Coletâneas tiveram ano de ouro em 2007
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Coletâneas tiveram ano de ouro em 2007
DJ Kicks, Late Night Tales, Back To Mine, Fabric e FabricLive protagonizaram bons momentos dos lançamentos musicais do ano
18.12.07 18:35
Muito antes de você gravar CD-R para amigos e o jornalismo mundial abusar de pautas "o que toca no iPod", a curiosidade - quase um fetiche - em saber o que o vizinho ouve já existia, na forma de coletâneas pessoais de músicos e artistas no geral. Mas em 2007 a música eletrônica e alternativa viram uma enxurrada de bons lançamentos e artistas protagonizando a atenção com compilações. Os exemplos mais evidentes foram as séries DJ Kicks, Fabric, FabricLive, Back to Mine e Late Night Tales, só para focar nas mais comentadas.

Fabric <3 Ricardo
Fabric <3 Ricardo
Mais evidente foi o caso do Fabric 36, assinado pelo chileno Ricardo Villalobos, que viu no selo Fabric a possibilidade de lançar faixas autorais sem o estardalhaço de um álbum 100% autoral. A idéia de um CD mix para evitar a pirataria pré-release pode ter funcionado, mas o falatório em torno de músicas como "4 Wheel Drive" e "Primer Encuentro Latino-Americano" foi quase o mesmo da época do lançamento de Alcachofa, em 2003.

Foi um gol olímpico do selo/clube inglês Fabric, que desde o fim de 2001 lança mensalmente a série homônima e a versão FabricLive, alternadas. Só esse ano participaram Steve Bug, Ewan Pearson, Ellen Allien, Ralph Lawson, Spank Rock, Krafty Kuts e a dupla LCD James Murphy e Pat Mahoney. Para 2008, já estão bookados Justice, Âme, M.A.N.D.Y, Mark Farina, e os DJs Craze e Yoda para as famosas séries do clube mais famoso de Londres.

BOM PARA O CURRÍCULO
O Fabric conseguiu em apenas cinco anos ser um forte protagonista dessas coletâneas, em que não há um "tema" e o mote é apenas o que os DJs estão tocando de melhor no momento, com eventuais faixas exclusivas. Foi um duro baque no monopólio da então pioneira e celebrada série DJ Kicks.

Criada em 1995 pelo selo alemão Studio !K7, a DJ Kicks foi idealizada após o relativo sucesso de duas séries anteriores, as X-mix e 3-Lux, e para marcar também o nascimento do !K7 Records, outro braço da empresa que hoje tem cinco sub-labels, associações com outros selos como Get Physical e escritórios em Nova York, Hamburgo, Londres e Tóquio.

Quem comandou a primeira edição foi o histórico CJ Bolland, e as séries seguintes dos anos 90 se dividiam entre o techno (Stacey Pullen, Carl Craig, Andrea Parker) e o nu-jazz, breaks e ambient (Kruder & Dorfmeister, Thievery Corporation). Kruder e Thievery, aliás, até hoje são as mais vendidas da sério junto com as de Nightmares on Wax e Stereo MCs, todas elas registrando marcas acima das cem mil cópias.

"Os artistas selecionados (naquela época) eram os mais ligados ao nosso staff. Por mais que nós sabemos que refletia o gosto do !K7, acho que conseguimos documentar bem a época", explica Juan Vandervoort, atual A&R atual do selo (responsável pelo desenvolvimento dos artistas em uma gravadora). "Mas ‘affair' é uma boa palavra para descrever (a ligação deles com os gêneros citados)".

EM 2007…
FABRIC
Luke Slater (#32 janeiro)
Ralph Lawson (#33 março)
Ellen Allien (#34 maio)
Ewan Pearson (#35 julho)
Ricardo Villalobos (#36 setembro)
Steve Bug (#37 novembro)

FABRICLIVE
Tayo (#32 fevereiro)
Spank Rock (#33 abril)
Krafty Kuts (#34 junho)
Marcus Intalex (#35 agosto)
James Murphy/Pat Mahoney (#36 outubro)
Caspa & Rusko (#37 dezembro)

DJ KICKS
Hot Chip (maio)
Booka Shade (outubro)

BACK TO MINE
Röyksopp (#25 abril)
Bugz In The Attic (#26 julho)
Guillemots (#27outubro)

LATE NIGHT TALES
Nouvelle Vague (março)
Lindstrøm (julho)
Fatboy Slim (outubro)
Chega o século 21, a concorrência da Fabric e o DJ Kicks encontra a era do MP3 com lançamentos de ênfase na dance music menos quadrada e mais pop da época. Tiga, Playgroup, Erlend Øye e Annie fizeram edições bem comentadas nos últimos anos, de electro e pop mais "experimental" que, se não alcançaram seis dígitos nas vendas, ajudaram ao menos a espalhar o carimbo DJ Kicks por soulseeks mundo afora. "Com freqüência são os artistas que nos contatam, e alguns deles pensam em lançar um DJ Kicks mais como plano de carreira do que pelo amor ou conhecimento do que nós tentamos fazer", ironiza Vandervoort.

No último biênio, Hot Chip (com a inédita "My Piano"), Booka Shade (misturando Brigitte Bardot com a linda "Numbers"), Four Tet e Henrik Schwarz foram escalados, fora o CD lançado ano passado para comemorar os dez anos da série, com todas as faixas exclusivas de artistas para a série.

