Prinzhorn Dance School, Mock & Toof, Hercules & Love Affair e Bot'Ox prorrogam o legado de James Murphy e Tim Goldsworth
11.01.08 23:25
Difícil achar alguém que tenha dançado em alguma pista moderninha no começo dessa década e que não conheça o selo nova-iorquino Death From Above. Criado em 2001 por James Murphy, líder do LCD Soundsystem, e Tim Goldsworthy, famoso produtor de bandas como Cut/Copy, a gravadora lançou nada menos que os principais grupos de dance-punk desses anos 2000, além de ter se tornado um ícone indissociável do gênero. "House Of Jealous Lovers", do Rapture, "Over And Over", do Hot Chip e "Losing My Edge", do próprio LCD; todas tiveram passagem pelas prensas da DFA antes de arrebatarem ouvidos e promoverem acessos histéricos em clubes do mundo todo. Apesar do hype em torno do selo ter encontrado auge em tempos de electro-clash e explosão punk-funk, ele chegou a 2008 com a dignidade intacta. Suas principais crias ainda lançam discos importantes - Sound Of Silver, Made In The Dark - e em tempos de rock eletrônico em alta, a sigla DFA não poderia estar passando por um mau momento. O escritório ainda se mantém como casamata cool de NY e, nessa virada de ano, aposta em alguns nomes que dão a dica do que vai valer a pena ouvir em 2008 - mesmo que para isso tenha que se afastar da sonoridade que virou sua assinatura.
FUCK NEW RAVE Dos novos nomes lançados pela gravadora nos últimos tempos, o que mais fez barulho foi o da dupla britânica Prinzhorn Dance School. Formado por Tobin Prinz e Suzi Horn, o duo dá a dica em sua pequena biografia postada no site oficial: "Não somos uma banda de new rave, não somos uma banda de punk funk, não somos uma banda de new wave. Só gostamos de tirar os sons da nossa cabeça e gravá-los com um velho gravador em um prédio velho. (...) gostamos de coisas simples".
O disco de estréia, Prinzhorn Dance School, saiu no fim do ano passado (também foi editado pela Astralwerks) e possui doze faixas - todas de uma aridez que faz o Atacama parecer um bosque tropical. Os arranjos instrumentais são feitos com uma bateria magricela, guitarras cáusticas e um baixão solitário. Nem a voz de Tobin torna o conjunto muito mais expressivo, soando sem resquícios de filtros e reverberações.
O maior hit do grupo, "You're The Space Invader", saiu reeditado recentemente como single, com remix do Optimo e algumas faixas extras. "Up! Up! Up!" também foi lançado pelo braço britânico da EMI.
Prinzhorn Dance School - You're The Space Invader
DISCO HIPSTER
Kim Ann e Andrew Butler
Direto do Brooklyn (a Barra Funda nova-iorquina) surge via DFA mais um act que propõe a neo disco. É o promissor Hercules & Love Affair, capitaneado pelo DJ Andrew Butler que causou furor na web ao invocar o vozeirão de Antony Hegarty (do Antony & The Johnsons) em "Blind", uma disco cheia de chicotes, distorções a la Moloko, e violinos emprestados do ABBA.
Deve ter sido uma realização para o Antony fã incondicional de Boy George: seu vocal, principalmente nos auges gritados, ficou uplifting o suficiente para legitimar, Deus queira, um futuro álbum disco da banda que foi uma das boas atrações do TIM Festival de 2007.
"Athene" tem os vocais preguiçosos necessários para a disco sexy de alma deep house, associação made in Chicago simbiótica por natureza e que nós temos defendido aqui no site por revigorar a house music e os grooves em geral. "Roar" é gemida e tem aquela aura sexual yuppie dos anos 90, década que aparece também nos lentos blips acid de "Classique #2" (essa faixa, junto com "Roar", são as únicas até agora oficialmente lançadas pela DFA).
O Hercules & Love Affair também fez um remix para "A&E" (Goldfrapp - baixe aqui), e o projeto conta com a colaboração da DJ e designer de jóias Kim Ann e outros artistas locais, que dos beats maduros ao design helenístico do projeto, dão ao Hercules uma aura artística digna de hipster nova-iorquino.
MUZIK INTERNATIONALEZ Outra cartada da gravadora que garantiu um tanque de novidades bem abastecimento foi a criação do sub-selo Death From Abroad, anunciada no meio do ano passado. A proposta, de lançar mais bandas e produtores de fora dos EUA, deu no surgimento de alguns projetos curiosos e com uma sonoridade bem diferente da velha fórmula disco-punk pré-new rave.
Um exemplo é a dupla (mais uma delas) Bot'Ox, formada pelos franceses Cosmo Vitelli e Julien Briffaz, donos da recente "Babylon By Car" - um click-hop funkeado e hipnótico. A sonoridade passa bem longe de guitarras rasteiras e vocais gritados, mas ainda mantém o jeito orgânico e suspeitamente analógico de fazer música. Vitelli é nome bem conhecido pelo seu trabalho solo e já lançou por selos como Kitsuné, além estar por trás do I'm A Cliché. O selo já colocou no mercado discos de Simian Mobile Disco e do francês Yuksek.
Do Reino Unido vem outro duo, ainda deslocado do antigo conceito DFA. O Mock & Toof ganhou reconhecimento graças ao seu remix para "Love Is In The Air", do Juan MacLean, e também para "Over And Over", do Hot Chip. A dobradinha foi o suficiente para o duo emplacar "K-Choppers", pelo Death From Abroad. A faixa é puro exotismo, com tambores aborígenes dividindo espaço com synths espaciais - um tipo ketaminado de tribal house, de BPMs baixos e sem bate-cabelo.
Seja pelo lado do minimal orgânico ou pelo exotismo indígena, a Death From Above não acabou como um selo que vive de blockbusters do passado. Além dos grandes nomes que remetem ao início da gravadora, os nova-iorquinos ainda despejam saudáveis pencas de novidades sobre nossas cabeças e dão as dicas do tipo de música que vamos ouvir ao longo de 2008.
blind e space invaders são figurinhas fáceis em todo set aqui em londres. No beatsinspace tem set do andy butler e do mock and toof (vi eles discotecando é muito bom) - fiquei umas 2 semanas ouvindo o set deles.
abs.