceu muito à vontade. Interagiram com a platéia, pediram palminhas, e apresentaram faixas do novo álbum.

"Karma Car" dividiu espaço com longas sessões de catarse percussiva vitaminada pelos synths melódicos de Walter. O fim da apresentação teve vazamento de serotonina com "Mandarine Girl" e, após uma pausa, Arno avisou que a última música o público devia conhecer bem. "Body Language" fechou o set com gritaria, palmas, mãos pro alto e sorrisos no rosto.

Em seguida, a dupla veterana Slam entrou em cena. O lado performático que na apresentação anterior ajudou a fazer a coisa engrenar desapareceu no set dos co-fundadores da Soma. O show, embalado pelo lançamento do último disco dos escoceses - Human Response -, ficou com o pé no tech-house e cozinhou o público com sua sonoridade cerebral, convencendo os mais desanimados a voltar a apostar na fórmula etílica para se divertir.

Lá pelas 5h da manhã, a combinação de álcool com uma proporção desequilibrada de sexos na festa também acabou em desilusão para alguns. Meninas decepcionadas (muitas delas lindas e histéricas), vagando pela pista não eram raras de serem vistas. A essa altura, o estacionamento parecia mais movimentado que alguns cantos do terraço e para os que encerravam a noite por ali, o jeito foi dar adeus ao Häagen Dazs e voltar a encarar a rotina de picolés vagabundos.

Marcus Vinícius Brasil
Marcus Vinícius Brasil
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