Cinco perguntas para Gui Boratto
Produtor falou sobre o próximo álbum e revelou detalhes do remix para Goldfrapp
11.12.07 18:15
Após ter passado por festivais como o canadense Mutek e o I Love Techno, o produtor paulistano Gui Boratto se apresenta nesse sábado (15/12) na festa de sete anos da Tribe, em São Paulo. Gui encerra o evento, que deve reunir um público de 25 mil pessoas em Itu, no mesmo palco em que tocarão produtores de psytrance como Astrix e Infected Mushroom.
Além da agenda lotada, a boa fase de Boratto inclui um remix para o novo álbum da dupla Goldfrapp, faixas sendo lançadas pelo selo Ovum, de Josh Wink, e uma pancada de gente batendo na sua porta atrás de remixes. Gui conversou ontem com o rraurl.com por telefone e falou sobre o sucessor de Chromophobia, que deve sair no meio do ano que vem na Europa. Ele revelou detalhes do remix feito para o Goldfrapp e o que pretende tocar no sábado para acalmar os ânimos psyzeiros.
Você toca em festivais com as mais diversas propostas e conceitos. Qual a diferença de tocar no Mutek e na Tribe, por exemplo?
Olha, primeiro que esses festivais como Mutek, ou os europeus, tem um público muito parecido. Na Espanha, por exemplo, vai ao Monegros quem gosta de techno, então é uma tribo só. Acho que a Tribe é diferente porque reúne um público bem variado, e como vou fazer o encerramento, vai estar junto o pessoal que estava nas outras tendas - que não são de trance. E essa é uma das únicas festas de psy daqui que tem uma organização tão boa quanto a de eventos gringos, com um ótimo equipamento de som, de iluminação, etc.
Eu tenho tocado em outras raves ultimamente. Esse tipo de evento mudou muito e agora abre espaço para outros tipos de sons mais deep também. Toquei numa festa chamada Pollux no começo do mês e em Curitiba, que foi feita dentro de um mini-parque de diversões com looping e tudo (risos).
Mas o público do Mutek é bem diferente mesmo, é mais velho, intelectualizado, aberto para experimentações. Pude tocar bem lento, foi um dos lugares que mais gostei de me apresentar. O I Love Techno já tem um público mais misturado, porque no line-up tem bandas de indie rock como Klaxons, gente do techno como Ellen Allien, e gostei bastante também. O único problema é que coincidiu com o Creamfields Argentina, então não pude ir pra lá.
Você vai tocar no mesmo palco de gente como Astrix e Infected Mushroom. Você acha que o público vai reconhecer e receber bem o seu som?
Admito que quando me chamaram para tocar me deu medo, porque pensei ‘a galera do psy quer ouvir psy'. Mas acredito que a molecada que vai estar lá não vive só de rave, mas vai a clubes também, ouve o som de outros artistas. E tem outra, eu vou entrar depois de ter tocado um dia inteiro de psy, quando o público já tiver mais cansado, então quando eu colocar o som a 125 BPM acho que vão dar graças a Deus (risos).
Eu gosto muito de drum'n'bass, por exemplo, mas não consigo ouvir tanto tempo quanto techno porque é acelerado demais. Mas mesmo assim fazer o encerramento duma festa desse tamanho é meio responsa, vou tocar coisas novíssimas mesmo, que eu terminei de duas semanas pra cá. Tem uma faixa nova que fiz com o Martin Eyerer, do nosso projeto Atto & Eyerer, que é beeem sussa e já estou tocando, não sei se o pessoal vai gostar. Ia sair pela Audiomatique, mas recebemos uma proposta da Ovum, do Josh Wink, e como eu e o Eyerer nunca havíamos lançado por um selo norte-americano, demos preferência. O lado A se chama "The Island" e o lado B ainda não tem nome.
Você foi convidado para remixar uma faixa do novo álbum da Goldfrapp. Como é que foi essa história? Você já começou a trabalhar no remix? Como está ficando?
A Alison e o outro cara falaram de mim pro pessoal da Mute [gravadora que vai lançar o novo álbum da dupla, Seventh Tree] e eles vieram atrás de mim. Disseram que eram fãs de "Beautiful Life" e que queriam algo nessa linha mais cheia, que não fosse minimal techno. E eu não tenho um estilo definido mesmo, acho que me rotularam assim no começo por causa da Kompakt e talvez da "Arquipélago", que é mais nessa linha, mas eu nunca fui da turma do minimal.
Pedi para ouvir a música original, achei muito bonita e topei. Para o remix usei bastante das vozes e acabei com duas versões, sendo uma dub e a outra com vocais. Eles gostaram muito e aprovaram, acho que vai sair no dia 11 de fevereiro, talvez em vinil e também em CD.
Que outros projetos você tem pela frente? Algum novo remix, novos lançamentos?
Eu já estou pensando no novo álbum, que deve sair pela Kompakt no verão europeu de 2008. Já vai fazer um ano e meio que Chromophobia saiu na Europa, e o selo acha que um espaço de dois anos é tempo demais para lançar um disco novo. O difícil vai encontrar tempo, porque no ano que vem começa minha turnê pela Ásia e passo por Cingapura, Tóquio, Melbourne, Sidney e talvez China.
Vou ter uns dois meses picados para produzir, mas meu processo de criação é rápido. Fiz o Chromophobia em dois meses cravados, mesmo porque não gosto de mexer muito na música senão começa a estragar. E eu não tenho deadline, o pessoal da Kompakt me deixa bastante livre e se não estiver pronto em julho, sai em agosto ou setembro. É que o verão na Europa tem um gancho muito forte, então é legal ter pelo menos um single que seja bem tocado nessa época. "Gate Seven", por exemplo, saiu três meses antes do álbum.
Mas por outro lado, lançar muita coisa ao mesmo tempo é ruim também. Se você coloca vários singles no mercado na mesma época um deles vai ficar encalhado e as distribuidoras começam a evitar comprar coisas suas. Toda semana eu recuso remixes de selos pequenos e de novos produtores. Aceitei remixar Goldfrapp porque é um puta projeto, claro, do mesmo jeito que toparia fazer pro Depeche Mode.
Ainda há algum evento em que você nunca tocou e gostaria de tocar?
O Nokia Trends, talvez. Mais um ano que não deu preu tocar no festival. Mas foi quando mesmo? Na semana passada?
Foi no último sábado.
Ah, então foi por isso! Eu já tinha essas datas, e não é porque aparece um evento aparentemente maior que você vai desmarcar com quem já tinha te bookado lá atrás, isso não se faz.
Enfim, ótima a entrevista!