Felix Da Housecat - Virgo Blaktro & The Movie Disco
Consagrado produtor de Chicago traz elementos da disco e do funk em seu novo álbum
12.11.07 13:20
O novo disco de Felix Da Housecat é uma boa tentativa de criar uma obra que transite entre o pop e a música eletrônica de pista, que pode ser genericamente chamada de dance music. Como qualquer tentativa, os efeitos podem ser positivos e negativos. Virgo Blaktro & The Movie Disco atinge esses dois resultados. Inspirado pelo funk setentista do Parliament e de Sly & The Family Stone e pelo pop de George Michael e Pet Shop Boys, o produtor norte-americano fez um disco irregular, que oscila entre bons momentos e outros nem tanto. Na ânsia de produzir um álbum recheado de grooves, vocais pops e um clima retrô chique/sexy, Felix Da Housecat comete umas gafes imperdoáveis para alguém que não é iniciante.
Batizado de Felix Stallings Jr., Felix Da Housecat é um dos mais aclamados e reconhecidos produtores de música eletrônica dos últimos tempos. Criado em Chicago, Felix era um jovem grafiteiro quando começou a se interessar pela emergente cena de house music de sua cidade. Sua carreira começou aos 15 anos, quando foi apadrinhado pelo DJ Pierre, um dos pioneiros da acid house. O pupilo rapidamente se tornou produtor prolífico, lançando faixas sob a alcunha de Aphrohead, Wonderboy, Thee Madkatt Courtship, entre outras.
Enquanto faixas como "Thee Dawns", "By Dawns Early Light", e "Thee Industry Made Me Do It" consolidaram sua carreira na cena musical, o reconhecimento para o grande público só veio em 2001, quando lançou o disco Kittenz and Thee Glitz - uma das pedras fundamentais do electroclash. Ele é apontado por muitos, junto com Larry Tee, como um dos criadores da cena electroclash, que movimentou a música eletrônica em 2001/2002. Depois disso, foi convidado para remixar músicas da superstar Madonna, de Kilye Minogue e chegou a colaborar com Thom Yorke, do Radiohead.
Toda essa bagagem parece não ter sido suficiente para a realização de um álbum à altura da importância de Felix Da Housecat. Não que Virgo Blaktro seja ruim, mas tem algumas coisas desnecessárias. Vamos a elas. Num total de 16 músicas, o disco tem cerca de 35 minutos. Ou seja, são faixas curtas, com menos de três minutos em sua maioria. Algumas nem chegam a isso, são meras vinhetas. Em "I saw the future/Blaktro man", que logo de cara aponta como uma das melhores, acaba aos 38 segundos, seguida por "Mad sista" que tem 33 segundos. Frustrante.
"MovieDisco", "Like Something 4porno" e "It's Your Move" são as que mais evocam a influência funk, com linhas de baixo poderosas, guitarras funkeadas e espírito dance music, na melhor acepção do termo. "Sweetfrosti" tem um quê de synthpop, vocais que utilizam vocoder - presente em quase todas as faixas - e tambores. A cereja do bolo está somente no final do disco: "Tweak", "NightTripperz" e "Future Calls The Dawn". As três faixas emulam o que há de melhor no electroclash: timbres sujos e base dançante. Uma pena que seja somente uma cereja.