Cinco perguntas para Carl Cox
Top DJ, no Brasil com sua tour "King of Clubs", fala sobre suas origens e uma provável aposentadoria
20.11.07 18:20
O retorno de Carl Cox às pistas brasileiras depois de 4 anos de sua última visita ao país já era, por si só, motivo de muita falação entre os clubbers brazucas. Afinal, mesmo na época de maior mudança para o techno, o DJ e produtor inglês é um dos poucos a se manter fiel ao gênero que lhe consagrou, o que lhe rende fãs incondicionais à mesma proporção de críticos contundentes.
Na semana passada, no entanto, uma notícia triste trouxe à tona o nome de Cox: o lamentável episódio envolvendo um tiroteio no meio de uma pista de dança, durante a apresentação do DJ na capital da Venezuela, Caracas. Cox estava no início de seu set, e alguns vídeos exibidos no YouTube captam exatamente o momento em que o DJ percebe a confusão na pista e se protege atrás das pick-ups. Em nota oficial, ele se disse chocado e consternado com os acontecimentos, e garantiu que irá continuar sua turnê pela América do Sul. Como o episódio ocorreu depois da entrevista abaixo, o rraurl.com tentou conversar novamente com Mr. Cox sobre o ocorrido, mas seu manager afirmou que o DJ não quer falar sobre o assunto além do que já foi dito em nota.
No Brasil, Cox faz tour em seis cidades: tocou dia 14/11 em Belo Horizonte, dia 16/11 em Angra dos Reis e no sábado 17/11 em Camboriú. Ele ainda toca dia 22 no Recife, 23 no Rio de Janeiro e 24/11 em São Paulo. Por telefone, ele falou sobre tecnologia, aposentadoria, influências latinas e sua paixão por motos.
O fato de sua família ter origem caribenha parece ter influenciado sua música, não?
Com certeza. Apesar de eu ser inglês meus pais são de Barbados e isto significa que desde pequeno sempre tive muito contato com música latina em geral, desde ritmos folclóricos como a até coisas mais populares. Como nasci e cresci em Manchester na década de 60, durante minha juventude escutava muito funk, soul, música negra, depois veio a bass-house. Acredito que consegui atribuir personalidade ao meu som graças a todas essas influências. Mas o que mais me influenciou com certeza não foi o aspecto puramente musical, e sim a idéia de que música deve ser algo divertido, para fazer as pessoas sorrirem, pularem e passarem bons momentos juntos!
Tiësto e Jeff Mills anunciaram recentemente que estão procurando investir em outras atividades, como restaurantes ou marcas de roupa, já pensando em uma espécie de "aposentadoria". Você possui planos neste sentido?
Tenho. Eu sei que infelizmente não poderei trabalhar como DJ para sempre, é uma atividade que requer muito e cedo ou tarde a idade irá começar a pesar. Como sou um apaixonado por motos, já estou investindo em algumas lojas de motos, e acredito que meu futuro será cuidar delas. Começou como um hobby, e como é algo que eu gosto muito, provavelmente vou me dedicar a isso.
Você teve uma relação muito próxima a alguns músicos brasileiros como Anderson Noise e Renato Cohen. Você ainda mantem contato com eles? Existe algum outro produtor brasileiro que lhe chame a atenção?
Na minha opinião, "Pontapé" foi uma das maiores músicas de todos os tempos dentro da música eletrônica, o que me aproximou muito de Renato Cohen. Infelizmente perdemos o contato, ele é muito talentoso mas faz algum tempo que não nos falamos. Continuo acompanhando o trabalho de Anderson Noise, também gosto muito dele. Mas o brasileiro que mais me chama a atenção, sem dúvida alguma é Marky. A primeira vez que eu o vi tocar fiquei simplesmente impressionado, ele é fantástico, é capaz de fazer coisas que ninguém faz. Acho que estes três são os que me vêm à cabeça agora, na verdade depende muito da exposição que o produtor tem.
Você chegou a ganhar o apelido de "3 decks wizard" (o mágico dos 3 toca-discos) devido à sua habilidade com as pick-ups. Como foi a sua adaptação às novas tecnologias?
Há três anos não uso mais vinis, o que foi difícil para mim. Mas o ponto é que hoje está cada vez mais difícil encontrar lançamentos em vinil, a música sai em formato digital hoje e sabe-se lá quando ela será prensada, isto se for. Isto me forçou a optar pelos CDs, até que descobri o Ableton Live e fiquei encantado, é uma ferramenta incrível e que me possibilita fazer coisas até então impossíveis. Como ele aumentou muito a minha capacidade criativa e eu adoro ferramentas deste tipo, hoje me apresento com ele.
Como um ícone do techno, qual é a sua sincera opinião sobre o minimal?
Simplesmente não é o meu som. As pessoas que vão me assistir esperam que eu faça elas dançarem muito, então eu não vejo o menor sentido em parar o que estou fazendo e dizer: "Ei ei ei, vejam bem, este é novo som, é isto que está rolando agora, então eu vou tocar minimal". Eu acho que uma festa só com minimal é muito chata, é um estilo muito bem-vindo em um warm-up, e trouxe opções novas para as pistas de dança, mas não acho que ele cai bem em uma festa inteira. Quando as pessoas saem elas querem se divertir, e não ficar entendiadas, e se eu não fizer as pessoas dançarem muito eu vou me sentir muito mal (risos). Eu toco o que considero o melhor de cada estilo, não me prendo a um gênero em si, mas busco fazer o meu próprio som, e acontece que a grande maioria das coisas que saem de minimal não se encaixam no meu conceito de música para a pista de dança!
João Anzolinmusic expresses that which cannot be put into words and that which cannot remain silent