Nesses últimos tempos lembramos bastante da influência do jazz no techno através de bons shows e discos. Mas na outra margem da referência musical, a releitura eletrônica do jazz em si se dá com maior força no downtempo versátil que abrange latinidades, breaks, house e o drum'n'bass, eterno celeiro de harmonias jazzísticas.
Esse ano surgiu um músico que trabalhou com boa elasticidade entre todas essas tenuidades e levou o restrito nu jazz a outros campos da eletrônica em geral. É Ben Westbeech, cantor, DJ e produtor inglês da litorânea Bristol.
Crescido com a nada simplória formação clássica em violoncelo, piano e voz, Ben caiu jovem nas graças do hip hop e da dance music, e seu trabalho de produção e vocal chamou a atenção de
Gilles Peterson, o papa do modern jazz. De seu programa na BBC foram emitidas as primeiras ondas de "So Good Today", faixa que ficou nas disputadas listas de Gilles e vendeu 500 cópias de uma limitada edição - em vinil, claro -, em poucas horas.
A boa lembrança do acid jazz de viés pop que a voz de Ben proporciona foi o impulso que Gilles precisava para lançar seu terceiro selo, Brownswood Recordings, que tem "So Good Today" como single de estréia.

Estava lançada a expectativa para um CD, que foi lançado digitalmente em março.
Welcome To The Best Years of Your Life (foto) pode não ter hits avassaladores numa época que a soul music é forte referência no Reino Unido, mas tem boas faixas muito tocadas por aí. "Get Closer", com seu piano jazzy acelerado, foi hit no drum'n'bass global. A música é parceria de Ben com Die, DJ de Bristol do núcleo Reprazent que tocou esse ano na festa Subgrave e, aliás, foi o primeiro gringo do d'n'b a tocar no Brasil, lá no Lov.e. Die e Clipz, um expoente do
wobble, o d&b mais orientado às pistas, assinam a produção final do disco, mostrando a versatilidade musical além-breaks do debezão britânico.
Ainda no drum'n'bass, nosso Marky
convidou Ben para tocar em "Shame", faixa dele com a dupla londrina Artificial Intelligence.
COMPILAÇÕESNa margem oposta do espectro eletrônico, Ben esteve em comentadas compilações de famosos produtores europeus. Booka Shade no
DJ Kicks, Agoria no
At The Controls e Steve Bug em seu recente
Fabric, todos eles escalaram "Hang Around" remixada para suas coletâneas. Quem assina a versão viajandona de perfume prog da música de Ben é (mais uma) promissora dupla alemã em potencial,
o Wahoo.Só para constar, o Booka Shade fundiu "Hang Around' com "In the Smoke", do senhor disco Cerrone. Em um dos pontos altos da boa compilação do Booka, o que já era prog ficou espacial e etéreo, sem a datação marcante da space disco norueguesa.
E NO BRASIL...
Ben, que não abusa necessariamente de bossa novismos e cha-cha-chas tradicionais do jazz dançante, esteve em São Paulo em junho, participando do projeto
Toca Brahma ao lado da cantora
Tita Lima, novo nome da MPB modernosa que foi para o Reino Unido pelo mesmo projeto. Os dois participaram ainda de gravações conjuntas para futuros trabalhos de ambos.
O cantor/produtor
ficou maravilhado com a imensidão da famosa Eric Discos, tradicional loja de discos em Pinheiros aqui em São Paulo. Em seu blog no MySpace, relatou como doeu na carteira a quantidade de discos comprados, de N diferentes estilos.
SAFRA BRITÂNICAComo já dito acima, vale destacar o britânico por sua versatilidade. Tanto na busca por vinis velhos em um país distante quanto no seu álbum, Ben Westbeech é uma metamorfose da música moderna dos últimos anos. Um último exemplo: pelo clima urbano ("Pusherman") e pela depressão intimista ("Taken Away From"), o trip hop também é revisitado com baquetas de jazz e gemidos soul, gêneros patronos que são ilustrados mais claramente em outras duas ótimas músicas, "Stop What Your Doing" e "Get Silly".
Bem além do falatório de divas femininas como Róisín Murphy, Amy Winehouse e Lily Allen, a música britânica tem um novo nome para a recente boa safra de produtores: Switch, Mark Ronson e agora o jazzman Ben Westbeech.
Cheers, mate!
ADORO!
AS MINAS ADORAM !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!