Robotnick está entre a nostalgia e a novidade
Produtor italiano falou sobre passado, presente e futuro em entrevista ao rraurl.com
07.11.07 00:05
Na próxima sexta-feira (9/11), o sr. Maurizio Dami - mais conhecido pela dramática alcunha Alexander Robotnick - se apresenta no clube paulistano D-Edge. E ao contrário do que se possa imaginar, a fama "old school" do produtor italiano de meia-idade está mais em seu pesado currículo do que em suas apresentações. Na ativa há três décadas, Robotnick é avesso ao formato do vinil - que segundo ele "é desconfortável" - e usa um laptop para tocar, basicamente, "electro e techno".
Alexander conversou com o rraurl.com por e-mail nessa semana e contou de onde surgiu seu famoso pseudônimo, como era fazer trilhas para eventos de moda no começo dos anos 80 e o que mudou desde então. Simpático, disse que considera saudosismos uma furada, mas admite não largar seus discos nostálgicos de new wave.
De onde veio o nome "Robotnick"?
Eu queria dar emoção ao meu personagem. Então eu imaginei um artista russo exilado em Paris durante o regime de Stalin. Por isso o nome "Robotnick" ("trabalhador", em russo) e o uso do francês [nos nomes dos discos].
Algumas de suas biografias dizem que você nunca gostou de vinil e que começou a tocar como DJ seriamente usando um laptop. O que há de errado no vinil? Por que você acha que há tanta gente se recusando a usar formatos digitais?
Não, não... isso é um engano. Eu sou um dos que se recusa a tocar MP3 ou CDs. Eu odeio o som deles. Sempre tiro a música do vinil e a coloco, sem compressão, no laptop. Não gosto do vinil como mídia porque é desconfortável e muito barulhento depois de um tempo, mas não tenho nenhum problema com o som dele, principalmente em clubes.
A música que toco do meu laptop, usando uma mesa de som profissional, mantém o som quente do vinil. Mas usando um computador eu também posso seguir um novo modo de discotecar.
Além de produzir electro, você fez ambient também. O que o levou a escolher esses gêneros tão distintos e qual a diferença entre fazer faixas relaxantes e hits de pistas?
Honestamente, acho que nunca produzi faixas "tranquilas". Minha idéia de música ambiente era diferente. A maioria das faixas que eu criei foram para exibições de arte e trilhas sonoras, sempre conectadas a outras mídias como vídeo-instalação, drama e arte digital. Também produzi música de meditação com um flautista indiano. Acho que (como Brian Eno ensinou no final dos anos 70) toda música moderna é ambient, incluindo rock e dance.
Você fez trilhas para eventos de moda nos anos 80. Esse tipo de atividade se tornou um grande negócio hoje em dia... Como era fazer esse trabalho 30 anos atrás?
É sempre a mesma coisa: Ter relações com pessoas vestindo roupas caras... Ok, isso foi uma piada.
A tecnologia também era boa nos anos 80. Eu usava fitas ao invés de computadores para sonorizar ambientes. Às vezes a imprecisão do sistema de som criava efeitos incríveis. É difícil reproduzi-los com um computador "perfeito" hoje em dia.
Você viu muita da evolução da dance music. Na sua opinião, quais foram as maiores mudanças desde seus primeiros dias? Você acha que essas modas (como electroclash ou new rave) estão piores hoje em dia do que há algumas décadas atrás?
Houve duas grandes mudanças: O nascimento da disco na metade dos anos 70 e da house no fim dos 80. A fusão da new wave com a música eletrônica no começo dos anos 80 foi interessante também. Meu nascimento como músico está localizado aí.
É perigoso para um homem de meia-idade dizer "ontem era melhor do que agora" porque você confunde facilmente sua vida com a música. Pode ser que hoje não seja o melhor período... Para mim, é mais difícil que há alguns anos encontrar música que eu preciso em lojas. Mas você sabe: períodos pobres preparam boa música no futuro, então dedos cruzados!
O que você gosta de ouvir hoje em dia? Que bandas você gosta de ouvir em uma boa festa?
Além das coisas que ouço para discotecar, ouço jazz dos anos 60 e um pouco de new wave nostálgica. Eu não toco o som de bandas nos meus sets, a maior parte é electro e techno. Recentemente eu toquei "Brian Leech" de Alex Gopher e "A Smart Thing to Say" de That's. Eu ainda amo a música holandesa do Crème e de Gent (Bélgica).
Que faixas do passado você sente falta na pista de dança?
Nenhuma, por que todas elas ainda estão lá! Se você gosta, pode encontrar festas e revivals dedicados a todos gêneros da dance music.
é imperdível!
Robotnick e Devo no msm finde seria sonhar de mais para um carioca... hehehe
Mas quem sabe um dia :)
muito obrigada!!!!!!!!