Dinamarquês empresta sua voz radiante para figurões da música eletrônica
21.11.07 21:40
É provável que a primeira vez que a voz de Raz Ohara tenha cruzado com os seus tímpanos tenha sido em meados de 2002. O gogó com afinação pop do dinamarquês apareceu em "All I Got To Know", do berlinense Alexander Kowalski, e ganhou as pistas do mundo com seus synths classudos e clima keta-baleárico. A faixa, que também tocou muito por aqui, foi uma das primeiras visitas de Raz ao ambiente claustrofóbico das pistas de dança, após anos lançando composições que flertavam com o down-tempo e com o neo-soul.
Membro do selo Kitty-Yo - casa de artistas como o Tarwater - desde o fim dos anos 90, seu primeiro álbum saiu nessa mesma época. Realtime Voyeur tinha uma sonoridade arejada e fugia da bateria reta usando timbres orgânicos; tudo recheado pela voz radiante de Raz e seus sintetizadores flutuantes. Apesar do trabalho não ter ganhado o grande público, foi o suficiente para dar gás para o segundo álbum - The Last Legend, de 2001.
VELUDO UNDERGROUND Já estabelecido no turbilhão cosmopolita da capital alemã, foi aí que a voz do dinamarquês passou aparecer em faixas feitas para clubes. Além de "All I Got To Know", a parceria com Kowalski rendeu também "Hot Spot" e o ingresso definitivo na cena tech-house e minimal da cidade, que estava em um de seus momentos de maior efervescência. Além de contribuir para outros nomões como Luomo, caiu nas veredas da produção e rodou com seu live PA - tendo passado, inclusive, pelo clube paulistano Vegas em abril.
Entre suas principais faixas, aditivadas pela voz sussurrada e com uma queda pela click-house e pelo techno, estão "Hymn" e "Mr. Fireball" - lançada pela Electric Avenue em 2006 e remixada por Smash TV. Sua faceta eletrônica também rendeu um contrato assinado com o selo Get Physical, casa de Booka Shade e M.A.N.D.Y., que está comercializando na Alemanha o trabalho mais recente de Raz - "Whitmey Na" -, do começo de 2007.
O contato com a cena clubber alemã no começo da década também garantiu a Raz amigos no BPitch Control - então epicentro do novo techno produzido no país. Além de remixar o hit "Trashscapes", de Ellen Allien, começou a fazer as primeiras contribuições para Sacha Ring - o Apparat. A parceria rendeu algumas das faixas mais bonitas do recente álbum de Sacha, Walls, e sinalizou também o retorno de Ohara ao tipo de música que fazia no começo de sua estrada.
"Hailin From the Edge" e "Holdon" ficaram entre as mais comentadas daquele que, pra muitos, está entre os melhores discos do ano. Afinado também na língua portuguesa, segundo Sacha, Raz vem para o Brasil nessa semana junto à Apparat Band, como parte da turnê de Walls. O show será gratuito e rola no próximo domingo, no Ibirapuera, em São Paulo, dando início à programação do Motomix. Se a natureza der uma mão e o sol da tardezinha bater sobre o gramado do parque, o cenário estará perfeito para Raz Ohara deleitar o público paulistano com sua voz ensolarada numa tarde no parque para toda a família.
A apresentação do Raz + Kowalski em BH, lá em... humm... 2002? (ou 2003?)... foi uma das apresentações mais legais que eu já assisti. Incrível mesmo. E o Raz super mega performático afetado no palco fez o povo cantar quase todas as músicas com ele. :)
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