Temperar cada edição com uma faixa exclusiva não é prioridade do DJ Kicks. É o caso também das compilações Late Night Tales, do selo britânico Azuli Records. Nessa série, cada artista seleciona as músicas para aquele momento introspectivo pós-balada, um dia de inverno chuvoso. E todo mundo faz um cover. Na última edição, lançada em outubro, tem o fanfarrão Fatboy Slim com uma engraçada versão de "Radioactivity" (Kraftwerk), entre faixas de Tom Jobim e Sly & The Family Stone.

Na vez do grupo escocês Belle & Sebastian, ele regravaram num português macarrônico a música "Casaco Marrom", da brasileira Evinha, ex-Trio Esperança (!). Gal Costa, Stereolab e Múm também estavam nessa compilação do ano passado, uma pérola da música indie. "É sempre uma jornada pelas horas mais íntimas. O que nos difere de outras coletâneas são nossos covers e as faixas com pequenas histórias narradas, sempre fechando os CDs", explica Sean Brosnan, PR da Azuli, contando a história da série, que nasceu com a alcunha Another Late Night, em 2001.

DISCO MUSIC
Groove Armada e Zero 7 renderam os álbuns mais vendidos dessa série, que nasceu de um grupo vindo dos bastidores de outra compilação, a Back To Mine (DMC Records - UK), iniciada em 1999 com a mesma idéia, só que com aura de retrospectiva histórica pessoal. New Order, Carl Cox, Orbital, EBTG e Underworld já participaram, e esse ano o Röyksopp mostrou que a influência da dupla norueguesa é basicamente disco music em diversas concepções: tem o disco-punk patronal de Talking Heads, a elegância hi-fi de Idris Muhammad e até uma cafona italiana, divertida até: "Ma Quale Idea", de Pino D'Angino.

Why Carly, why?"As compilações foram um dos faróis para o retorno da disco. Volte alguns anos e disco seria um palavrão", opina o PR do Late Night Tales, que também convidou esse ano outro norueguês amante dos anos 70: Lindstrøm. Ele escalou Carly Simon (foto), Fern Kinney e novamente eles, Sly & The Family Stone. Junto com a Steve Miller Band, presente no ótimo FabricLive de Jacques Lu Cont (2003), essas duas bandas são referências constante quando se analisa a discografia dessas séries.

Em fevereiro, a Late Night Tales comemora sua vigésima edição escalando novamente o grupo inglês Groove Armada, que já tocou nas festas especiais da série no clube Lock Tavern, em Londres. Festas essas, aliás, que ajudam a divulgar os CDs e alimentam o caixa dos selos, que admitem sofrer com os novos tempos da indústria fonográfica, tão hostis aos tradicionais lançamentos de álbuns em CD e afins.

PONTOS CRÍTICOS
Prince não libera...
Prince não libera...
"Algumas festas ajudam a adicionar à nossa marca", responde Sean Brosnan, ao ser questionado como lidar com o desprestígio dos CDs e de que maneira os selos podem mudar a forma de divulgar músicas. "Vai ser cada vez mais complicado, já vimos alguns selos só de coletâneas falir. Isso é um sinal de que no futuro só sobreviverá quem tiver um produto de qualidade. Ninguém vai pagar por bobeiras."

Outro problema que os selos enfrentam na hora de montar os CDs são questões de copyright de artistas não muito simpáticos a ter suas músicas em coletâneas. Fora licenciamentos com cláusulas proibindo a inserção de músicas em coletâneas. "Prince é um exemplo dessa situação", conta Juan Vandervoort. "O mais comum é a não-permissão de direitos digitais para algumas músicas - aliás, nenhuma das majors nunca fornecem essa licença. O que é uma vergonha nos dias de hoje", reclama, incisivo.

Com a concorrência cada vez mais acirrada das coletâneas nos últimos anos, o público só tem a ganhar com artistas sendo disputados a tapa e features criadas para conquistar ouvinte por ouvinte. E em tempos em que a música é valorizada em detrimento ao "pacote" do CD físico, compilações são um bom celeiro para lançamentos de tracks, principalmente se abraçarem de vez no formato digital. Caminho que todos, inclusive as grandes gravadoras, já começam a visualizar como a única estrada para o futuro.

E você? Qual foi sua compilação predileta esse ano? Não necessariamente nas séries citadas acima, diga aí quais foram as coletâneas que mais tocaram nos seus ouvidos.

Jade Augusto Gola
Jade Augusto Gola
it's like the 60s, with no hope
comentários
Raul Aguilera
Raul Aguilera(24.12.07)
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Dessas séries aí eu gostei muito dos Back To Mine do Royksopp, do DJ Kicks do Booka Shade e tem o Ame - Mixing que é toda de deep house, bem atual. O Body Language 5 - Chateau Flight também vale a ouvida. ;)
Adorei a matéria, é a primeira em anos que vejo descrevendo bem essa nova forma de ouvir e resgatar vários clássicos e filtrar as coisas boas atuais.
pablo
pablo(20.12.07)
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OS SETS DO FABRIC PODEM SER OUVIDOS NA WWW.SAMURAI.FM !! e muitos outros !!!
Rafael Battesini
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melhor coletânea/compilação de 2007 = Soma Records.
Tadeu Magalhães
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A melhor compilação da década é o DJ-Kicks do Erlend Øye. Impecável.
Nessa mesma onda ano de coletâneas podemos citar os da Global Underground, que teve boas coisas como o do Adam Freeland (GU 32:Mexico City), Ali Dubfire (GU 31:Taipei) ou até o Transitions 3 do Digweed pela Reinaissance.
 
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