Creamfields Rio teve Tiga, Benassi e Gui Boratto
Faltaram lixeiras, mas o público comparececeu em peso ao evento
03.12.07 19:55
A segunda edição do Creamfields no Rio de Janeiro baixou dessa vez dentro da capital - diferente da primeira, no ano passado, que aconteceu em Xerém, um município próximo. E isso trouxe boas e más conseqüências ao festival. Falemos primeiro das boas e da música - o grande propósito do evento, afinal - e depois, do que foi mal. A estrutura montada no Riocentro estava bem mais bonita que na Fazenda Ana Dantas em Xerém.
Dessa vez foi melhor para chegar (o caminho é infinitamente mais agradável) e isso foi legal para todos, porque mais pessoas - ao todo oito mil - puderam ir e assistir a apresentações como a do Sharam, do Deep Dish, e do Tiga - mesmo que a maioria parecia aguardar ansiosamente pela enésima apresentação dos israelenses do Infected Mushroom.
Mas, antes do Infected, havia um line-up. Aliás, um não, três. O que no Cream Mainstage, infelizmente, ficava claro em todos os breakdowns - e isso aconteceu desde o set do Maurício Lopes, que abriu o palco com DJ João Paulo, ao Cosmic Gate, uma das últimas atrações do palco principal. O som do Main estaria perfeito, não fosse a proximidade com os outros palcos.
Abrir com o Maurício Lopes foi um acerto que poderia ter durado mais, porque Maurício sempre é ótimo. Uma mudança no line-up original antecipou a apresentação de Mark Knight e atrasou a do Gui Boratto. Correto: o gringo fez um set que começou morno, cresceu irregular, com uma bombação meio fora de hora, e terminou com um remix de "Enjoy the Silence" - pelo menos. Merecia abrir pro brasileiro, mesmo.
Enquanto isso, na tenda Euphoria, cheia do começo ao fim com um público tão animado quanto o nome sugere, as apresentações do projeto Velkro (faceta electro-house de Gabe, do Wrecked Machines, com Marcelo V.O.R.) e David Amos vs Julio Navas ofereciam um som mais equilibrado - coisa que foi se perdendo ao longo da noite com a progressão do line-up da tenda, mais puxada para o psy.
BENY BENASSI E TIGA - TOP OF THE POPS
De volta ao Main Stage, o live de Gui Boratto colocou tudo nos eixos com precisão e elegância, abrindo caminho para Benny Benassi tocar seu "de tudo um pouco". Titio Benassi sabe das coisas e, confirmando o que já havia mostrado em 2004 no Skolbeats, fez a festa da galera, indo da fofura de "Tainted Love" do Soft Cell à agressividade da exploração extrema dos agudos no progressivo. Mas, às 3h15, o ex-Deep Dish Sharam fez mais, com um som muito, mas muito mais bonito. Uma das faixas de abertura avisava: "my house is your house". Todo mundo entendeu e dançou muito. Além do que todos puderam cantar "Say Hello", "Dreams", e vários outros hits da dupla no que foi provavelmente o mais longo e mais bem construído DJ set do evento.
Quando a noite se preparava para virar dia, chegou a hora daquele que poderia ser o grande nome do evento - pegando emprestadas as palavras de Pete Tong em seu "Essential Mix" - o colosso canadense, de Montreal, Tiga. Às cinco em ponto, sem óculos escuros, mas de boné camuflado e camisa do Jim Morrison, Tiga abriu seu set de uma hora e meia com um minimal que limpou o trilho para todos os hits que ele desfilaria a seguir para a alegria de seus fãs: "Tribulations" do LCD, um remix que virou o instrumental de "Hustler" do SMD totalmente do avesso, pitadas de "Blue Monday" do New Order, uma versão bounce de "Sunglasses at Night", o mega-hit "You Gonna Want Me" e para fechar, nada menos que "Killing in the Name", do Rage Against, mais pesada que nunca.
Mas quem aguardava o trance Infected Mushroom, teve que aguardar ainda a apresentação da dupla Cosmic Gate. Os israelenses entraram às 8 horas munidos de baquetas e guitarra para a apresentação mais ovacionada do Creamfields 2007.
ENTULHO
Às oito da manhã já não havia mais chão para pisar, dançar, pular: na pista, em frente ao DJ, tudo era garrafas, latas e copos. Na falta de lixeiras, a pista virou uma grande lata de lixo. O que dependendo do gosto e dos hábitos de higiene da pessoa, pode não ser exatamente agradável. E para quem só quer dançar, simplesmente não rola.
Se faltaram lixeiras, sobraram seguranças, que marcavam cerrado sobre qualquer um, mesmo quem não tinha nada a ver com a piração alheia. Foi bom ter o evento dentro da cidade, mas o festival aconteceu num momento em que ela vive um clima de espera por uma nova "tragédia na classe média", como o que aconteceu recentemente numa "festa rave de música eletrônica" no parque Happy Land em Itaboraí (onde um menor de idade morreu sob suspeita de overdose). No site do jornal O Globo do dia seguinte, 18 presos por uso de drogas eram a notícia que se tinha do festival.
Bem, não sou contra nem a favor, muito pelo contrário, mas seria uma idéia a instalação de espelhos para que algumas pessoas vissem seus lindos rostinhos sob o efeito de um certo excesso na administração de anfetaminas. De todo modo, as lixeiras devem ser prioridade. A grande maioria do público que estava ali para assistir ao show do Infected, ou quem foi pelo Tiga, merece um bom espaço para dançar. Essa, aliás, é a idéia da marca Creamfields. E que venha o próximo!